Em seu retorno ao estádio do Morumbi, Thiago Carpini deixou o campo com um gosto amargo semelhante ao de quatro meses atrás, quando foi demitido do São Paulo. Neste domingo, o Vitória foi dominado pelo Tricolor Paulista na primeira etapa, sofreu dois gols e, apesar de uma tentativa de reação no segundo tempo, não conseguiu evitar a derrota por 2 a 1, em jogo válido pela 24ª rodada da Série A.
Vitória sofre com primeiro tempo abaixo do esperado
O Rubro-Negro viu William Gomes e Erick marcarem dois belos gols que garantiram a vitória do São Paulo. Em entrevista coletiva após o confronto, Carpini reconheceu que o desempenho fraco do Vitória no primeiro tempo foi decisivo para o resultado final.
- “Pagamos pelo primeiro tempo, não foi bom, não competimos da maneira que vínhamos fazendo, tanto no returno quanto em outros jogos. No segundo tempo, as substituições surtiram efeito, a equipe melhorou um pouco, controlou mais o jogo, diminuiu o ímpeto do São Paulo, mas tivemos pouco volume ofensivo. Criamos três ou quatro chances de gol. O São Paulo não criou muito, mas foi efetivo. Não podemos errar da maneira que erramos. Sabemos que este jogo não era o nosso campeonato, queríamos beliscar um ponto, mas o foco é outro. Nosso campeonato é domingo, em casa, contra o Vasco”, explicou o treinador.
Vitória volta à zona de rebaixamento
A derrota interrompeu a tentativa de recuperação do Vitória no segundo turno. Após começar a segunda metade do campeonato com duas vitórias seguidas, o time agora está há três jogos sem vencer. Como consequência, o Rubro-Negro voltou à temida zona de rebaixamento, aumentando a pressão sobre a equipe.
Apesar do revés, Carpini adota um tom otimista e evita pensar em “terra arrasada”. Ele acredita que o campeonato ainda está aberto e que é possível alcançar a pontuação necessária para garantir a permanência na Série A.
- “É difícil fazer previsões, claro que internamente discutimos sobre isso, mas queremos fazer o nosso melhor, o nosso trabalho. Estamos preocupados com a pontuação que precisamos atingir. O campeonato está em aberto, temos que seguir ajustando, melhorando e trabalhando. O Vitória e a torcida merecem ficar na Série A”, disse Carpini.
Reencontro com o Morumbi e desafios pela frente
Thiago Carpini também falou sobre seu reencontro com o Morumbi, estádio onde viveu momentos de altos e baixos durante sua passagem pelo São Paulo. Ele conquistou a Supercopa do Brasil contra o Palmeiras e quebrou um tabu na Neo Química Arena, mas acabou sendo demitido após um início ruim de Brasileirão.
- “Foi bom reencontrar amigos e relembrar momentos, tanto bons quanto desafiadores. Claro que queríamos um final de partida diferente, mas nosso foco é outro. Temos um campeonato pela frente, e confio muito no nosso grupo”, afirmou Carpini.
Preparação para o confronto direto contra o Vasco
O lado positivo da derrota é que Carpini terá uma semana cheia de trabalho antes de enfrentar o Vasco no próximo domingo, em um confronto direto crucial para as pretensões do Vitória na luta contra o rebaixamento. A equipe contará com o retorno do zagueiro Neris, que cumpriu suspensão no último jogo, mas ainda há dúvidas sobre as condições físicas de Matheusinho e Ricardo Ryller, que saíram machucados do Morumbi.
- “Temos que esperar os exames de imagem para saber a situação do Matheusinho. Ele faz muita falta, pois não temos um jogador com as mesmas características no elenco. Jean Mota joga mais por trás, não é tão agudo quanto o Matheus. Vamos avaliar e preparar a equipe da melhor forma para o jogo contra o Vasco”, explicou o treinador.
Dificuldades contra times com três zagueiros
Carpini também comentou sobre as dificuldades que o Vitória tem enfrentado contra equipes que utilizam formações com três zagueiros, algo que tem sido um desafio recorrente para a equipe.
- “Passou mais por coincidência. O Ferraresi é zagueiro, mas jogou numa linha de quatro. Não foi uma linha de cinco que nos dificultou. São outras situações que precisam ser melhoradas no nosso contexto de jogo. Às vezes, falta no elenco características diferentes. Temos boas peças, mas algumas muito parecidas, o que dificulta a mudança na dinâmica do jogo”, explicou.
Outras declarações de Carpini
Durante a coletiva, Carpini também abordou outras questões relacionadas ao desempenho do time e às escolhas feitas para o jogo contra o São Paulo. Ele explicou por que optou por não escalar Edu como titular e a importância de manter a confiança do grupo mesmo após a derrota.
- “Escolha minha. Já fizemos isso em outros momentos e funcionou bem. Achei que o Caio [Vinícius] poderia nos dar mais em um jogo de muita circulação de bola. Não produziu como esperávamos, mas coletivamente foi um jogo consistente. Estou muito confiante e otimista, vamos brigar até o final pela permanência”, finalizou Carpini.
