Estrela da Black Friday, Alexa fez Amazon perder US$ 10 bi e pode acabar
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A multidão de 10 mil funcionários a serem demitidos pela Amazon pode incluir uma celebridade virtual: a pobre Alexa.
Documentos obtidos pela Business Insider revelam que a divisão responsável pela assistente eletrônica deve fazer a companhia perder US$ 10 bilhões só este ano. Embora esse setor tenha outros produtos, informantes confirmaram ao veículo que o principal ralo é o aparelho de smart home.
Só no primeiro trimestre de 2022, a Worldwide Digital perdeu US$ 3 bilhões -o dobro de qualquer outra divisão dentro da Amazon. A punição vem agora: a WD é a mais impactada pela demissão em massa que a empresa iniciou na semana passada. Dados do início do ano indicam que a WD abriga mais de 10 mil funcionários.
O futuro da própria Alexa está em jogo: segundo a reportagem da Business Insider, o clima na empresa mudou e passou a entender que a assistente virtual talvez não tenha salvação.
Nos oito anos desde que foi criada, ela jamais deu lucro -um “pecado” outrora aceitável no enorme modelo de negócios da Amazon, mas que agora, em plena crise econômica dos EUA e do mundo, já não é tão passável.
Fontes ouvidas pelo BI chegaram a classificar a Alexa como uma “colossal falha da imaginação” e “uma oportunidade desperdiçada”. A Worldwide Digital agora é uma “divisão em crise”, segundo outro entrevistado, mantido anônimo.
PROBLEMA ANTIGO
A Alexa era considerada um projeto de importância pessoal para o então CEO Jeff Bezos. Seu lançamento gerou elogios na indústria de tecnologia – e vários concorrentes tentaram suas próprias versões, como os aparelhos Nest com Google Assistant.
Desde 2016, os produtos Alexa viram seu monopólio (que chegava a 75% do mercado) diminuir drasticamente. Ainda assim, segundo dados da Statista, ela ainda era a principal marca no final de 2021, responsável por 26,4% das vendas do setor (o Google tinha 20,5% e a Apple, 10,2%).
Parte desse sucesso é resultado do estilo agressivo da Amazon no varejo. Durante muito tempo, o plano original era vender os produtos Alexa praticamente a preço de custo. A ideia era “invadir” o lar dos usuários, para futuramente monopolizar o ecossistema de outros produtos necessários à automação da casa – um mercado de enorme potencial nos próximos anos.
Também havia a expectativa que, com o tempo, a equipe de engenharia e inteligência artificial da Amazon conseguiria elaborar outras maneiras de monetizar a Alexa. Depois que o usuário estivesse acostumado com a assistente, estaria mais aberto à ideia de pagar por certos serviços.
Nada disso realmente se concretizou.
CRISE DE SEGURANÇA E NOVO CEO
Em 2019, o alarme soou e a Amazon chegou a realizar um encontro emergencial, interdepartamental, para fazer a Alexa dar dinheiro. Uma das medidas era melhorar a segurança do produto, envolto em denúncias de invasão de privacidade na casa dos consumidores.
“Nós conseguimos ambas as coisas: aumentar o engajamento e nos certificar de que os consumidores confiem em suas interações com ela. Teremos um futuro muito, muito brilhante conforme avançamos”, afirmou o vice-presidente de aparelhos e serviços da Amazon, David Limp.
Assim como tantos consumidores que compraram o produto e depois nunca mais usaram com frequência, em 2020 Bezos começou a perder interesse. A situação mudou ainda mais drasticamente com a chegada do novo CEO, Andy Jassy, que não necessariamente tem tanto apreço pela Alexa quanto seu antecessor.
Em resposta à Business Insider, porém, o vice-presidente de aparelhos e serviços da Amazon, David Limp, reforçou que “estamos tão comprometidos com Alexa e Echo [nome oficial dos produtos que carregam a Alexa] quanto sempre estivemos. Vamos continuar a investir pesado neles.”
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