BNDES: saiba como atua o banco de desenvolvimento do governo brasileiro
Depois de abandonar a política dos campeões nacionais, uma estratégia criada durante os dois primeiros governos de Luiz Inácio Lula da Silva, o BNDES vem nos últimos anos mirando o setor de infraestrutura e criando ações de apoio a pequenas e médias empresas.
Passou também a investir no desenvolvimento de novos produtos financeiros com juros de mercado e apostou em parcerias com outros bancos de desenvolvimento e instituições financeiras regionais como forma de dividir o risco dos empréstimos.
Recentemente, o atual presidente do banco, Gustavo Montezano afirmou que o BNDES deixou de ser um monopolista distribuidor de subsídio e passou a assumir risco com a criação de novas linhas e fundos de investimento.
Em 2020, os desembolsos foram de R$ 64,9 bilhões, maiores que os do ano anterior, que somaram R$ 55,3 bilhões. Mas nem se comparam ao ápice de 2013, no governo de Dilma Rousseff, quando chegaram a R$ 190,4 bilhões.
Montezano defende que o banco não deve ter seus resultados medidos por métricas financeiras, como desembolso ou lucro. A proposta é tentar mensurar seu impacto na sociedade. Ainda assim, a previsão é que esse ano ele empreste R$ 90 bilhões.
O BNDES passou ainda nos últimos anos a ter papel central nos processos de privatização de diversos setores de infraestrutura. Na lista há destaque para aeroportos, saneamento, mobilidade urbana, iluminação pública e meio ambiente, entre outros.
Dessa forma, todos os setores, juntos somaram 35 leilões mobilizando mais de R$ 250 bilhões em capital e R$ 215 bilhões em projetos em estruturação desde 2019. Participou ainda dos estudos de privatização da Eletrobras, por exemplo.
Foi criado um hub de projetos onde passou a se estimular diversificação de operações financeiras através da criação de parcerias público-privadas e soluções como financiamento bancário e emissão de debêntures (títulos de dívida), o uso de fianças e a criação de grupo de financiadores.
A estratégia do banco envolveu a redução de sua participação no mercado de ações com a venda de fatias em gigantes nacionais. Desde 2019, o BNDES se desfez de R$ 88,5 bilhões em papéis de empresas como Vale (R$ 28,6 bilhões) e Petrobras (R$ 27,3 bilhões).
Mas ainda segue como acionista relevante na Petrobras, cujo investimento responde por 43% da carteira do Banco. Destaque ainda para os papéis que tem na JBS, Eletrobras, Copel, Energisa, Cemig, Tupy, Embraer, entre outras. A carteira hoje soma R$ 60,2 bilhões.
O BNDES também fechou acordo com o governo para quitar um passivo de R$ 69 bilhões, após queda de braço com o ministro da Economia, Paulo Guedes.
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