Escolhida para ministério, Luciana Santos foi condenada em ação de improbidade
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Luciana Santos (PC do B), escolhida para chefiar o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi condenada no fim de 2019 em uma ação de improbidade administrativa e aguarda o resultado da apelação.
O processo diz respeito à contratação de uma empresa para serviços de iluminação pública quando Santos era prefeita de Olinda (PE) e, na sentença, o juiz Rafael Carlos de Morais estipula multa, suspensão dos direitos políticos por seis anos e proibição de contratar com o Poder Público por cinco anos.
Para a defesa, a condenação foi errada. “Felizmente, em um Estado de Direito existem remédios para a correção de injustiças, que são os recursos previstos na legislação”, dizem os advogados em nota.
A ação foi movida pelo Ministério Público contra Santos, a ex-secretária de Obras, servidores públicos municipais e a empresa que prestou o serviço. De acordo com o MP, foram cometidas diversas irregularidades no processo licitatório para que a companhia vencesse a disputa e executasse os serviços de iluminação, orçados em R$ 7.351.290.
Entre os desvios detectados, o juiz destaca: exigências excessivas no edital para a qualificação técnica da empresa prestadora; a semelhança do edital e do contrato com os documentos utilizados em Lauro de Freitas (BA), onde a companhia prestou serviço idêntico; o não cumprimento de exigências do edital; ausência de orçamento detalhado; e irregularidades na escolha do prazo de execução de 60 meses.
“Registro, ainda, o fato de que aproximadamente 49 empresas adquiriram o edital, mas tão somente 08 apresentaram propostas, e, desse universo, apenas a empresa requerida foi habilitada. Logo, fortes são os indícios de direcionamento, pois é discutível que, na época dos fatos, existisse tão somente uma empresa no Brasil que se adequasse aos padrões editalícios para fazer o gerenciamento de parque energético de um pequeno município brasileiro”, escreve o magistrado, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Olinda.
Na sentença, ele aponta também que a empresa não poderia participar da concorrência pública porque ela própria, em momentos anteriores, levantou e forneceu todos os elementos técnicos para a elaboração do projeto básico, tendo assim informações privilegiadas.
De acordo com o juiz, se fossem considerados isoladamente, esses aspectos poderiam afastar a responsabilidade da empresa favorecida e dos agentes públicos, mas, em conjunto, compõem “um vasto material probatório no sentido de que todo o procedimento licitatório foi direcionado”.
À época, a defesa de Santos alegou que ela havia sido arrolada apenas porque exercia o cargo de prefeita no momento da licitação, não havendo qualquer indicação de delito ou irregularidade por parte dela. O juiz, porém, avaliou que, como chefe do Poder Executivo, ela tinha o dever de gerenciar as atividades públicas.
“Dessa forma, dada a importância e relevância do cargo político ocupado, e, principalmente, do poder de gestão e decisão exercido pela titular da chefia municipal, em especial em assuntos de altíssima relevância, não há como afastar a sua responsabilidade por escolhas ilegais e danosas ao interesse público”, alega.
O juiz acrescenta, por outro lado, não haver qualquer demonstração de que Santos ou os outros réus tenham recebido ou desviado dinheiro público e que a empresa efetivamente prestou o serviço de relevância pública, não existindo prova de enriquecimento ilícito ou de incompatibilidade dos valores pagos.
“A Concorrência Pública foi fraudada, mas, de outra banda, o serviço foi executado pela empresa beneficiária, embora não se saiba, concretamente, qual a extensão exata do prejuízo causado pela inobservância do procedimento licitatório, com repercussão direta no valor que seria empenhado pela Municipalidade”, conclui o magistrado na sentença, disponível nas páginas 898 a 910 do Diário da Justiça Eletrônico de 9 de dezembro de 2019.
OUTRO LADO
Na época da sentença, a defesa de Santos, composta de Alysson Vasconcelos, Euvânia Muñoz, Anne Cabral e Alexandre Carvalho, emitiu uma nota afirmando que o contrato gerou apenas benefícios para Olinda e que o Tribunal de Contas do Estado, ao julgar a mesma questão, não verificou direcionamento da licitação.
Em entrevista à Folha de S.Paulo neste sábado (24), Cabral afirmou que, após a sentença, foram apresentados embargos de declaração e foi interposta uma apelação. Ela reforçou que Santos não participou diretamente do processo licitatório e que a própria sentença não identifica nenhum dano ao erário.
A advogada também enfatizou que a modernização da iluminação da cidade gerou uma economia mensal de R$ 95 mil e que, enquanto o caso não for julgado em última instância, prevalece a presunção de inocência e Santos continua elegível, bem como apta para contratar com o Poder Público.
Além de figurar no processo nº 0000685-21.2008.8.17.0990, Santos aparece em outras duas ações, ambas ainda não julgadas. Uma delas trata do uso de aeronave oficial para viagem à cidade de Brejo da Madre de Deus em novembro de 2021, quando a vice-governadora estava como governadora em exercício. Para a defesa, trata-se de uma acusação apresentada com objetivos políticos, com objetivo de desgastar a imagem de Santos.
No outro caso, a futura ministra é listada entre os réus de uma ação sobre a dispensa de licitação para a locação de veículos para a Secretaria Municipal de Saúde.
“Não havia veículos e não havia licitação em curso destinada à sua contratação, razão por que não restou à Secretaria de Saúde do Município de Olinda à época outra alternativa senão contratar por dispensa fundada em emergência enquanto preparava o processo licitatório visando a contratação definitiva”, afirma a defesa em nota.
Veja Tambem em Últimas Notícias
Britânico Elfin Evans domina as primeiras especiais do Rally Japan 2026 e garante liderança para a Toyota
Anthropic atinge valor de 965 bilhões de dólares e ultrapassa OpenAI em nova rodada de investimentos
Seleção da Noruega retorna ao Mundial liderada por Erling Haaland e encara chave complexa no torneio
Chefe da Lamborghini usa críticas ao Ferrari Luce para justificar aposta em carros híbridos
Plataforma Amazon Prime Video confirma estreias de junho de 2026 com National Treasure e Lupin III
Plataforma Donkey Kong 64 integra pacote do Nintendo Switch Online a partir de 4 de junho
Escuridão diurna atinge seis minutos no eclipse solar de 2027 devido a alinhamento raro no século
Especificações do novo tablet compacto da OnePlus vazam com tela OLED e processador Snapdragon
Amazon Brasil libera reserva antecipada do jogo Star Fox para Nintendo Switch 2 por R$ 353,30
Meta lança pacotes de assinatura Plus para Instagram, Facebook e WhatsApp no mercado global
Onde vai passar o sorteio das oitavas da Libertadores nesta sexta-feira