São Paulo

São Paulo inicia campanha de vacinação escolar contra a dengue

Vacina Gripe

Em uma iniciativa pioneira, a Prefeitura de São Paulo anunciou que realizará campanhas de vacinação contra a dengue diretamente nas escolas da capital, focando no público de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. Este movimento vem em resposta ao aumento de casos da doença na região e tem como objetivo principal a prevenção e o controle da disseminação do vírus entre os jovens paulistanos.

Ainda sem uma data específica para o início da campanha, o governo federal assegurou que o estado de São Paulo está prestes a receber aproximadamente 421 mil doses de vacina contra a dengue, marcando um avanço significativo na luta contra essa doença endêmica. O Ministério da Saúde destacou que além da capital, outras 165 cidades brasileiras serão incorporadas a este esquema vacinal, numa estratégia ampla de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue.

Este esforço coletivo entre as esferas municipal, estadual e federal reflete a importância da prevenção como ferramenta primordial no controle da dengue, doença que tem afetado milhares de brasileiros anualmente, com episódios recorrentes de surtos em várias regiões do país. A inclusão do ambiente escolar como ponto de vacinação visa não apenas facilitar o acesso à vacina para o público-alvo, mas também educar os jovens sobre a importância da prevenção de doenças transmissíveis e da saúde pública.

As autoridades de saúde reforçam a importância da vacinação como medida preventiva, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas, onde o risco de proliferação do mosquito e, consequentemente, da doença é mais elevado. Com iniciativas como esta, São Paulo espera reduzir significativamente os casos de dengue e promover uma maior conscientização sobre a doença e sua prevenção entre crianças e adolescentes.

A dengue faz parte de um grupo de doenças denominadas arboviroses, que se caracterizam por serem causadas por vírus transmitidos por vetores artrópodes. No Brasil, o vetor da dengue é a fêmea do mosquito Aedes aegypti (significa “odioso do Egito). Os vírus dengue (DENV) estão classificados cientificamente na família Flaviviridae e no gênero Flavivirus. Até o momento são conhecidos quatro sorotipos – DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4 –, que apresentam distintos materiais genéticos (genótipos) e linhagens.

As evidências apontam que o mosquito tenha vindo nos navios que partiam da África com escravos. No Brasil, a primeira epidemia documentada clínica e laboratorialmente ocorreu em 1981-1982, em Boa Vista (RR), causada pelos sorotipos 1 e 4. Após quatro anos, em 1986, ocorreram epidemias atingindo o estado do Rio de Janeiro e algumas capitais da região Nordeste. Desde então, a dengue vem ocorrendo de forma continuada (endêmica), intercalando-se com a ocorrência de epidemias, geralmente associadas à introdução de novos sorotipos em áreas indenes (sem transmissão) e/ou alteração do sorotipo predominante, acompanhando a expansão do mosquito vetor.

Aspectos como a urbanização, o crescimento desordenado da população, o saneamento básico deficitário e os fatores climáticos mantêm as condições favoráveis para a presença do vetor, com reflexos na dinâmica de transmissão desses arbovírus. A dengue possui padrão sazonal, com aumento do número de casos e o risco para epidemias, principalmente entre os meses de outubro de um ano a maio do ano seguinte.

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