Bolsonaro diz que empresários que defendem golpe é notícia falsa e ataca jornalista
SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, SP, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro (PL) chamou de fake news a reportagem do portal Metrópoles que afirma que empresários bolsonaristas defenderam, em um grupo de WhatsApp, um golpe de Estado caso o ex-presidente Lula vença as eleições em outubro.
A coluna de Guilherme Amado, do Metrópoles, reproduz mensagens de empresários apoiadores do governo atacando instituições como o STF (Supremo Tribunal Federal) e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
“Que empresários? Qual é o nome deles? Chega de fake news. Qual jornalista [divulgou isso?] Toda semana quase vocês demitem um ministro meu citando fontes palacianas”, disse o presidente a jornalistas em evento em São José dos Campos (SP).
O presidente também atacou o colunista, embora desse a entender que não leu o texto do portal. “Guilherme Amado? Você tá de brincadeira. Esse cara é o fim do mundo. É uma fábrica de fake news. Ele acusou o Luciano Hang de dar golpe, é isso?”, questionava ele sem deixar o repórter explicar. “Mostra isso aí. Para de minhoca na cabeça.”
O portal reproduziu postagens dos empresários feitas em um grupo com o nome de Empresários & Política, criado no ano passado, segundo o colunista.
O grupo inclui contas atribuídas a empresários de diversas partes do país, como Luciano Hang, dono da Havan, Meyer Nigri, fundador e presidente do conselho da Tecnisa, Ivan Wrobel, da construtora W3 Engenharia, Afrânio Barreira, do Grupo Coco Bambu, e José Isaac Peres, dono da gigante de shoppings Multiplan.
Hang confirmou à reportagem que integra o grupo, mas disse que quase nunca se manifesta e em momento algum falou sobre os Poderes.
“Vejo que meu nome vende jornal e gera cliques. Me envolvem em toda polêmica possível, mesmo eu não tendo nada a ver com a história”, disse o dono da Havan à Folha. “Sou pela democracia, liberdade, ordem e progresso.”
O Metrópole publicou nesta quinta, porém, novas mensagens mandadas por Hang para o grupo de empresários.
Questionada sobre as manifestações do fundador no grupo de empresários, a assessoria da Tecnisa informou que a companhia “não fala em nome de Meyer Nigri” e que ele “não é porta-voz da empresa”.
“A Tecnisa é uma empresa apartidária, que defende os valores democráticos e cujos posicionamentos institucionais se restringem à sua atuação empresarial”, informou, por meio de nota.
A preocupação com investidas frequentes de grupos bolsonaristas contra a democracia levou entidades empresariais e da sociedade civil, políticos e cidadãos a endossarem cartas em defesa do Estado de Direito democrático no Brasil.
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