CoronaVac para crianças: Ministério da Saúde compra 1 milhão de doses do Butantan
O Ministério da Saúde comprou 1 milhão de doses de CoronaVac do Instituto Butantan para crianças de 3 a 5 anos. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, data que marca um mês do aval à vacinação, após O GLOBO mostrar que a falta de imunizantes fez com que a imunização do grupo não avançasse.
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A compra via Butantan representa uma mudança nos planos da pasta. Como mostrou a coluna de Lauro Jardim, o ministério havia achado as doses caras e, por isso, optado por comprar do Covax Facility, consórcio global gerenciado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
— Nós temos duas possibilidades de aquisição: a primeira era via Covax Facility, porque as doses estavam prontas e chegariam mais rápido ao Brasil do que trazer o IFA para produzir no Instituto Butantan. No entanto, temos algumas dificuldades, porque as vacinas que nos ofereceram têm um prazo de validade relativamente curto. Então, o Instituto Butantan providenciou o IFA e nós vamos adquirir as vacinas necessárias para imunizar os filhos de todos aqueles pais que queiram levá-los para as salas de vacinação — disse o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.
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A instituição prevê entregar as doses em setembro e produzi-las com o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) que tem importado desde que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou a liberação do imunizante para a faixa etária a partir de 3 anos, em julho.
“A pasta oficializou a compra de um milhão de doses, que devem ser entregues até meados de setembro. Vale lembrar que o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) para a produção do imunizante, que está sendo importado da China, é capaz de suprir a demanda de seis milhões de doses de CoronaVac”, diz a nota do Butantan.
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O montante, no entanto, ainda é insuficiente para imunizar toda essa população mirim, mas deve ajudar a desafogar cidades com falta de doses. Segundo artigo de pesquisadores brasileiros estudo “Government Inaction on COVID-19 Vaccines contributes to the Persistence of Childism in Brazil”, publicado na The Lancet, seria necessárias duas doses para 8,3 milhões de crianças de 3 a 5 anos no Brasil.
— Há vacinas CoronaVac em estados e municípios. O Ministério da Saúde tem trabalhado para que essas vacinas sejam realocadas nos municípios que não tem disponibilidade — completou o ministro.
Porém, levantamento do GLOBO aponta que locais como Rio, Distrito Federal e 11 municípios do Rio Grande do Norte já suspenderam a vacinação. Já na Bahia, só 194 dos 417 municípios — menos da metade — registram aplicação do imunizante na faixa etária. Estados reclamam de falta de doses. Outros estados, como Ceará e Maranhão, estão com estoques reduzidos.
Campanha de multivacinação
Queiroga também admitiu o risco de volta da poliomielite ao Brasil, onde é considerada erradicada desde 1994. A preocupação vem em meio ao cenário de queda na taxa de cobertura de vacinação desde 2016 e ao primeiro caso de pólio em Nova York em dez anos.
— Nós não queremos nenhuma criança no Brasil com poliomielite. A poliomielite já foi diagnosticada nos Estados Unidos e em israel. Pode acontecer aqui no Brasil? Pode. As coberturas vacinais estão baixando, não é de hoje — disse o ministro durante entrevista à imprensa. — (Vou) aproveitar para pedir que pais, avós levem seus filhos para salas de vacinação para tomar a vacina de poliomielite.
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O ministério lançou uma campanha de multivacinação, com foco na poliomielite, que vai até 9 de setembro. O “Dia D” será no próximo sábado, quando postos de saúde de todo o país devem fazer um mutirão para alavancar a aplicação de vacinas. A meta é imunizar 15 milhões de crianças contra pólio (ou paralisia infantil).
— Nós queremos manter o país livre de poliomielite. Portanto, pais ou responsáveis, levem seus filhos — completou o secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Arnaldo Medeiros.
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