Senado convoca Paquetá para CPI após denúncia de manipulação

Lucas Paquetá

Lucas Paquetá - Foto: A.Taoualit / Shutterstock.com

Lucas Paquetá, jogador da seleção brasileira e meio-campista do West Ham, foi oficialmente convocado para prestar depoimento à CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas. A decisão veio apenas dois dias após a convocação de seu tio, Bruno Tolentino, que também foi intimado a comparecer e prestar esclarecimentos na comissão parlamentar instaurada no Senado Federal. Paquetá é alvo de investigações por má conduta em partidas do Campeonato Inglês entre 2022 e 2023, onde teria, supostamente, forçado cartões amarelos para favorecer apostadores.

Acusações envolvendo Paquetá e os detalhes da investigação

O nome de Paquetá entrou no radar da Associação de Futebol da Inglaterra (FA) após a entidade identificar irregularidades em quatro partidas do West Ham. As acusações sugerem que o jogador teria, deliberadamente, buscado receber cartões amarelos em momentos específicos dos jogos. Esse comportamento levantou suspeitas devido ao volume de apostas registradas exatamente nos minutos em que os cartões foram aplicados.

O caso, que inicialmente estava restrito à jurisdição britânica, chamou a atenção das autoridades brasileiras, uma vez que o mercado de apostas no futebol vem sendo amplamente investigado no Brasil. O senador Jorge Kajuru (PSB-GO), que preside a CPI, transformou o convite ao jogador em convocação oficial. “Vamos já declarar aqui o seguinte: transformar o convite feito ao Paquetá em convocação oficialmente”, afirmou ao final da sessão de quarta-feira.

Jogos suspeitos: os cartões que levantaram as denúncias

Os jogos nos quais Paquetá supostamente forçou cartões envolvem confrontos contra Leicester, Aston Villa, Leeds United e Bournemouth, todos no Campeonato Inglês. A FA afirma que a suspeita se baseia no comportamento repetitivo do jogador, coincidindo com picos de apostas registradas para essas ações. Os lances foram minuciosamente analisados e as movimentações financeiras associadas às apostas apresentaram padrões incomuns, indicando possível manipulação.

Ainda segundo a investigação, Paquetá teria sido orientado por terceiros a buscar essas punições em campo, favorecendo um esquema de apostas que se beneficiava de resultados muito específicos, como o recebimento de um cartão em determinado minuto do jogo. O jogador nega todas as acusações, afirmando que não teve envolvimento com práticas ilícitas e que os cartões foram fruto de circunstâncias normais de jogo.

O impacto na carreira do jogador e a reação pública

Caso as acusações se confirmem, o impacto para a carreira de Lucas Paquetá pode ser devastador. A pena máxima para esse tipo de infração é o banimento de competições organizadas pela FA e, em casos extremos, a proibição de atuar profissionalmente em outros campeonatos pelo mundo. Além disso, há a possibilidade de perda de patrocínios e a interrupção de convocações para a seleção brasileira, o que seria um duro golpe para o jogador, que vinha sendo uma peça-chave no esquema tático do técnico Fernando Diniz.

Em nota, a defesa de Paquetá reafirmou sua inocência e afirmou que ele está à disposição para colaborar com as investigações. O jogador ainda não se pronunciou oficialmente sobre a convocação para a CPI, mas fontes próximas afirmam que ele deve comparecer à audiência para esclarecer os fatos e tentar reverter o desgaste em sua imagem pública.

Acusações adicionais e o futuro de Paquetá

Além das denúncias iniciais, a FA adicionou novas acusações contra Paquetá, desta vez relacionadas à obstrução da investigação. A entidade britânica alega que o jogador teria se desfeito de um celular que estava sob análise dos investigadores. Segundo o jornal britânico The Sun, o desaparecimento do aparelho levantou ainda mais suspeitas sobre a conduta do brasileiro, indicando uma tentativa de encobrir provas relevantes para o caso.

Se comprovada a obstrução, as sanções podem ser ainda mais severas, incluindo aumento do tempo de suspensão e possíveis multas. A audiência com a CPI ainda não tem data marcada, mas espera-se que seja realizada antes de março de 2025, data inicialmente prevista para a audiência do jogador com a FA.

A CPI e o contexto das apostas no futebol brasileiro

A CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas foi instaurada em resposta ao crescente número de denúncias envolvendo manipulação de resultados no futebol brasileiro. A comissão tem como objetivo principal investigar a influência de sites de apostas em competições nacionais e internacionais, bem como o envolvimento de jogadores, técnicos e dirigentes. O caso de Lucas Paquetá, embora tenha ocorrido na Inglaterra, é considerado relevante devido à abrangência e aos possíveis desdobramentos para outros jogadores brasileiros.

A convocação de Paquetá reforça a seriedade da CPI, que busca apresentar um relatório completo até o final de 2024. O senador Kajuru destacou que o caso do jogador do West Ham é apenas um entre muitos que vêm sendo analisados, e que a comissão não hesitará em convocar outros atletas suspeitos de envolvimento em esquemas similares.

Quais serão os próximos passos?

Lucas Paquetá terá de comparecer ao Senado para prestar seu depoimento nos próximos meses. A defesa do jogador já começou a montar sua estratégia para tentar minimizar o impacto das acusações e provar sua inocência. No entanto, o cenário não é favorável, e a pressão pública aumenta conforme surgem novas informações sobre o caso.

Por enquanto, o meio-campista segue atuando normalmente pelo West Ham e também pela seleção brasileira, mas a continuidade de sua carreira depende do desenrolar das investigações. Se for considerado culpado, Paquetá pode enfrentar desde uma suspensão temporária até o banimento definitivo do futebol, o que representaria um fim prematuro para um atleta em plena ascensão.

As implicações para o futebol brasileiro

O escândalo envolvendo Lucas Paquetá expõe a fragilidade dos controles de integridade no futebol mundial. A relação entre jogadores e sites de apostas é um problema crescente e que requer medidas urgentes para preservar a credibilidade das competições. No Brasil, a CPI espera propor um conjunto de recomendações para endurecer a legislação e criar mecanismos mais eficientes de monitoramento.

Enquanto isso, o caso Paquetá continua a gerar repercussão e pode abrir um precedente perigoso para outros atletas que, por ventura, estejam envolvidos em esquemas similares. A atenção agora se volta para a audiência na CPI e para os próximos passos da FA, que deve intensificar as investigações antes do início da próxima temporada.

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