Cai percentual de pretos e pardos no Enem durante a pandemia, diz IBGE
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Ao longo da pandemia de Covid-19, o Brasil teve queda no percentual de pretos ou pardos entre os participantes do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), aponta um estudo divulgado nesta sexta-feira (11) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Na avaliação do órgão, esse movimento significa uma “quebra na tendência de democratização” do público-alvo da prova, que serve como porta de entrada para o ensino superior.
A conclusão do IBGE está baseada no fato de que, antes da crise sanitária, a porcentagem de pessoas pretas e pardas vinha crescendo.
Em 2010, elas representavam 49,4% dos participantes do Enem, percentual que alcançou 58% em 2019, no pré-pandemia, indica o instituto.
Já com a crise sanitária em curso, a porcentagem de pretos e pardos no Enem caiu para 57,3% em 2020 e para 51,8% em 2021, o dado mais recente disponível.
A parcela de participantes brancos, por sua vez, estava em 44,2% em 2010. Essa porcentagem havia diminuído para 37,1% em 2019. Na crise sanitária, subiu para 38% em 2020 e para 43,7% em 2021.
Os dados integram a segunda edição do estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil. São considerados participantes do Enem aqueles estudantes que comparecem às provas.
Segundo o informativo do IBGE, os anos de pandemia de 2020 e 2021 não levaram somente a uma redução no total de inscritos no exame, assim como foram responsáveis pela “quebra na tendência de democratização no perfil dos participantes de cor ou raça”.
A publicação chama atenção para as vulnerabilidades enfrentadas pela população preta e parda em áreas como educação, moradia, mercado de trabalho e violência. São avaliadas informações de diferentes fontes de dados.
No caso do Enem, a base utilizada pelo instituto é a Sinopse Estatística do Enem, do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
O exame em 2022 está agendado para os dias 13 e 20 de novembro, os próximos dois domingos deste mês.
Mais dificuldades no acesso a aulas na pandemia O estudo do IBGE também aponta que, em novembro de 2020, os percentuais de estudantes pardos (13,5%) e pretos (15,2%) de 6 a 17 anos que estavam sem aulas presenciais e sem oferta de atividades escolares -incluindo aulas online- superaram com folga a porcentagem de brancos na mesma situação (6,8%).
Esses resultados foram extraídos da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Covid-19, uma pesquisa realizada pelo IBGE na fase inicial da crise sanitária. Segundo o instituto, o quadro sinaliza condições desiguais na oferta de atividades escolares e no acesso a elas.
Com base em dados do Inep de 2020, o estudo desta sexta ainda traz um recorte sobre o perfil de alunos do ensino superior.
Em uma lista das dez áreas de graduação com os maiores números de matrículas no país, pedagogia e enfermagem apresentavam as proporções mais elevadas de pretos e pardos: 47,8% e 43,7%, respectivamente.
Medicina, por outro lado, tinha somente 25% de matriculados pretos ou pardos. O IBGE destaca que essa área costuma ser mais concorrida e tende a oferecer rendimentos mais altos.
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