Datafolha: Bolsonaro cresce na população com renda intermediária, e Lula ganha espaço entre os mais ricos
O avanço do presidente Jair Bolsonaro (PL) na corrida pelo Planalto é, em parte, explicado por seu desempenho em dois segmentos-chave: os eleitores evangélicos, grupo no qual cada vez mais Bolsonaro amplia sua vantagem sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e os brasileiros na faixa de renda intermediária, de dois a cinco salários mínimos mensais, de quem conseguiu conquistar mais votos nas últimas semanas. Os dados são da pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira.
Bolsonaro atingiu 49% na preferência do grupo religioso, um crescimento de seis pontos percentuais em relação à última pesquisa, realizada em julho. Lula tem 32% dos votos no estrato, uma oscilação negativa de um ponto. A vantagem do presidente passou, portanto, de 10 para 17 pontos.
O resultado segue o mesmo padrão de outras pesquisas divulgadas nesta semana. Em todos os levantamentos, a diferença entre Bolsonaro e Lula entre os evangélicos se acentuou, reforçando o fato de que a população brasileira tem se dividido cada vez mais em linhas religiosas.
Já no início da campanha eleitoral, tanto Bolsonaro quanto o ex-presidente Lula acenaram aos evangélicos. Bolsonaro tem adotado um discurso de forte apelo moral, criticando o posicionamento do PT sobre temas como aborto, e investe na presença da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, em sua campanha. Já Lula tem criticado o uso da religião por parte de Bolsonaro.
A liderança de Bolsonaro entre evangélicos é compensada, por outro lado, pela vantagem de Lula entre os católicos. Neste grupo, o petista tem 52% a 27% no primeiro turno. Os católicos são a maior fatia do eleitorado do ponto de vista religioso: cerca de 50% dos brasileiros, enquanto os evangélicos respondem por aproximadamente 25% dos brasileiros.
Alterações
No recorte por renda, enquanto manteve o desempenho entre os eleitores mais pobres, com renda de até dois salários mínimos, Bolsonaro cresceu sete pontos na faixa que recebe de dois a cinco salários mínimos. O atual presidente agora tem 41% das intenções de voto no primeiro turno nesse segmento, contra 38% de Lula, com quem está empatado tecnicamente. Bolsonaro reduziu também a sua rejeição nesse grupo de eleitores, de 50% para 45%.
Já Lula, por outro lado, avançou entre os mais ricos. O petista tem 40% entre os eleitores com renda acima de 10 salários mínimos, ante 33% no levantamento anterior. Já as intenções de voto em Bolsonaro oscilaram para 43%, na margem de erro.
Houve avanço também no cenário de segundo turno. Se antes Lula vencia Bolsonaro por 50% a 40% nessa faixa do eleitorado, o novo levantamento mostra os dois em empate técnico. Bolsonaro tem 47% contra 45% de Lula.
Entre as mulheres, segmento no qual também investe com a exposição de Michelle e em que enfrenta dificuldades, Bolsonaro oscilou de 27% para 29%, enquanto Lula passou de 46% para 47%.
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