Lula diz que ‘não entrará em pauta religiosa’, mas sinaliza a evangélicos
O candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, sinalizou aos evangélicos nesta sexta-feira e rebateu a notícia falsa sobre fechamento de igrejas da religião caso seja eleito. As falas foram feitas segundos depois dele dizer que a “questão religiosa não entrará” na sua pauta. Ele afirmou ser contra “estabelecer qualquer princípio de guerra santa na política”.
— Essa questão religiosa não entrará na minha pauta política. Aliás, fui eu que criei o dia nacional da Marcha para Jesus, fui eu que garanti liberdade nesse país. As pessoas sabem disso. Só não sabem aqueles que tem má-fé. E eu não posso diminuir a seriedade do que significa religião para um cristão para pessoas que não vêm seriedade, que querem manipular — disse Lula.
A fala de Lula sobre manipulação refere-se à notícia falsa se espalhou por igrejas evangélicas que diz que os templos da religião seriam fechados caso a esquerda volte a governar o país. O pastor da Assembleia de Deus e deputado Marco Feliciano (PL), que é apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL), admitiu que tem feito essa pregação para “alertar” os evangélicos.
Uma pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira mostra que mais da metade do eleitorado evangélico (52%) diz não votar de jeito nenhum no candidato petista à Presidência, enquanto 35% afirmam o mesmo em relação a Bolsonaro. Em julho, a rejeição do grupo com Lula era de 49%.
— Eu não quero ficar disputando o voto religioso, porque eu não acho que faz parte da minha cultura política estabelecer qualquer princípio de guerra santa — disse o ex-presidente nesta sexta-feira.
Lula também disse não ter visto crescimento de Bolsonaro nas pesquisas eleitorais nacionais. Afirmou que o aumento das intenções de voto no presidente foi “na margem de erro”.
A pesquisa do Datafolha indicou que o petista tem 47% dos eleitores no primeiro turno, e Bolsonaro (PL), 32%. O presidente avançou três pontos percentuais frente ao levantamento anterior, feito na última semana de julho — um ponto além da margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais. Já o petista manteve o mesmo percentual em ambas as apurações.
O petista falou a jornalistas no QG da campanha, uma casa no bairro do Pacaembu, em São Paulo, onde morou o economista Delfim Netto, nome que aconselhou o ex-presidente. Também estiveram presentes o vice de Lula, Geraldo Alckmin (PSB), e o presidente da Fundação Perseu Abramo, Aloizio Mercadante.
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