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INSS planeja mudanças nos prazos do auxílio-doença via Atestmed

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Foto: rafastockbr/shutterstock.com

O governo federal está considerando mudanças significativas no processo de concessão do auxílio-doença através do Atestmed, o sistema do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que permite o requerimento do benefício por incapacidade temporária e o envio de documentação médica de forma online, eliminando a necessidade de perícia presencial. Essas mudanças visam aprimorar a eficiência do sistema, garantindo que o auxílio-doença seja concedido de maneira mais justa e adequada às necessidades dos segurados.

Como funciona o Atestmed

O Atestmed é uma ferramenta digital do INSS que substitui a necessidade de exame médico presencial para a concessão do auxílio-doença. Através desse sistema, os segurados podem enviar seus atestados médicos e outros documentos necessários para análise remota. A inovação tem como objetivo agilizar o processo de concessão de benefícios, especialmente em um cenário onde a demanda por auxílio-doença é alta e o tempo de espera por perícias presenciais pode ser longo.

Desde sua implementação, o Atestmed tem sido uma alternativa eficiente para reduzir as filas de espera e acelerar a concessão do auxílio-doença. No entanto, o governo reconhece que o sistema ainda não é perfeito e que ajustes são necessários para melhorar a precisão e a adequação das concessões.

Mudanças previstas para o Atestmed em 2024

De acordo com Adroaldo Portal, secretário do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), o governo planeja introduzir novas regras para o Atestmed, especialmente em relação ao prazo máximo de concessão do auxílio-doença. Atualmente, o benefício pode ser concedido por até 180 dias, mas a ideia é flexibilizar esse prazo de acordo com o tipo de segurado, a doença e a faixa etária.

Portal explicou que a nova proposta visa criar recortes específicos, estabelecendo prazos diferenciados para trabalhadores autônomos, desempregados e aqueles com carteira assinada. A ideia é que o benefício tenha uma duração mais curta para casos onde o retorno ao trabalho é mais provável e seguro, enquanto prazos mais longos seriam reservados para situações de maior gravidade ou vulnerabilidade.

Fatores que influenciam as mudanças

As mudanças propostas estão sendo desenvolvidas com base em análises detalhadas de diversos fatores que afetam a concessão do auxílio-doença. Um dos principais objetivos é evitar que o benefício seja utilizado por longos períodos, exceto quando realmente necessário. Segundo Portal, os trabalhadores desempregados tendem a permanecer mais tempo no auxílio-doença devido à falta de outra fonte de renda, enquanto autônomos também apresentam um tempo de afastamento maior em comparação aos empregados com carteira assinada.

Com as novas regras, o governo pretende alinhar o auxílio-doença com sua função original: ser um benefício de curta duração, voltado para apoiar o trabalhador durante um período temporário de incapacidade.

Críticas e defesa do sistema

O Atestmed já foi alvo de críticas, com alguns apontando que a ausência de perícia presencial poderia aumentar o risco de fraudes na concessão do benefício. No entanto, Adroaldo Portal rebateu essas alegações, afirmando que o percentual de concessão do Atestmed é inferior a 80%, enquanto a perícia presencial historicamente concede 85% dos pedidos. Isso sugere que o sistema não apenas mantém os mesmos níveis de rigor, mas também é mais rápido e econômico.

Impacto na fila de espera do INSS

Desde a implementação do Atestmed, o INSS viu um crescimento de 50% na concessão de auxílio-doença. Esse aumento está relacionado tanto à redução da fila de espera quanto ao represamento de pedidos ocorrido em governos anteriores. Quando o benefício demora a ser analisado, o segurado acaba recebendo o valor acumulado de todo o período de espera em uma única parcela, o que pode levar a uma percepção de que há mais concessões sendo feitas.

Portal explicou que, nos últimos anos, o represamento das análises levou muitos segurados a desistirem de solicitar o benefício, optando por retornar ao trabalho mesmo sem condições adequadas. Com a agilidade trazida pelo Atestmed, mais pessoas voltaram a buscar o auxílio-doença, confiantes na eficiência do sistema.

O futuro do Atestmed

O governo está empenhado em continuar aprimorando o Atestmed, tornando-o uma ferramenta cada vez mais justa e eficaz. As mudanças previstas para 2024 são um passo nessa direção, buscando ajustar o sistema para melhor atender às necessidades dos segurados, ao mesmo tempo em que mantém o controle rigoroso contra fraudes e o uso indevido do benefício.