‘Queremos a democracia da diversidade, uma democracia real’, diz presidente do centro acadêmico da USP
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Não queremos a democracia da fome, a democracia das chacinas e a dos ricos. Queremos a democracia da diversidade, dos trabalhadores, uma democracia real. Queremos a democracia dos povos”, disse Manuela de Morais Ramos, presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto. Morais tem 19 anos e é a segunda mulher a comandar a entidade.
“Mas sabemos que o caminho para esse processo passa por uma luta contra qualquer retrocesso. Não há dúvidas do momento histórico”, disse ela, acrescentando que o ideal é que a edição de uma nova carta não fosse necessária.
Manuela defendeu ainda que a mobilização não deve ser apenas uma reação a intenções golpistas, mas um pacto coletivo para ir além da democracia atualmente existente.
Manuela criticou não só os ataques de Bolsonaro ao processo eleitoral, como o desmonte e interferências na área da Educação.
“Jair Bolsonaro ataca as liberdades democráticas não apenas quando questiona a segurança das urnas ou quando vocifera frente às instituições”, disse. Os cortes bilionários nos recursos da educação também são ataque à democracia, a democracia sangra quando o governo nomeia interventores nas reitorias das nossas universidades”.
“Somos jovens negros, periféricos, fruto das universidades públicas, das quebradas e das favelas.” Ramos foi bastante aplaudida. “Temos lutado permanentemente para garantir que essas conquistas sejam um ponto de não retorno, não a exceção da regra.”
“Em nome de todos eles, conclamamos: ditadura nunca mais”, disse ela ao rememorar nomes de vítimas do regime militar. “Não obstante ecoamos a memória de toda juventude negra e periférica que teve seus corpos e seus sonhos assassinados pela violência do Estado.”
Relembrou João Pedro, menino de 14 anos morto em sua casa durante ação de policiais civis no Rio de Janeiro. Também citou nomes de ativistas brasileiros assassinados, como o ambientalista Chico Mendes e a vereadora Marielle Franco, o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Philips. “É preciso lembrar de todos aqueles que foram esquecidos pelo Estado de Direito.”
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