Avril Lavigne canta com desânimo em show corrido e preso demais ao seu passado
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Foi depois de meia hora de atraso que Avril Lavigne subiu ao palco do Espaço Unimed, em São Paulo, na noite desta quarta-feira, antes de viajar para o Rio de Janeiro para se apresentar no Rock in Rio. A empolgação do público de finalmente ver a artista cantando durou pouco, já que, depois de cerca de uma hora, com uma setlist curta, ela já se despedia dos paulistanos.
A decepção podia ser vista no rosto dos fãs ao fim da apresentação, que saíam devagarinho da casa de shows, na expectativa de que a cantora voltasse ao palco para uma saideira. Reclamavam que ela pulou canções e que o show não fez jus à história dela.
Em fevereiro, Lavigne lançou “Love Sux”, uma ode à sua origem roqueira. Com 12 faixas que se assemelham bastante entre si, o disco transmite a sensação de que ela correu para tentar surfar na onda da volta do pop rock e do emo, movimentos que ela ajudou a criar no início dos anos 2000.
Mesmo tendo criado um álbum à altura de sua alcunha de precursora, Lavigne agora parece estar mais preocupada em fazer um show nostálgico recheado de músicas antigas, seja por não ter emplacado nenhum hit com o disco, seja porque só quer celebrar os 20 anos de carreira.
Ela começou a apresentação com a ótima “Cannonball”, primeira faixa de “Love Sux”, e seguiu animada com “Bite Me”, enquanto bolas laranjas foram jogadas para a plateia. O palco, aliás, é cheio de bexigas pretas, numa alusão à capa do disco, que também combinava com seu look -um moletom laranja por cima de uma roupa preta bem roqueirinha.
O show engrenou com “What the Hell”, primeiro aceno nostálgico à carreira. A música, lançada em 2011, é um dos pop-chicletes de Lavigne, o que fez a plateia, composta majoritariamente de adultos, cantar a plenos pulmões cada verso sobre dilemas adolescentes.
Depois, veio “Complicated”, primeiro single da carreira da canadense, que fez todos berrarem enquanto cenas do clipe da canção, com uma Lavigne 20 anos mais nova, eram exibidas no telão atrás do palco.
O problema é que, para uma estrela do rock, falta energia a Lavigne. Em “My Happy Ending”, outra das antigas, Lavigne cantou com uma expressão que beirava o tédio, como se estivesse no piloto automático.
Em “Smile”, a artista chegou a abrir um sorriso e acenar para a plateia, que voltou a se empolgar com a nostálgica “Girlfriend”, mas mais uma vez ela parecia estar fazendo só mais uma performance qualquer da faixa.
“Eu vi no Twitter vocês pedindo por essa. Nunca a tocamos ao vivo, mas aí vai, São Paulo”, Lavigne disse antes de tocar “Avalanche”, uma das favoritas dos fãs, demorando alguns bons versos para entrar em ritmo com sua banda.
Ao ouvir os primeiros acordes da antiga “Sk8er Boi”, uma trintona na plateia fez questão de pedir ao namorado para que ele filmasse a performance e ela pudesse relembrar a adolescência, que seguiu emocionada com “I’m with You”, do mesmo álbum.
É verdade que não haveria fã que saísse satisfeito sem escutar ao vivo os clássicos, mas Lavigne pecou ao ficar tão presa ao passado. Se por um lado o show relembra por que ela foi tão importante para o pop rock, por outro não é capaz de posicionar a cantora uma voz atual, que ainda tem o que dizer. Faltou frescor e energia a Lavigne, que soa melhor nos fones de ouvido, como uma memória dos tempos de escola.
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