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Em evento com industriais, Bolsonaro diz não sentir ‘prazer nenhum’ em ser presidente

A cinco semanas da eleição, o candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) afirmou, nesta terça-feira, não sentir “prazer nenhum” em ser presidente da República e disse sentir saudades da liberdade de tomar caldo de cana e pescar sem ser importunado.

Em discurso na abertura do Congresso AçoBrasil 2022, evento que reúne as principais indústrias do setor metalúrgico, o presidente também defendeu maior atenção à extração de nióbio e produção de grafeno. Os produtos são objeto de obsessão de Bolsonaro há anos, e vistos por ele como essenciais para o desenvolvimento do país.

— Não tenho prazer nenhum em estar naquela cadeira lá (de presidente). É um saco. Não dá mais para pescar, contar uma piada, tomar um caldo de cana. Mas eu entendo (a presidência) como uma missão de Deus — declarou.

Em pouco mais de trinta minutos de discurso, tempo que diz ter tomado do ministro da Economia, Paulo Guedes, que deveria discursar e não subiu ao púlpito, Bolsonaro também atacou as gestões do PT (2003-2016) e repetiu ataques a países governados por presidentes de esquerda na América Latina, como Colômbia, Argentina e Venezuela. Omitindo os escândalos de corrupção em seu governo, ele afirmou que sua gestão não teve desvios como, disse ele, acontecia antigamente.

Entre os casos de corrupção não citados pelo presidente está, por exemplo, o escândalo do MEC, em que o então ministro Milton Ribeiro foi demitido por suspeitas de desvios na pasta. Ribeiro chegou a ser preso no mês passado em meio a investigações da Polícia Federal.

Bolsonaro ainda tinha na palma da pão a cola que escreveu para a sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, na noite da segunda-feira. Estavam escritos justamente o nome desses países vizinhos.

Ele voltou a insinuar, sem provas, que a urna eletrônica usada nas eleições são fraudáveis — sem mencioná-las diretamente —, o que nunca foi comprovado.