Próximo primeiro-ministro britânico vai herdar economia em frangalhos
LONDRES — Não importa quem substitua Liz Truss, que renunciou na última quinta-feira (dia 20), o próximo primeiro-ministro do Reino Unido herdará uma economia fragilizada no futuro imediato por juros crescentes, contas de energia que pesam no orçamento, impostos altos e nenhuma estratégia sobre como retomar o crescimento.
A disputa já está em andamento para a sucessão de Truss, que deixa Downing Street depois que sua tentativa de entregar “crescimento, crescimento, crescimento” por meio dos maiores corte de impostos em 50 anos saiu pela culatra. Ela já havia descartado cortes nos impostos para pessoas com alta renda e nos impostos corporativos.
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Seu sucessor deverá mais uma vez ser indicado pelo Partido Conservador em vez de eleito nas urnas. A previsão é de que na próxima sexta-feira seja anunciado o nome do novo líder dos conservadores, que também será o próximo chefe de governo britânico, que herdará os problemas já existentes na economia.
Inflação de dois dígitos
A inflação atingiu dois dígitos pela primeira vez em quatro décadas e deve subir ainda mais no próximo inverno, o que deve obrigar o Banco da Inglaterra a continuar elevando as taxas de juros. Mesmo depois de o estímulo de Truss ter sido revertido por meio do maior aumento de impostos desde 1993, o Tesouro ainda precisa lidar com o crescente déficit fiscal, e investidores claramente favorecem a contenção de gastos.
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Mas, assim como Liz, o novo primeiro-ministro terá dificuldades para elaborar um plano que resgate o Reino Unido da recessão em que já possa estar mergulhado ou de seus limites no longo prazo, não importa o que seja dito na campanha.
— É muito difícil ver que o atual Partido Conservador seja capaz de entregar algo significativo em termos de mudança de política, com muita franqueza — disse Jonathan Portes, professor de economia e políticas públicas do King’s College London. – Em termos de impostos e gastos, tudo o que podem tentar fazer é evitar explodir a credibilidade do governo novamente. Terão que atuar com cautela.
Promessa de reativar a economia
Truss assumiu o cargo há pouco mais de um mês com a promessa de reativar a economia com profundos cortes de impostos que pareciam ignorar a rápida inflação e não tinham um plano imediato para financiá-los. O pânico do mercado que se seguiu obrigou Truss a dar meia-volta e elevar a carga tributária ao nível mais alto desde a Segunda Guerra Mundial.
A maioria dos analistas prevê uma longa desaceleração, exacerbada por uma guinada do Tesouro, antes focado no crescimento, para como irá fechar o rombo nas finanças públicas, ainda de cerca 25 bilhões de libras.
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Famílias enfrentam custos de vida cada vez maiores, o que contribui para a queda da popularidade do governo. Os preços de bens e serviços sobem em ritmo mais acelerado do que os salários, o que encolhe a renda disponível dos trabalhadores.
Investidores ainda preveem que os juros subirão para pouco mais de 5% no próximo ano, embora a reversão do estímulo do governo tenha reduzido esse pico em relação a mais de 6% após o plano de setembro.
A Bloomberg Economics prevê queda de 0,4% do PIB em 2023 e diz que os riscos apontam para o lado negativo. A maioria dos economistas não espera crescimento significativo até o segundo semestre de 2023, pouco mais de um ano antes do prazo para as próximas eleições gerais. Um fio de esperança para o sucessor de Truss é que a austeridade inicial dará espaço para cortes de impostos antes da votação.
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— Os desafios que temos pela frente estão crescendo a cada dia — disse Shevaun Haviland, diretor-geral das Câmaras de Comércio Britânicas: — Dois terços das empresas esperam reajustar os preços e a inflação é a principal preocupação. As taxas de juros devem subir ainda mais em novembro, e as contas de energia aumentarão novamente para muitos em abril. Isso é insustentável.
Mas há algo de positivo. A volta ao conservadorismo fiscal quase eliminou o prêmio de juros pago pelo Reino Unido sobre pares europeus como resultado da perda de credibilidade. A Bloomberg Economics diz que a conta, como resultado dessa lacuna, foi praticamente paga, depois de ter custado 20 bilhões de libras no momento mais caótico da crise.
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