José Genoino, em Gramado, recorda anos de guerrilha e mortos da ditadura militar
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Após ser vaiado no tapete vermelho do Festival de Gramado na noite desta segunda-feira (15), José Genoino, ex-presidente do PT, o Partido dos Trabalhadores, se emocionou ao se lembrar dos anos de prisão na ditadura militar.
Em conversa da equipe de “O Pastor e o Guerrilheiro” na manhã seguinte à exibição do filme, o político tomou a palavra para comentar como a trama se relaciona com sua experiência na Guerrilha do Araguaia, que lutou contra o regime ditatorial nos anos 1960 e 1970.
“A gente era preparado psicologicamente para amar a selva. O Johnny [Massaro] interpretou isso muito bem, ele estabelece essa relação de amor com ela. A selva é um mistério, tem bichos, mosquitos, frieira. E a gente amava aquilo, porque ela era uma aliada”, afirmou.
No longa, Johnny Massaro interpreta um guerrilheiro que se junta à luta no Araguaia. Ele se perde na selva e, eventualmente, é capturado pelos militares. “O Pastor e o Guerrilheiro”, de José Eduardo Belmonte, é inspirado em relatos de como era a luta armada contra a ditadura, apesar de seus personagens serem ficcionais.
Genoino comentou ainda a figura do pastor na trama. Nos anos em que esteve preso pela ditadura, ele disse ter recebido visitas frequentes de padres católicos e pastores evangélicos.
“Eles perguntavam como a gente aguentava aquilo sem Deus, e a gente dizia que nosso Deus era a revolução. Isso aconteceu inclusive na Papuda”, afirmou ainda sobre o presídio onde ficou a partir de 2013, após condenação por corrupção e formação de quadrilha. Em 2020, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região reconheceu a prescrição das acusações e livrou de punição Genoino.
Por fim, ele recuperou o clímax do longa, o encontro do guerrilheiro de Massaro e do pastor interpretado por César Mello, que combinam que vão se encontrar se um dia saírem da prisão.
“Existia essa contradição quando a gente saía da cadeia, entre a despedida e a alegria. A gente combinava, então, de se encontrar no futuro e cantávamos duas músicas, o hino da Internacional Comunista e “Suíte do Pescador”, do Caymmi. Até hoje eu me emociono com isso”, disse, segurando as lágrimas, explicando que o ponto de encontro costumava ser próximo ao Planalto.
“Quando o Lula ganhou em 2002, eu subi a rampa do Planalto, olhei para a Esplanada e chegou à minha cabeça que finalmente eu havia chegado ao ponto de encontro, mas muitos companheiros, não.”
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O repórter viajou a convite do Festival de Gramado
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