Cinco desafios de Dorival Júnior para recolocar o Brasil no caminho das vitórias

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DORIVAL JUNIOR SELEÇÃO BRASILEIRA Foto: Dorival Junior - Foto: Rafael Ribeiro / CBF

A seleção brasileira vive um momento delicado nas Eliminatórias da Copa do Mundo, ocupando apenas a quinta colocação e somando quatro derrotas nas últimas cinco rodadas. Com a pressão crescendo e a necessidade urgente de reagir, o técnico Dorival Júnior precisa encontrar soluções rápidas para a equipe, que enfrentará o Chile, em Santiago, e o Peru, em Brasília, nos próximos jogos.

1. Superar desfalques importantes no elenco

Mais uma vez, Dorival Júnior terá que lidar com uma lista extensa de desfalques. Foram cinco cortes na convocação original, substituindo nomes como Alisson, Guilherme Arana, Bremer, Éder Militão e Vini Júnior. Para suprir essas ausências, foram chamados Weverton, Alex Telles, Beraldo, Fabrício Bruno e Andreas Pereira. Ao longo das quatro convocações desde que assumiu, Dorival já precisou fazer 15 substituições na lista de convocados, o que demonstra a instabilidade do elenco.

Além das mudanças forçadas, a seleção também não conta com Neymar, ainda em recuperação de uma cirurgia no joelho, e Pedro, lesionado durante a última Data FIFA. Esses desfalques afetam diretamente o desempenho coletivo e aumentam a dificuldade para encontrar uma formação ideal e manter a regularidade nos jogos.

Outro fator que complica a montagem do time é a ausência do jovem talento Estêvão, do Palmeiras, que vinha sendo cotado para ocupar uma vaga na equipe principal, mas foi descartado devido a uma lesão que o afastou de duas partidas.

2. Controle emocional para lidar com a pressão

O Brasil chega para o confronto contra o Chile correndo o risco de entrar em campo fora do G-6, que garante vaga direta para a Copa do Mundo. Isso porque as seleções que estão logo abaixo na classificação, como Bolívia, Venezuela e Equador, jogam antes nesta quinta-feira e podem ultrapassar a Seleção Brasileira, caso vençam seus compromissos.

A pressão é ainda maior quando se leva em consideração os resultados recentes. Em setembro, a seleção conseguiu apenas uma vitória magra sobre o Equador (1 a 0) e sofreu uma derrota para o Paraguai (0 a 1). Além disso, a eliminação precoce nas quartas de final da Copa América deixou cicatrizes e minou a confiança dos jogadores. Muitos dos convocados nunca tinham vivido um cenário de tanta cobrança com a camisa da Seleção.

3. Resolver os problemas nas laterais

A lateral é um setor que há anos gera discussões na Seleção Brasileira. O veterano Danilo, capitão sob o comando de Dorival e titular nas últimas duas Copas do Mundo, vem enfrentando dificuldades de adaptação. Recentemente, perdeu espaço na Juventus e tem atuado como zagueiro em sua equipe. Isso levanta questionamentos sobre sua capacidade de manter o nível necessário para a seleção em partidas decisivas.

Na lateral esquerda, a situação não é muito diferente. Guilherme Arana, um dos destaques do Atlético-MG, vinha mostrando regularidade, mas se lesionou e foi cortado. As opções de Dorival são Alex Telles, que retorna à seleção após um período de ausência, e o estreante Abner Vinícius, que atua no Lyon. Ambos precisam mostrar rapidamente que são capazes de ocupar essa posição com segurança.

4. Melhorar a criação ofensiva e a finalização

A falta de gols é um problema que tem assolado a seleção. O Brasil marcou apenas um gol nos últimos três jogos e, nas Eliminatórias, balançou as redes apenas duas vezes nas últimas cinco rodadas. A seca de gols é reflexo de um time que não consegue criar com eficiência e que, quando chega ao ataque, peca na finalização.

Durante a Copa América, a comissão técnica chegou a atribuir a falta de gols ao tamanho reduzido dos campos em algumas partidas, mas esse problema se repetiu nas rodadas seguintes das Eliminatórias. O técnico Dorival Júnior reconheceu que a equipe precisa ser mais incisiva e direta nas ações ofensivas, buscando um equilíbrio entre posse de bola e objetividade.

“Temos posse de bola e troca de passes com velocidade, mas nos falta a infiltração e o momento de finalização. Isso nos comprometeu muito. É algo que estamos trabalhando para melhorar e temos que buscar rapidamente esse ajuste”, analisou Dorival.

5. Retomar o domínio nos jogos fora de casa

A Seleção Brasileira perdeu os últimos três jogos que disputou como visitante nas Eliminatórias. As derrotas para Paraguai, Colômbia e Argentina expuseram a dificuldade do Brasil em atuar longe de casa, algo que não é comum para uma seleção historicamente acostumada a vencer em qualquer território.

A única vitória como visitante nesta campanha foi diante do Peru, na segunda rodada, por 1 a 0, com um gol no final da partida. Já o Chile, adversário desta quinta-feira, também não tem se destacado como mandante. A seleção chilena venceu apenas um jogo em casa e vem de derrota para a Bolívia, o que pode ser um indício de que o Brasil tem chances de reverter sua má fase como visitante.

Os convocados e a importância de um triunfo

A lista de convocados para esses dois compromissos reflete as dificuldades e as incertezas enfrentadas pela comissão técnica. Abaixo, a seleção que Dorival Júnior terá à disposição:

  • Goleiros: Bento (Al-Nassr), Ederson (Manchester City) e Weverton (Palmeiras).
  • Laterais: Danilo (Juventus), Vanderson (Monaco), Abner Vinícius (Lyon) e Alex Telles (Botafogo).
  • Zagueiros: Beraldo (PSG), Fabrício Bruno (Flamengo), Gabriel Magalhães (Arsenal) e Marquinhos (PSG).
  • Meio-campistas: André (Wolverhampton), Bruno Guimarães (Newcastle), Gerson (Flamengo), Lucas Paquetá (West Ham), Rodrygo (Real Madrid) e Andreas Pereira (Fulham).
  • Atacantes: Endrick (Real Madrid), Igor Jesus (Botafogo), Gabriel Martinelli (Arsenal), Luiz Henrique (Botafogo), Raphinha (Barcelona) e Savinho (Manchester City).

O fator casa para fechar a sequência

Após o confronto contra o Chile, a seleção volta a jogar em solo brasileiro, no Mané Garrincha, em Brasília, onde enfrentará o Peru. A expectativa é de estádio lotado e uma torcida que precisa ser reconquistada. Para Dorival, vencer no Chile é essencial para trazer um clima mais leve e cativar o público no jogo seguinte.

“Estamos contando com o apoio do nosso torcedor, especialmente em Brasília. Tenho certeza de que teremos lotação completa. Eles estão ansiosos para ver a Seleção de perto e isso pode ser o diferencial que precisamos neste momento”, afirmou o treinador.

Se o Brasil conseguir vencer esses dois jogos, a pressão sobre a comissão técnica deve diminuir consideravelmente, dando a Dorival e seus comandados a tranquilidade para encarar as últimas rodadas do primeiro turno das Eliminatórias e buscar uma posição mais segura na classificação.

Conclusão: um novo rumo para o Brasil?

Esses próximos dois jogos serão fundamentais para definir o futuro do Brasil nas Eliminatórias. Dorival Júnior sabe que qualquer deslize pode complicar ainda mais a situação da Seleção. Com ajustes nas laterais, controle emocional e melhoria na criação ofensiva, a equipe espera reencontrar o caminho das vitórias e recuperar a confiança.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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