Preso por crimes financeiros e homicídio, ‘Faraó dos bitcoins’ lança jingle de campanha: “Todo lucro pelo povo”
Preso desde agosto do ano passado acusado de liderar uma organização criminosa responsável por um milionário esquema de pirâmide, Glaidson Acácio dos Santos, conhecido como o ‘Faraó dos Bitcoins’, lançou nesta terça-feira o jingle de sua candidatura a deputado federal pelo Rio. Na música, ele, que é réu em um processo por crimes financeiros e lavagem de dinheiro e também responde por homicídio de um empresário concorrente, se apresenta como “um garçom libertador”, “visionário e generoso” e “injustiçado sem motivos pelos criptoativos”.
“A verdade nua e crua. Faraó coisa nenhuma. Faça-me o favor! Visionário e generoso, todo o lucro pelo povo, verdadeiro lutador. Injustiçado sem motivos pelos criptoativos”, diz um trecho da música, divulgada em grupos de WhatsApp.
No jingle, Glaidson menciona ainda ter nascido em Cabo Frio e trabalhado como garçom antes da criação da sua empresa, a GAS Consultoria e Tecnologia. Em um mês, o cadastro de credores da firma junto ao lano de recuperação do grupo na 5ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio recebeu 42.030 inscrições, atingindo a cifra de R$ 4,4 bilhões. Ele tem bens apreendidos e bloqueados da ordem de R$ 400 milhões, que reúnem criptomoedas, imóveis, veículos e joias. Caso sejam considerados de origem ilícita, serão perdidos para a União.
À Justiça Eleitoral, Glaidson informou ser “empresário” com ensino superior completo, sendo filiado ao partido Democracia Cristã (DC). Entre os bens declarados, o “Faraó” disse ter em seu nome um apartamento avaliado em R$ 450 mil e “quotas ou quinhões de capital” da ordem de R$ 60 milhões.
Apontado pelo Ministério Público Federal como um dos comparsas de Glaidson no esquema de pirâmide financeira, Vicente Gadelha Rocha Neto também apresentou candidatura ao cargo de deputado federal, pelo mesmo partido. De acordo com o inquérito da Polícia Federal, ele seria um dos responsáveis por “escoar o proveito criminoso oriundo do esquema desenvolvido pela GAS para paraísos fiscais, com o fim de se esquivar de futura aplicação da lei penal”.
Em uma ocasião, em 28 de junho do ano passado, Vicente e a mulher, Andrimar Moryma Rivero Vogel, desembarcaram no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos (SP), vindos de Dubai. Foi constatado que ele tinha contas correntes abertas nos bancos First Abu Fhabi Bank e Emirates NBD Bank, e, ao ser perguntado sobre o motivo da viagem pelos agentes alfandegários, justificou que foi comprar um imóvel naquela cidade dos Emirados Árabes.
Um trecho do relatório final das investigações revela que: “não obstante apresentar certo incômodo por estar sofrendo fiscalização, quando indagado sobre as atividades profissionais que desenvolvia, fez questão de demonstrar conhecimento do mercado de criptoativos, especialmente bitcoins, tentando convencer os presentes que se trata de investimento altamente rentável e seguro”.
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