‘Switch Sports’ espanta sedentarismo com volta a febre dos anos 2000
FOLHAPRESS – Videogame surge do casamento de hardware com software. Nos últimos anos, a relação se tornou poligâmica, com títulos que rodam em qualquer lugar.
“Fortnite”, “Minecraft” e até independentes como “Dead Cells” abrem no console, no computador, no tablet, no smartphone, entre outras bugigangas. Até a Sony anda pulando a cerca oferecendo games populares de PlayStation, como “God of War”, nos PCs.
A exceção à tendência de relacionamento aberto é a centenária Nintendo. Uma consequência monogâmica é proposta dolorosa do “Nintendo Switch Sports”. E é dor mesmo, literal, ainda mais em gamers sedentários.
Com seis modalidades esportivas, o diferencial do jogo está no controle. Em vez de apertar botões, o jogador interage encenando os movimentos do esporte.
Para dar uma raquetada, é demandado o gesto equivalente com o braço. Duas horas de jogatina bastam para ter vontade de trocar o console por um analgésico.
Há exercício físico, mas “Sports” evita se aprofundar. O game da Nintendo possibilitaria treinos mais sérios se tivesse ferramentas como o contador de calorias queimadas de “Just Dance 2022” outro jogo de mexer o corpo inteiro. Ao dançar “Judas”, da Lady Gaga, por exemplo, o jogador se despede de 36 quilocalorias.
“Switch Sports” é um resgate da proposta do “Wii Sports”. Lançado há 16 anos, o título capitaneou uma mudança comportamental ao preconizar interatividade com todo o corpo, atribuindo um significado dançarino à mídia digital. Sony e Microsoft seguiram a tendência. Em algum canto da fotografia cultural da década de 2000 há um gamer ofegante.
Hoje a dona do Mario é a única grande fabricante a preservar o gênero. “Nintendo Switch Sports” carrega no nome a desenvolvedora, seguido do hardware. Sintetiza, assim, o nintendismo, corrente filosófica do game design.
Intuitivo, o jogo foge do realismo. Mais do que força e precisão, o tempo é o principal fator para uma tática ser bem-sucedida. Isso fica explícito no badminton, no tênis e no vôlei. O game brilha nos esportes de rede. Mas eles não mereciam representar metade do conteúdo, pois são bastante parecidos entre si.
Boliche volta sintonizado com o espírito do tempo. Antes uma experiência de turnos, agora a disputa é simultânea, com eliminações dos que estiverem atrás no placar uma dinâmica que lembra a de “Fortnite”, “Tetris 99” e “Apex Legends”, exemplos do gênero battle royale.
A luta de espadas chambara, um kendo com menos regras, é a adição mais surpreendente do pacote, com duelos variados e consistentes em três rounds.
Por fim, está o futebol, o pior do pacote. Em nada lembra os movimentos do esporte real. É preciso usar a alavanca de controle e os chutes são dados com movimento dos braços. Soma-se a isso uma dinâmica lerda parece um “Rocket League” com excesso de analgésicos.
“Sports” é um jogo de festa. A marca japonesa oferece um cardápio variado do tipo. “Mario Kart 8” e “Mario Party Superstars” podem ser jogados durante reuniões de amigos.
Entre os citados, o jogo esportivo é o mais fácil de aprender. Mesmo quem não tem familiaridade com o meio consegue intuir o movimento a fazer. Em contrapartida, é o que oferece menos conteúdo e profundidade.
Quem quiser tirar mais proveito pode mergulhar no modo competitivo online, dotado de ranking. As partidas desbloqueiam roupas para incrementar o visual do avatar. É uma versão descomplicada da cartilha dos e-sports.
Videogame é interativo, o mercado, reiterativo, com repetições de marcas e tecnologias estabelecidas. Por esse aspecto, a demora para uma sequência é estranha. É o nintendismo operando.
A firme perspectiva sobre videogame da Nintendo se espraia em suas produções. Kirby, a bola rosa de estômago forte, personagem criado no começo dos anos 1990, só estreou numa aventura 3D em março passado, com “Kirby and the Forgotten Land”. O colega Mario deu seus primeiros pulos em três dimensões há 26 anos.
No novo Kirby, ambientado em uma ilha abandonada, o controle se acomoda nas mãos como na maioria dos games. Assim como “Sports”, há a união de jogabilidade acessível com inovação. Uma novidade é o “modo boca cheia”, em que o personagem tenta engolir objetos grandes demais, virando uma espécie de capa.
Tanto “Kirby” quanto “Sports” economizam botões, o que facilita experimentar os games com outra pessoa o controle do “Switch” foi pensado para isso. Pode ser dividido, é sociável por natureza.
Outros aparelhos no mercado têm capacidade técnica de sobra para rodar o catálogo do “Switch”, mas carecem da fineza de quem preserva a aliança entre hardware e software.
SWITCH SPORTS
Preço R$ 199
Classificação Livre
Produção Nintendo
Avaliação Bom
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