Os atuais apresentadores do Jornal Nacional (JN), William Bonner e Renata Vasconcellos, homenagearam o veterano Cid Moreira, de 97 anos, que faleceu nesta quinta-feira, 3 de outubro de 2024, devido à falência múltipla dos órgãos. Conhecido por sua voz marcante e presença icônica na televisão brasileira, Cid deixou um legado incomparável em sua trajetória de décadas.
Bonner, que assumiu o comando do JN em 1996, destacou a personalidade e o impacto cultural de Cid, especialmente suas contribuições emblemáticas para o jornalismo e entretenimento na TV Globo.
Uma voz que marcou gerações
Cid Moreira apresentou o Jornal Nacional por 26 anos, período no qual se tornou uma figura de respeito e confiança para milhões de brasileiros. Sua tradicional saudação de “Boa noite” ficou gravada na memória dos espectadores e simbolizou a seriedade e a responsabilidade do telejornalismo. William Bonner, durante uma entrevista ao RJ1, relembrou momentos que ressaltaram a versatilidade e o carisma de Cid.
Bonner comentou: “O Cid, depois que saiu do Jornal Nacional, conseguiu ser marcante de outras formas, até com certo humor. Como participação no Fantástico. A voz do quadro do Mister M, quem não lembra? Ele foi a voz que imortalizou o nome de uma bola de futebol, a Jabulani, durante a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.”
O bordão “Jabulani”, proferido com a inconfundível entonação de Cid Moreira, virou febre entre os brasileiros durante o evento esportivo. Essa capacidade de transformar simples elementos culturais em momentos icônicos foi um dos traços marcantes de Cid.
O olhar carinhoso e a formalidade única
Renata Vasconcellos, co-apresentadora do JN, também trouxe lembranças sobre Cid Moreira, destacando o equilíbrio que o jornalista mantinha entre a formalidade exigida por sua posição e sua capacidade de passar empatia e humanidade aos espectadores. Segundo Renata, Cid era uma pessoa que transmitia seriedade, mas com uma leveza no olhar.
“Eu gostaria de destacar uma qualidade do Cid que é muito rara e maravilhosa: a capacidade de conciliar características opostas. Ele tinha toda a formalidade que o cargo de apresentador do Jornal Nacional exige, mas, ao mesmo tempo, com um sorriso quase maroto, de garoto, e uma alma leve”, relembrou Renata Vasconcellos emocionada.
As contribuições de Cid ao telejornalismo e cultura
O legado de Cid Moreira transcende o Jornal Nacional. Durante os 26 anos à frente do principal telejornal do Brasil, ele contribuiu para consolidar o telejornalismo televisivo como fonte de informação confiável para o público brasileiro. Além disso, sua voz foi imortalizada em outros projetos e participações na TV Globo, como o Fantástico e diversos especiais.
Sua habilidade de contar histórias e seu tom narrativo inconfundível marcaram a produção audiovisual brasileira. Seja em vinhetas de eventos esportivos, como a icônica “Jabulani” durante a Copa do Mundo, ou em programas de entretenimento, Cid Moreira continuou relevante ao longo dos anos, adaptando-se a diferentes gerações e meios de comunicação.
O impacto cultural de Cid Moreira
Além de seu papel no jornalismo, Cid Moreira também desempenhou um papel importante na cultura popular do Brasil. Muitos brasileiros associam sua voz não apenas às notícias, mas também a momentos icônicos da televisão. Quem não se lembra do “Mister M”, o quadro de mágica do Fantástico que trouxe mistério e curiosidade ao público, com a narração grave e envolvente de Cid?
Ele conseguiu unir o rigor jornalístico à leveza necessária para entreter, tornando-se um símbolo do profissionalismo e da versatilidade. Com isso, Cid Moreira se estabeleceu não apenas como um apresentador, mas como uma lenda do audiovisual.
A despedida de um ícone
A morte de Cid Moreira deixa um vazio profundo no telejornalismo brasileiro. Seus colegas, como Bonner e Renata, reafirmam a importância de sua trajetória e o impacto que ele teve em diversas gerações. Sua presença será lembrada pela longevidade de sua carreira, pela integridade de suas reportagens e pelo carinho com que tratava o público.
Bonner, ao lembrar de sua convivência com Cid, destacou o senso de humor do veterano: “Ele adorava brincadeiras, sempre com aquele bom humor afiado, apesar da idade. Era uma pessoa com quem todos gostavam de trabalhar, sempre disponível para dividir histórias e experiências”.
O futuro do Jornal Nacional sem Cid
Embora Cid tenha se aposentado há anos, sua presença ainda era sentida no Jornal Nacional. Sua saída da bancada marcou o fim de uma era, mas também o início de novos ciclos na televisão. Bonner, que assumiu o comando do JN em 1996, soube dar continuidade ao trabalho de seu antecessor, mantendo o telejornal como referência de qualidade e seriedade no Brasil.
Hoje, os apresentadores e toda a equipe da Globo reconhecem o papel de Cid como pioneiro e sua contribuição insubstituível para o telejornalismo brasileiro. Sua influência se estende a jornalistas, locutores e profissionais da comunicação que buscaram inspiração em sua trajetória.
