Maria Rita no Rock in Rio veste vermelho do PT em roda de samba política
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Pouco tempo depois de Jorge Aragão ter botado a plateia do palco Sunset para sambar e cantar clássicos como “Vou Festejar”, no show dos Gilsons, Maria Rita mergulhou mais fundo no batuque em sua apresentação no Rock in Rio deste sábado.
Com uma sonoridade carregada nos couros, com quatro percussionistas, numa formação que tinha ainda violão, violão de sete cordas, cavaquinho, banjo e trompete, a cantora instaurou uma roda de samba, um terreiro na Cidade do Rock, com a plateia levando na palma da mão e engrossando o coro.
Era a noite mais propícia a isso, com uma programação que incluía, além da participação de Aragão, sambistas como El Pavuna, Thiaguinho e Ferrugem no palco Favela.
Porém, mais do que simplesmente uma festa, Maria Rita comandou uma festa política –o que é o samba, no fim das contas?– com um vestido vermelho, a cor que predominou nas projeções do telão, reforçando as intenções políticas da cantora. Ela passeou por canções que, de maneira menos ou mais direta, suscitavam uma atmosfera de indignação contra certo Brasil e louvação a outro.
O telão reforçava, destacando palavras como “democracia”, “luto”, “ninguém ouviu” –verso de “Canto das Três Raças”, que estava no repertório– e imagens como um mapa do Brasil inteiramente vermelho.
A plateia acompanhou. Em “Cara Valente”, o público fez um contracanto. Ao “ele não é de nada” dela, eles respondiam “ele não.” Ao fim de sua emocionante interpretação de “O Bêbado e a Equilibrista”, a canção eternizada por sua mãe, Elis Regina, emendada com “O Show Tem que Continuar”, o coro foi de “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula.”
A cantora subiu ao palco ao som de “Sorriso Aberto”, sucesso de Jovelina Pérola Negra, a quem saudou no meio da canção. A reverência se fez presente noutros momentos. A Iemanjá, em “Reza”, na qual rezou para o orixá, a Jorge Aragão, num pot-pourri de sambas como “Tendência” e “Lucidez”, e a Gilberto Gil, com “Ladeira da Preguiça” e “Amor até o Fim”, duas músicas do baiano também do repertório de Elis.
Antes de cantar, Maria Rita disse que percebeu que Gil, a quem chamou de “orixá”, era o grande homenageado do Sunset deste ano.
Em sua quarta vez no palco, ela mostrou que estava em casa, com técnica vocal, alegria e domínio de palco.
Encerrou com “Tá Perdoado”, saudou o espaço dado “à cultura nacional”, foi aplaudida e se despediu com “axé”, logo antes de responder aos pedidos de “mais um” com canções como “Samba de Arerê”, “Vou Festejar” e “É”, de Gonzaguinha, com um batuque de tremer o chão.
No telão, “a gente não tem jeito de babaca”. Festa. Política. Samba, enfim.
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