Eleições

Pesquisa Datafolha promete agitar cenário eleitoral em São Paulo após soco em debate

urna voto nulo branco eleições votação
Foto: Xand7777/shutterstock.com

O próximo levantamento do Datafolha em São Paulo será divulgado nesta quinta-feira, e já está sendo aguardado com grande expectativa, especialmente após o episódio de violência ocorrido durante um debate político. A confusão aconteceu na última segunda-feira, quando Nahuel Medina, assessor de Pablo Marçal (PRTB), atingiu com um soco o marqueteiro Duda Lima, da campanha de Ricardo Nunes (MDB). Esse incidente já marca uma nova fase de tensão nas eleições para a prefeitura de São Paulo.

Agressão durante o debate e suas consequências

O debate, promovido pelo Grupo Flow, terminou em caos quando Marçal foi expulso nos últimos segundos após desrespeitar as regras do evento. O candidato, que havia prometido “prender” o prefeito Ricardo Nunes se fosse eleito, foi retirado do estúdio após usar apelidos pejorativos contra seu rival. Entretanto, a confusão tomou proporções ainda maiores quando seu assessor, Nahuel Medina, desferiu um soco em Duda Lima, o marqueteiro da campanha de Nunes, que saiu do estúdio ensanguentado.

Esse incidente de violência física impactou fortemente a campanha e, agora, os resultados da próxima pesquisa Datafolha serão observados com atenção para identificar como o eleitorado paulistano reagiu à agressão. As entrevistas para esse levantamento começaram nesta terça-feira e seguirão até quinta, data em que os resultados serão divulgados.

Resultados anteriores do Datafolha e expectativas

No último levantamento do Datafolha, Ricardo Nunes apareceu com 27% das intenções de voto, tecnicamente empatado com Guilherme Boulos (PSOL), que obteve 26%. Já Pablo Marçal, após o episódio anterior em que foi agredido por José Luiz Datena (PSDB) com uma cadeira, figurava com 19%. A expectativa para a nova pesquisa é que o episódio do soco tenha algum reflexo nas preferências dos eleitores.

É importante destacar que essa pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o código SP-06090/2024, e conta com 1.610 entrevistas. As perguntas estão sendo aplicadas em pontos de grande circulação de pessoas em São Paulo, seguindo o modelo usual do Datafolha.

Outras pesquisas em andamento

Antes do resultado do Datafolha, será divulgada a pesquisa da Quaest, que, no entanto, não captará os efeitos do incidente no debate do Grupo Flow, pois o trabalho de campo dessa pesquisa foi concluído antes do episódio de violência. A Quaest, que realizou 1.200 entrevistas, foi encomendada pela TV Globo e deve divulgar seus números nesta terça-feira.

Ambas as pesquisas trazem uma visão do cenário eleitoral em São Paulo, mas é o Datafolha que deve captar melhor o impacto da crescente tensão entre as campanhas, com episódios de agressão física cada vez mais frequentes.

Confusão e violência no oitavo debate à prefeitura

O debate do Grupo Flow foi o oitavo entre os candidatos à prefeitura de São Paulo e, até aquele momento, mantinha um tom relativamente controlado, apesar das trocas de farpas e provocações típicas de eventos eleitorais. No entanto, a expulsão de Marçal, seguida pelo soco desferido por seu assessor, trouxe à tona um ambiente de crescente animosidade. O momento mais tenso ocorreu quando Medina, integrante da equipe de Marçal, agrediu Duda Lima, que tentava pedir passagem no estúdio para sair após o término do programa.

A violência foi amplamente criticada por adversários políticos e gerou reações rápidas nas redes sociais. Nas horas seguintes, o advogado de Jair Bolsonaro criticou o comportamento de Medina, chamando-o de “machão”, enquanto outras figuras públicas ligadas à campanha de Nunes também se manifestaram contra o ataque.

Resposta dos envolvidos e a repercussão pública

Nahuel Medina, o assessor que protagonizou o episódio, foi à delegacia para prestar depoimento sobre o caso, que está sendo investigado pela polícia. Em sua defesa, Medina afirmou que o soco foi um ato instintivo de autodefesa, alegando que Duda Lima teria tentado tomar seu celular enquanto ele filmava a expulsão de Marçal do debate.

Nas redes sociais, o incidente foi amplamente discutido, e um vídeo mostrando Duda Lima ensanguentado rapidamente viralizou, gerando reações polarizadas. Enquanto alguns usuários defenderam a ação do assessor, alegando que o ambiente estava tenso e hostil, outros criticaram duramente a atitude violenta, pedindo punições mais severas para quem promove atos de agressão durante a campanha.

A equipe de comunicação de Marina Helena, candidata pelo Partido Novo, também se manifestou sobre o caso, com Leandro Narloch, chefe da campanha, condenando o ato de violência e relatando que Lima ficou com o rosto coberto de sangue após o ataque.

Tensões crescentes nas campanhas eleitorais

Este não é o primeiro episódio de violência envolvendo os candidatos à prefeitura de São Paulo. Em um debate anterior, promovido pela TV Cultura, José Luiz Datena já havia atingido Pablo Marçal com uma cadeira, em uma cena que também gerou grande repercussão. Marçal, à época, tentou utilizar o episódio a seu favor, explorando a narrativa de que havia sido vítima de uma agressão injustificada.

Agora, com mais um incidente de violência envolvendo sua campanha, fica a dúvida sobre o impacto que esses episódios terão na imagem do candidato e nas intenções de voto. Embora ele tenha se posicionado de forma moderada durante grande parte do debate no Grupo Flow, os ataques verbais no final e o desfecho com a agressão física podem complicar sua trajetória nas urnas.

Impacto das agressões nas pesquisas eleitorais

Os próximos dias serão decisivos para entender o efeito desses episódios violentos sobre o eleitorado paulistano. As pesquisas do Datafolha e da Quaest trarão uma leitura do cenário, e o resultado final poderá definir as estratégias das campanhas nos últimos dias antes do pleito.

É certo que a violência e os ataques entre as campanhas, tanto físicos quanto verbais, estão elevando a temperatura da disputa eleitoral em São Paulo. O eleitorado parece dividido entre os candidatos, e qualquer desvio de comportamento ou novo escândalo pode ser determinante para os resultados das urnas.

Próximos passos e expectativas para o futuro

Com as investigações policiais em andamento e as reações das campanhas em curso, os próximos desdobramentos podem trazer ainda mais turbulência para essa reta final das eleições. Além das implicações legais que o episódio pode gerar, os candidatos precisarão reavaliar suas estratégias de campanha para evitar que novos incidentes prejudiquem suas chances na disputa.

Os eleitores paulistanos, por sua vez, terão a oportunidade de avaliar não apenas as propostas dos candidatos, mas também seu comportamento em momentos de crise e tensão, o que pode ser um fator decisivo na escolha do futuro prefeito da capital.