Pfizer e Coronavac previnem hospitalização por ômicron mesmo 6 meses após 2ª dose, diz estudo
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Uma pesquisa feita em Hong Kong com mais de 164 mil participantes apontou que tanto a vacina da Pfizer como a Coronavac mantêm alta proteção contra hospitalização causada pela ômicron seis meses após a aplicação.
A proteção para evitar mortes no mesmo período também se manteve elevada, embora tenha apresentado uma queda na faixa etária acima de 50 anos. Já a proteção contra internação e para evitar mortes na população acima dos 80 anos sofreu uma redução maior nos dois tipos de vacinas.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina e do Centro para Pesquisas em Política de Saúde e Sistemas de Saúde, ambos da Universidade Chinesa de Hong Kong, e do Departamento de Epidemiologia da Escola Chan T. H. Harvard de Saúde Pública (Boston). Os resultados saíram no periódico científico Jama Network Open.
Para avaliar a chamada efetividade (eficácia em vida real) das vacinas, os cientistas analisaram dados de 32.832 casos de hospitalização ou morte causado pela ômicron de 1º de janeiro a 5 de junho de 2022 e compararam com 131.328 que não tiveram a doença (funcionando assim como controle).
Nos primeiros seis meses após a vacinação, a efetividade do esquema de vacinação primário com duas doses de Coronavac ou de Pfizer manteve níveis parecidos de proteção contra hospitalização (86,4% para Coronavac e 92,9% da Pfizer) e óbito (74% e 77,4%, respectivamente) depois da segunda dose.
Já após os seis meses, período em que há uma queda natural dos anticorpos produzidos pela vacina nos dois casos, a perda da imunidade foi maior nos indivíduos mais velhos, com mais de 80 anos (61,4% para a proteção contra hospitalização pela Coronavac e 52,7%, pela Pfizer).
Por fim, o estudo também avaliou a aplicação de uma dose de reforço e constatou efetividades semelhantes usando só Coronavac ou só Pfizer, mas o reforço heterólogo (isto é, quando há a mistura de imunizantes) foi melhor para proteger contra hospitalização e morte (85,1% e 87,3%, respectivamente).
A conclusão dos pesquisadores é que uma dose de reforço oferece alta proteção contra o desenvolvimento de Covid grave causada pela ômicron ao longo do tempo, como já observado em outros estudos.
A recomendação, assim, é que embora a proteção contra hospitalização e morte se mantenha elevada nos indivíduos com menos de 50 anos, aqueles mais velhos podem se beneficiar de uma terceira dose para se prevenir da ômicron e suas sublinhagens.
Outro dado interessante foi que o risco de hospitalização ou morte nos indivíduos não vacinados foi o dobro em comparação àqueles vacinados, o que reforça a importância da vacinação contra Covid.
A pesquisa tem algumas limitações, como o fato de que no momento de chegada da ômicron a Hong Kong as medidas protetoras contra o coronavírus não estavam mais em vigor, dificultando o rastreamento de casos e o diagnóstico de pessoas assintomáticas ou com sintomas leves. Outro problema foi a superlotação de unidades de atendimento de saúde, o que pode ter provocado uma distorção nos dados de hospitalizados por Covid.
Os autores reforçam, porém, que poucos estudos foram feitos com a Coronavac no contexto da ômicron e, em geral, as pesquisas de reforço consideraram um cenário de acompanhamento dos pacientes com menor intervalo entre as doses.
No início da circulação da ômicron, diversas pesquisas apontaram uma redução na capacidade de neutralização das vacinas contra esta cepa. Esses estudos foram feitos em laboratório utilizando o soro de indivíduos vacinados, mas dados sobre a eficácia em vida real não estavam disponíveis.
“Em comparação com o nível de anticorpos após duas doses da Pfizer [que decaiu 4,7 vezes em 5 a 6 meses], os indivíduos vacinados com Coronavac tiveram sim uma redução maior na taxa de anticorpos neutralizantes [de 6 a 10 vezes menor em seis meses], indicando, potencialmente, uma menor eficácia. No entanto, os indivíduos vacinados mantiveram imunidade celular capaz de proteger contra a progressão da Covid grave mesmo após o decaimento natural dos anticorpos”, escreveram os autores no artigo.
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