23 anos após 11 de setembro, Nova York reforça memórias de resiliência

11 de setembro

Anthony Correia / Shutterstock.com

Em 2024, completam-se 23 anos desde os trágicos ataques de 11 de setembro de 2001, o maior atentado terrorista da era moderna. Durante esse período, Nova York tem se dedicado a honrar a memória das vítimas e a reconstruir os marcos históricos que simbolizam a resiliência da cidade. Um desses marcos é a igreja ortodoxa de São Nicolau, destruída quando a Torre Sul do World Trade Center desabou. Originalmente fundada em 1916 pelos primeiros imigrantes gregos, a igreja foi um refúgio espiritual para muitos até ser completamente arrasada em poucos segundos naquela manhã de setembro.

O novo edifício da igreja de São Nicolau, inaugurado em dezembro de 2022, tornou-se um ícone de renascimento e esperança. Projetada por Santiago Calatrava, a nova construção oferece uma vista impressionante do World Trade Center, conectando o presente ao passado. Dentro da igreja, os murais combinam imagens bíblicas com os eventos de 11 de setembro, prestando uma profunda homenagem tanto aos heróis quanto às vítimas daquele dia fatídico.

Arte e história entrelaçadas

A nova igreja ortodoxa de São Nicolau, com seu projeto assinado por Santiago Calatrava, é uma mistura de arte e memória. Em uma das obras expostas, bombeiros e policiais que responderam aos ataques aparecem ao lado de Jesus Cristo. Em outra, São Nicolau, padroeiro dos viajantes, é retratado recebendo as almas das vítimas. O altar principal apresenta a Virgem Maria abençoando o horizonte atual de Nova York, uma cidade que se reergueu das cinzas.

O material utilizado na construção também possui um significado profundo. O mármore veio da Grécia e é do mesmo tipo utilizado na Acrópole de Atenas há quase 2.500 anos, um presente do governo grego que simboliza a continuidade histórica e espiritual entre culturas e gerações. A reconstrução de São Nicolau levou mais de duas décadas, com um custo aproximado de R$ 418 milhões, financiado principalmente por doações de voluntários. Entre eles, Michael destaca o simbolismo da igreja: “Essa foi a única igreja destruída nos ataques de 11 de setembro e, hoje, é a única que fica em um terreno que pertence ao governo dos Estados Unidos.”

Um espaço de acolhimento e reflexão

Aberta diariamente para visitas, a igreja de São Nicolau tem atraído cerca de 400 pessoas por dia, todas buscando um momento de reflexão ou simplesmente prestando homenagem às vidas perdidas. O padre Andreas enfatiza que a igreja acolhe pessoas de todas as religiões e origens, servindo como um “farol de luz para o mundo inteiro de que um futuro melhor está por vir”. A igreja também se tornou um local de importantes cerimônias de lembrança, como a realizada em 11 de setembro de 2023, marcando o primeiro aniversário da igreja reconstruída.

Durante a cerimônia de 2023, o padre Andreas compartilhou suas reflexões sobre o significado da reconstrução: “Por muito tempo, eu achei que essa data seria marcada na minha vida apenas de uma forma negativa. Mas, quando a igreja ficou pronta, isso mudou. A tragédia deu lugar a esperança e ao amor.”

O impacto permanente dos ataques de 11 de setembro

O impacto dos atentados de 11 de setembro de 2001, que tiraram a vida de quase 3.000 pessoas, continua a reverberar não apenas em Nova York, mas em todo o mundo. Os ataques começaram na manhã de 11 de setembro, quando dois aviões sequestrados atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center, com o primeiro choque acontecendo por volta das 9h. O terceiro avião foi lançado contra o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA, enquanto o quarto, que tinha como alvo o Capitólio, caiu em uma área rural na Pensilvânia após uma resistência heroica dos passageiros.

No total, os ataques resultaram em 2.996 mortes: 2.606 em Nova York, 125 no Pentágono e 246 a bordo dos aviões. A devastação foi causada não apenas pelos impactos iniciais, mas também pelos incêndios subsequentes que comprometeram a integridade estrutural dos edifícios, levando ao colapso das Torres Gêmeas.

A raiz do extremismo e as razões do ataque

Os ataques de 11 de setembro foram executados pela organização terrorista Al-Qaeda, liderada por Osama Bin Laden. O motivo, segundo historiadores e analistas de segurança, foi uma resposta aos conflitos que envolveram os Estados Unidos e países do Oriente Médio desde a década de 1970. Os ataques foram planejados ao longo de dois anos, baseados no conceito de jihad, ou guerra santa, como propagado pelos extremistas.

A origem do ódio de Bin Laden pelos Estados Unidos remonta à presença militar americana em território saudita e ao apoio dado por Washington aos grupos reacionários no Afeganistão. Esses grupos, que inicialmente lutavam contra a invasão soviética, tornaram-se o berço de ideias conservadoras que culminaram no radicalismo islâmico da Al-Qaeda.

As repercussões do atentado e suas consequências globais

As consequências dos ataques de 11 de setembro não se restringiram ao território americano. Em resposta aos atentados, os Estados Unidos lançaram uma invasão ao Afeganistão em outubro de 2001, com o objetivo de derrubar o Talibã, que havia abrigado a Al-Qaeda. Essa guerra, embora tenha atingido seu objetivo inicial, deu início a um conflito que continua a gerar instabilidade na região até hoje.

Nos Estados Unidos, as mudanças foram profundas e imediatas. A segurança nos aeroportos foi significativamente reforçada com medidas que ainda estão em vigor, como o uso de detectores de metal, revistas de bagagens e restrições de líquidos nas malas de mão. Tais medidas foram implantadas para evitar futuros ataques e minimizar riscos.

Homenagens e lembranças em Nova York

Todos os anos, no aniversário dos ataques, cerimônias são realizadas em diversos locais para lembrar as vítimas e os heróis do 11 de setembro. No Memorial do 11 de Setembro, no sul de Manhattan, familiares das vítimas leem seus nomes, um a um, em um tributo que dura horas. Em 2023, a vice-presidente Kamala Harris e outros dignitários se juntaram à multidão para marcar o momento, enquanto um minuto de silêncio foi observado em homenagem aos que perderam suas vidas.

No Pentágono, uma cerimônia semelhante foi realizada para lembrar os 184 mortos naquele local. Na Pensilvânia, sirenes soaram para homenagear os 40 passageiros e tripulantes do voo que caiu em Shanksville. Em todas essas cerimônias, o tema da memória e da unidade nacional permanece forte.

Avanços na identificação das vítimas

Apesar do tempo que já se passou desde os ataques, o trabalho de identificação das vítimas continua. Em 2023, duas novas vítimas foram identificadas através de tecnologias avançadas de sequenciamento de DNA, elevando o número total de identificados para 1.649. No entanto, 1.104 vítimas ainda permanecem sem identificação. Esses avanços na tecnologia de identificação oferecem algum consolo às famílias, mas também ressaltam a magnitude e o impacto duradouro dos eventos de 11 de setembro.

Uma jornada de reconstrução e esperança

Nova York continua a reerguer-se, não apenas em termos físicos, mas também em espírito. A cidade, que já passou por tanto desde aquele dia terrível, permanece resiliente e determinada a honrar seus mortos, proteger seus vivos e, acima de tudo, construir um futuro onde a memória serve como guia para a paz e a solidariedade.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.