O dia em que o Palmeiras quase contratou Ronaldinho Gaúcho
Na manhã de 26 de agosto de 2014, o Palmeiras acreditava estar prestes a anunciar uma contratação histórica como presente de centenário: Ronaldinho Gaúcho. O clube, que completava 100 anos naquele dia, já havia dado os primeiros passos para oficializar o acordo com o craque, que estava livre no mercado após deixar o Atlético-MG. No entanto, o que parecia ser uma realidade iminente se desfez horas antes do grande anúncio, frustrando os planos do Verdão.
A negociação de última hora
O Palmeiras, então presidido por Paulo Nobre, estava em uma situação financeira complicada e buscava formas de fortalecer o time sem comprometer ainda mais o orçamento. Ronaldinho Gaúcho, pentacampeão mundial e ícone do futebol, havia se tornado um agente livre depois de rescindir com o Atlético-MG, e o Palmeiras viu nele a oportunidade perfeita para marcar seu centenário com uma contratação de peso.
As conversas foram conduzidas diretamente por Paulo Nobre e Maurício Galiotte, então vice-presidente e futuro sucessor de Nobre. A negociação com Assis, irmão e empresário de Ronaldinho, avançou rapidamente, e o clube acreditava ter atendido todas as demandas do jogador.
O depósito que não concretizou o sonho
Na manhã do dia 26 de agosto, o Palmeiras depositou R$ 600 na conta da Federação Mineira de Futebol para adiantar a transferência da documentação de Ronaldinho, um passo necessário para que o jogador fosse registrado na Federação Paulista de Futebol e pudesse atuar pelo clube. Esse movimento indicava que o acerto estava praticamente fechado, e dentro do clube, a expectativa era grande para que o anúncio fosse feito durante a festa de centenário, marcada para aquela noite.
O acordo previa um contrato até o final de 2014, com possibilidade de renovação por mais uma temporada. Ronaldinho receberia um salário fixo, além de bônus por metas atingidas, como desempenho esportivo e participação na bilheteria dos jogos. O Palmeiras acreditava que havia feito todas as concessões necessárias para fechar o negócio.
O desfecho inesperado
No entanto, por volta das 18h, apenas uma hora antes do início da festa de aniversário, o Palmeiras comunicou em suas redes sociais que as negociações com Ronaldinho Gaúcho haviam sido encerradas. Segundo o clube, o motivo foi a falta de acordo financeiro entre as partes.
Maurício Galiotte, em entrevista durante o evento do centenário, explicou que Assis, empresário de Ronaldinho, havia “estressado” com a negociação, levando ao rompimento do acordo: “De manhã, o negócio estava praticamente fechado. Quando à tarde recebemos uma informação de que o Assis tinha estressado com o negócio e ele foi cancelado”, disse Galiotte.
O Palmeiras ainda tentou uma última rodada de negociações, mas sem sucesso. O clube, então, decidiu encerrar as conversas e anunciou oficialmente o fim da negociação, frustrando as expectativas de torcedores e dirigentes que já sonhavam com o craque vestindo a camisa alviverde.
As frustrações anteriores com Ronaldinho
A tentativa frustrada de contratar Ronaldinho em 2014 não foi a primeira do Palmeiras. Em 2011, durante a gestão de Luiz Gonzaga Belluzzo, o clube esteve muito próximo de trazer o jogador, que na época estava no Milan, da Itália. No entanto, a postura de Assis nas negociações levou o Palmeiras a desistir do negócio, e Ronaldinho acabou acertando com o Flamengo.
Outra tentativa ocorreu no final de 2013, já sob o comando de Paulo Nobre, mas novamente as negociações não foram concluídas. Essas tentativas frustradas criaram uma sensação de frustração entre os torcedores e dirigentes do clube, que viam em Ronaldinho uma oportunidade de elevar o patamar da equipe.
O destino de Ronaldinho
Menos de um mês após o fim das negociações com o Palmeiras, Ronaldinho Gaúcho assinou contrato com o Querétaro, do México, onde jogou até 2015. A contratação de Ronaldinho pelo clube mexicano gerou grande repercussão, mas o Palmeiras ficou com a sensação de que o craque poderia ter sido a grande estrela de sua celebração de centenário.
José Carlos Brunoro, diretor-executivo do Palmeiras em 2014, refletiu sobre a situação: “O Paulo Nobre e o Galiotte conversaram com o Assis, foi tudo muito rápido. E o Assis resolveu não prosseguir. A gente estava em uma situação financeira complicada na época, ele seria uma extravagância, digamos assim.”
Reflexões sobre o quase acerto
A tentativa de contratar Ronaldinho Gaúcho foi um momento emblemático na história recente do Palmeiras. Ela refletiu o esforço do clube em busca de um ídolo que pudesse representar o espírito de superação e grandeza almejado em seu centenário. No entanto, também expôs as dificuldades financeiras e os desafios enfrentados na gestão de grandes negociações.
Enquanto o Palmeiras seguiu em sua jornada para se reerguer financeiramente e esportivamente, a história com Ronaldinho Gaúcho ficou marcada como um “quase” que jamais se concretizou, mas que ainda ressoa na memória dos torcedores alviverdes
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