Conmebol exige garantias de segurança aos torcedores do Botafogo no Uruguai e ameaça realizar partida da Libertadores em local neutro.
Decisão da Conmebol em resposta à proibição de torcida brasileira
A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) advertiu a Associação Uruguaia de Futebol (AUF) sobre possíveis sanções caso a presença de torcedores do Botafogo não seja garantida na semifinal da Libertadores contra o Peñarol, marcada para quarta-feira no Estádio Campeón del Siglo, em Montevidéu. Com cerca de 1.600 ingressos já vendidos para a torcida brasileira, a entidade exige a liberação da entrada dos torcedores e assegura que, em caso de descumprimento, poderá determinar que a partida seja realizada com portões fechados ou até em outro país.
O impasse começou após o governo uruguaio determinar torcida única para o confronto, citando motivos de segurança. Em comunicado enviado à AUF, a Conmebol estabeleceu um prazo até esta terça-feira (29), às 10h, para que a Associação e o Ministério do Interior do Uruguai garantam a segurança dos torcedores do Botafogo que já adquiriram ingressos.
A Conmebol define prazo e a reação do Peñarol
A pressão da Conmebol colocou o Peñarol em uma situação complicada. Em comunicado, o presidente do clube uruguaio, Ignacio Ruglio, afirmou que o Ministério do Interior não deve voltar atrás em sua decisão. Ruglio destacou que o Conselho Diretor do Peñarol se reuniria nesta terça-feira para definir a posição oficial do clube. Além disso, o dirigente criticou a torcida do Botafogo, responsabilizando-a por episódios de violência no primeiro confronto no Rio de Janeiro, vencido pelo time carioca por 5 a 0.
O histórico recente do Peñarol em decisões envolvendo torcida visitante mostra que o clube já tentou, em maio deste ano, impedir a entrada de torcedores do Rosario Central, da Argentina, em uma partida pela fase de grupos da Libertadores. Naquela ocasião, a Conmebol também ameaçou aplicar sanções, incluindo a eliminação do Peñarol da competição, caso os torcedores argentinos não pudessem entrar no estádio.
A medida de segurança do governo uruguaio e o impacto no jogo
A decisão do governo uruguaio de proibir a presença da torcida do Botafogo no jogo de quarta-feira foi motivada por confrontos ocorridos durante a partida de ida no Rio de Janeiro. Com a vitória do Botafogo por 5 a 0 no Estádio Nilton Santos, as tensões entre as torcidas foram exacerbadas. Em resposta, o ministro do Interior do Uruguai, Nicolas Martinelli, solicitou oficialmente que a partida em Montevidéu seja realizada com torcida única para prevenir novos incidentes.
A recomendação foi reforçada por um comunicado enviado à AUF, onde o Ministério do Interior destacou as questões de segurança e pediu que medidas fossem adotadas para garantir um ambiente seguro. No entanto, a Conmebol não aceitou a justificativa e reiterou que, conforme regulamento, o clube local é responsável pela segurança de todos os presentes, incluindo torcedores visitantes.
A resposta do Botafogo e a defesa do direito de sua torcida
O Botafogo manifestou-se em nota oficial, repudiando as ações do governo uruguaio e afirmando que o país possui condições para garantir a segurança dos torcedores. No comunicado, o clube reforçou seu compromisso com a segurança e destacou que medidas preventivas foram tomadas desde o primeiro jogo da semifinal, onde a torcida brasileira demonstrou comportamento pacífico.
O Botafogo também acionou o Itamaraty, o Ministério dos Esportes e a Polícia Federal para assegurar a proteção dos torcedores que viajaram a Montevidéu. Em sua nota, o clube salientou que a decisão do governo uruguaio cria um precedente perigoso na Libertadores, pois abre margem para que outros clubes possam usar a justificativa de “falta de segurança” para impedir a presença de torcidas adversárias em jogos futuros.
Possíveis desdobramentos e cenários para a realização da partida
A Conmebol, responsável pela gestão da competição, enfatizou a necessidade de uma solução rápida e ponderou sobre os riscos de manter a partida sem a presença de torcedores visitantes. Em casos extremos, como este, a entidade já transferiu jogos para locais neutros, especialmente quando os clubes locais não puderam garantir a segurança de todos os espectadores.
Os desdobramentos do confronto entre Botafogo e Peñarol poderão resultar em três cenários possíveis, segundo o que foi exigido pela Conmebol:
- Realização da partida no Estádio Campeón del Siglo, com a presença de ambas as torcidas e garantia de segurança.
- Disputa do jogo com portões fechados, sem público, caso o Peñarol e o governo uruguaio não ofereçam as condições solicitadas.
- Mudança do local do jogo para um país neutro, com ambas as torcidas, caso as condições de segurança sejam novamente questionadas.
Histórico de tensões e a tentativa de resolver o impasse diplomaticamente
A decisão do governo uruguaio de proibir a entrada dos torcedores do Botafogo tem como base os incidentes registrados no jogo de ida no Brasil. Em resposta a essas tensões, o Botafogo afirmou ter tomado providências para evitar qualquer tipo de confronto, orientando sua torcida a manter uma postura pacífica. Ainda assim, a posição do Peñarol tem sido acusatória, reforçando uma narrativa de que o comportamento da torcida adversária seria a razão da medida de segurança.
Apesar das divergências, a expectativa é de que uma resolução diplomática seja alcançada antes do prazo estipulado pela Conmebol, evitando assim maiores transtornos para o confronto que vale uma vaga na grande final da Libertadores.
