Fagner diz que gostaria de fazer parceria com Caetano Veloso, com quem já brigou
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Raimundo Fagner faz 73 anos nesta sexta-feira (14), data em que também lança o disco “Meu Parceiro Belchior”. Das 12 faixas do novo projeto, oito são parcerias com Belchior, que morreu há cinco anos. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele afirma que queria outras participações que acabaram não acontecendo, e surpreende ao citar Caetano Veloso, um histórico desafeto.
“Meu sonho era um dia cantar com Caetano Veloso, se ele topasse, para a gente desfazer essa história. Foi um artista que a gente pensou em convidar para o disco. Seria fantástico ele participar, se não fosse ofensivo para ele”, diz.
O conflito com Caetano remonta ao início dos anos 1970, quando a afirmação do Pessoal do Ceará, como ficaram conhecidos Fagner e seus parceiros, na cena musical brasileira passava por confrontar os tropicalistas, já estabelecidos. Belchior, um representante do grupo, chegou a alfinetar Caetano num verso de “Apenas um Rapaz Latino-Americano”, se referindo a ele como “um antigo compositor baiano”.
Alguns encontros entre Caetano e Fagner na época não saíram bem e, desde então, as referências de um ao outro em entrevistas vêm acompanhadas não raro de provocações. Em 2005, por exemplo, Fagner disse à revista Veja que Caetano tinha “um certo problema de ego”. No ano seguinte, ao Fantástico, da TV Globo, o baiano se referiu ao cearense como “uma besta”.
Fagner atribui a certa falta de habilidade as desavenças acumuladas ao longo da vida. Lembra que, assim como Belchior, sempre teve um olhar crítico, mas seu parceiro era “mais preparado”.
“Ele deixava na poesia. Eu ia para outro campo. Ele era bem preparado para esse confronto poético, esse diálogo crítico. Eu virei carne de leão. Abria a boca, vinha uma pancada.”
O novo disco reúne outros convidados. Amelinha, testemunha e partícipe do início da história de Belchior e Fagner, canta em “Bolero em Português”. Frejat faz dueto com Fagner em “Contramão”. A ideia da participação de seu conterrâneo Xand Avião em “Noves Fora”, num misto de forró contemporâneo e samba-rock, surgiu quando eles se conheceram numa live.
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