Gol do Japão foi legal? Ex-árbitros avaliam lance polêmico na Copa do Mundo
SÃO PAULO, SP (UOL – FOLHAPRESS) – A vitória do Japão por 2 a 1 sobre a Espanha, na quinta-feira (1º), em jogo válido pela última rodada do Grupo E da Copa do Mundo, ficou marcada por um lance polêmico envolvendo a arbitragem do português Victor Gomes.
A jogada em questão aconteceu no 2° tempo e decretou a virada no placar dos asiáticos, que conseguiram avançar às oitavas do torneio como líderes da chave.
A polêmica começou quando Doan cruzou rasteiro e Mitoma se esticou, já na linha de fundo, para devolver a bola para o meio Tanaka completou para as redes e o gol foi validado pela arbitragem.
O problema é que, na hora em que Mitoma deu a assistência, algumas imagens registraram a bola fora do campo de jogo. A câmera aérea, no entanto, mostrou que parte da esfera poderia estar, por questão de milímetros, na direção da linha.
A reportagem falou com alguns ex-árbitros sobre o assunto para entender se Victor Gomes agiu corretamente ao validar o lance.
“Tem uma imagem conclusiva a olho nu. Nela, a bola aparece com uma parte mínima sobre a linha, logo, ela está em jogo e o gol foi legal. Não podemos analisar o contato com o solo, mas sim a projeção de seu diâmetro. É isso que vale. Se tem um mínimo na linha, ela continua em jogo, somente estará fora de jogo se sair totalmente”, falou Emidio Marques, famoso juiz do futebol brasileiro entre os anos 70 e 80. Ele ainda deu uma nota para a arbitragem da atual Copa do Mundo: “analisando o conjunto do que eu vi até agora, fico com 6, mais que regular.”
A opinião em relação ao lance é a mesma de Carlos Eugênio Simon, que apitou três Copas do Mundo e hoje é comentarista dos canais Disney. “Vi por vários ângulos e, em um deles, a bola não saiu totalmente. Mesmo estando 0,001% [dentro], pela regra, está em jogo, sendo assim, gol legal.”
“A impressão que dá é que a bola saiu, mas aí o VAR vai olhar o gol e pode interferir. Como a regra fala que parte da bola tem que estar sobre a linha e ela é uma esfera, não precisa tocar na linha. O que interpretou a arbitragem é que ela estava um pouco, nem que seja 1 centímetro, sobre a linha. Ela não precisa tocar [na grama]”, falou Alfredo Loebeling, também ex-árbitro brasileiro.
Guilherme Ceretta argumentou que, pelo fato de as imagens não serem “conclusivas”, o fato de a decisão de campo prevalecer foi um acerto dos envolvidos.
“Até que se prove o contrário, a bola não saiu. Nestas decisões, quando sai o gol direto, o VAR pode interferir. Se for comprovado que a bola não saiu, passou no teste. Apesar de a parte eletrônica estar só dentro da trave, não tem nenhuma imagem conclusiva que prova que ela saiu. O VAR, para este tipo de momento, acertou. Que continue assim”, iniciou.
“Já existiram situações de interpretação e os árbitros falharam demais. Nesta questão de dentro ou fora, acho que vai ser 50% a 50%, mas todo mundo sabe que, quando a imagem não está conclusiva, tem que seguir a decisão de campo. Acho bem legal a maneira com que isso foi conduzido, foi muito bom”, finalizou Ceretta.
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