Rio de Janeiro volta a ter taxa de desemprego de um dígito após seis anos
Acompanhando um movimento nacional, a taxa de desemprego na cidade do Rio de Janeiro vem caindo e voltou ao patamar de um dígito depois de seis anos, com destaque para a recuperação de vagas no setor de serviços.
De acordo com a mais recente edição do Boletim Econômico de 2022, publicação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação (SMDEIS) com base na Pnad Contínua do IBGE, o índice baixou para 9,8% no segundo trimestre de 2022. No mesmo período de 2021, a taxa era de 15,6%.
O índice de desemprego não ficava abaixo de 10% desde o terceiro trimestre de 2016, quando a taxa era de 7,9%.
O secretário do SMDEIS Thiago Dias atribui a retomada à vacinação da população e a medidas adotadas para salvar empregos, como o Auxílio Empresa Carioca; o Crédito Carioca; e a Lei de Liberdade Econômica. O objetivo da Prefeitura do Rio agora é reduzir a taxa de desemprego para 8% até 2024.
— Em um ano e meio, produzimos mais de 140 mil empregos formais, ficando atrás somente de São Paulo como capital que mais gera vagas — aponta Dias. — Os números da capital apresentaram uma melhora expressiva em relação ao resto do país e do estado.
Enquanto a taxa de desemprego no município do Rio recuou 5,8 pontos percentuais em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior, a queda no país foi de 4,9 p.p, chegando ao valor de 9,3%.
No Estado do Rio, em igual período, o desemprego passou de 17,9% para 12,6%, uma variação de 5,3 p.p.
Recuperação de serviços
Dos novos empregos gerados entre janeiro de 2021 e junho de 2022, 79,3% foram no setor de serviços, 7,8% da construção, 7,4% de comércio e 5,5% da indústria.
O secretário do SMDEIS diz que a retomada ocorre principalmente nos segmentos que foram mais afetados durante a pandemia, com a restrição de contato social. Segundo ele, bares, restaurantes e hotéis têm experimentado crescimento expressivo na demanda. O setor de eventos, indispensável para a cidade do Rio, também vem tendo uma retomada forte.
Para o economista da LCA Consultores, Bruno Imaizumi, a cidade do Rio de Janeiro, historicamente turística, se beneficia com o retorno de viagens domésticas. O Estado do Rio, por outro lado, tem um crescimento mais baixo que seus pares por problemas estruturais, como falta de segurança e infraestrutura.
— Tem uma demanda reprimida por parte de pessoas que não consumiram esses serviços por dois anos e, como as passagens aéreas estão caras, acabam viajando por terra, de carro ou ônibus. Isso ajuda a criação de vagas em restaurantes, setor de transporte, alojamento — analisa.
A qualidade das vagas, no entanto, caiu. Bruno coloca que, por a inflação corroendo o poder de compra e um grande número de desempregados, as pessoas passaram a aceitar, após a pandemia, vagas com salários menores para pagar, pelo menos, as contas mais básicas.
O aumento do número de microempreededores individuais também contribui para a guinada. Para muitos trabalhadores que ficaram desempregados nos últimos dois anos, a única alternativa foi criar um negócio próprio para ter alguma fonte de renda — o chamado empreendedorismo por necessidade.
— A maioria dos empregadores está nos estratos de micro e pequenos empreendedores e, pensando nisso, fortalecemos iniciativas como o Crédito Carioca, focado nesse público e que já atendeu 110 empresas, liberando mais de R$ 5 milhões em crédito — acrescenta Thiago Dias.
Além disso, com o avanço da vacinação, a quantidade de trabalhadores informais, sem carteira assinada e sem CNPJ, aumentou, passando para 1,1 milhão no segundo trimestre de 2022 — acréscimo de 217 mil trabalhadores desde o terceiro trimestre de 2020, ponto mais baixo do gráfico. Apesar da ausência de direitos trabalhistas, esse trabalhador informal consegue gerar renda e é considerado como inserido no mercado de trabalho para a medição da taxa de desemprego.
— O Rio de Janeiro tem problemas estruturais que precisam ser resolvidos para atrair investimentos, para que novas empresas sejam abertas e possam criar vagas formais — finaliza o economista.
Jovens programadores
Uma das iniciativas da Prefeitura para tentar alavancar o número de pessoas empregadas no Rio é o Programadores Cariocas, destinado a alunos oriundos da rede pública de ensino que tenham até 29 anos.
Com duração de apenas seis meses, o curso visa capacitar profissionais para o setor de tecnologia, com muitas oportunidades abertas. Cada participante recebe bolsa de R$ 500 mensais e um computador após concluir os estudos.
Dentre os estudantes, 20% são selecionados para não pagar nada pelas aulas. O restante tem que arcar com metade do valor do curso.
— Durante o curso, ninguém paga nada. Os alunos só têm que quitar se conseguirem um emprego na área em até cinco anos. Caso contrário, as aulas saem de graça — explica Dias. — Fizemos isso porque apostamos a alta empregabilidade do setor, com salários acima da média. Só no município, há um déficit de 24 mil profissionais por ano.
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