Corinthians se inspira no Bayern para quitar dívida da Arena e lança projeto de cotas

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Torcida corinthians globo Reprodução TV Globo

O Corinthians anunciou, nesta sexta-feira (13), um novo projeto com o objetivo de quitar a dívida da Neo Química Arena, que atualmente soma R$ 710 milhões de um total de R$ 2,3 bilhões que o clube deve. Em coletiva de imprensa, o diretor financeiro do clube, Pedro Silveira, detalhou a estratégia, que tem como referência o modelo adotado pelo Bayern de Munique em seu estádio, a Allianz Arena.

O plano: venda de cotas para torcedores e investidores

De acordo com Silveira, o Corinthians pretende vender cotas de um fundo imobiliário associado à Neo Química Arena, permitindo que torcedores e investidores possam adquirir uma parte do estádio. A ideia é “dividir” a posse da Arena, mas mantendo o Corinthians como proprietário majoritário. Essa abordagem segue o exemplo do Bayern de Munique, que adotou um modelo semelhante para financiar sua própria arena.

“Esse seria um projeto. O Corinthians já tem cotas da Arena em um fundo imobiliário, sendo atualmente o dono único da Arena e das cotas. O plano é lançar cotas para que torcedores e investidores, junto com o clube, possam se tornar donos da Arena,” afirmou Silveira.

O diretor financeiro também explicou que, apesar da venda de cotas, o Corinthians manteria a maioria da propriedade do estádio. “Seria, obviamente, uma posição minoritária. O Corinthians continuaria com a maioria. Eu gosto de citar o Bayern de Munique como exemplo. Eles seguiram esse caminho com o estádio deles e hoje possuem 70% da Arena. Acredito muito nessa possibilidade”, concluiu Silveira.

Dívida acumulada e a busca por soluções

A Neo Química Arena, inaugurada em 2014, foi um dos grandes marcos do Corinthians nos últimos anos, mas também se tornou um dos principais desafios financeiros do clube. O estádio, que serviu como palco de importantes jogos, como a abertura da Copa do Mundo de 2014, tem sido um dos principais motivos para a atual dívida do clube, que atinge R$ 2,3 bilhões.

Com o novo projeto de venda de cotas, o Corinthians espera aliviar a dívida sem abrir mão do controle sobre sua arena. Silveira destacou a importância de atrair torcedores para essa iniciativa, proporcionando uma forma de os corinthianos contribuírem diretamente com o clube, enquanto recebem um retorno financeiro em longo prazo.

“Vaquinha” da torcida organizada Gaviões da Fiel

Além da iniciativa de venda de cotas, o Corinthians também conta com o apoio da torcida organizada Gaviões da Fiel, que lançou uma campanha de arrecadação de fundos, conhecida popularmente como “vaquinha”. A ideia é reunir doações de torcedores através de uma chave PIX, o que permitiria uma participação massiva da torcida na redução da dívida do clube.

A Gaviões da Fiel revelou que o clube já aprovou o projeto e está nos estágios finais para lançar oficialmente a campanha de doação. A torcida organizada pretende mobilizar os milhões de corinthianos espalhados pelo Brasil para ajudar a diminuir o valor da dívida da Arena.

Exemplo internacional: Bayern de Munique como inspiração

A inspiração do Corinthians no Bayern de Munique não é por acaso. O clube alemão adotou um modelo de financiamento colaborativo para a Allianz Arena, construído em 2005. O Bayern vendeu uma parte do estádio para investidores privados, mantendo, no entanto, o controle majoritário da arena. Com isso, o clube bávaro conseguiu pagar integralmente o estádio antes do previsto, garantindo um modelo de negócios sustentável para o futuro.

O sucesso do Bayern nesse modelo chamou a atenção de outros clubes, e agora o Corinthians segue essa linha com o objetivo de reduzir sua dívida e manter o controle sobre a Neo Química Arena, um de seus maiores patrimônios.

Detalhes do fundo imobiliário

O projeto anunciado pelo Corinthians envolve a criação de um fundo imobiliário, no qual torcedores e investidores podem adquirir cotas, tornando-se, em termos práticos, sócios minoritários do estádio. O valor de cada cota ainda não foi divulgado, mas a expectativa é que o clube ofereça diferentes faixas de investimento, permitindo tanto a participação de grandes investidores quanto de torcedores que desejam contribuir com quantias menores.

Ao adquirir uma cota do fundo, os investidores teriam direito a uma parte dos lucros gerados pela arena, como receitas de eventos e aluguel do espaço. Além disso, essa iniciativa visa proporcionar uma fonte de renda adicional ao Corinthians, que poderia usar esses recursos para abater outras dívidas e investir no time.

Caminho para o futuro: sustentabilidade financeira

Com a venda de cotas do estádio e a campanha de doações organizada pela torcida, o Corinthians está dando passos importantes rumo à sustentabilidade financeira. O clube, que por muitos anos viveu momentos de glória tanto dentro quanto fora dos campos, agora enfrenta o desafio de manter suas finanças equilibradas em um cenário de crise econômica no futebol brasileiro.

A venda de cotas e o envolvimento da torcida podem não apenas ajudar a quitar a dívida da Neo Química Arena, mas também fortalecer o relacionamento entre o clube e seus torcedores, que passam a se sentir parte ativa na construção do futuro do Corinthians.

Próximos passos e expectativas

Ainda não há uma data definida para o lançamento oficial do projeto de venda de cotas da Neo Química Arena, mas a expectativa é que o Corinthians comece a colocar o plano em prática ainda este ano. A aprovação da campanha de doações pela Gaviões da Fiel é outro ponto que indica o engajamento da torcida nessa nova fase do clube.

Com a Neo Química Arena sendo um dos principais ativos do Corinthians, a estratégia de Pedro Silveira é vista como um movimento ousado, mas necessário para garantir o futuro financeiro do clube. O sucesso do modelo vai depender não apenas do interesse de grandes investidores, mas também do engajamento da massa corinthiana, que sempre se mostrou disposta a apoiar o clube nos momentos mais desafiadores.

Considerações sobre o futuro do Corinthians

A solução para a dívida da Neo Química Arena pode ser um divisor de águas na história recente do Corinthians. Ao seguir o exemplo de um gigante do futebol europeu como o Bayern de Munique, o Timão aposta em uma abordagem moderna de gestão financeira, buscando não apenas quitar sua dívida, mas também consolidar sua posição como um dos clubes mais bem estruturados do futebol brasileiro.

Os próximos meses serão cruciais para ver como a torcida e os investidores reagem a essa nova proposta. Caso o projeto seja bem-sucedido, o Corinthians pode abrir um caminho para outros clubes brasileiros que enfrentam desafios financeiros semelhantes, mostrando que é possível conciliar o sucesso esportivo com uma gestão financeira equilibrada e sustentável.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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