Erosão costeira destrói casas e ameaça 68 km do litoral de Sergipe: causas e soluções emergentes

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erosao sergipe Foto: Casa atingida pelo aumento da maré na Ponta do Saco, em Estância (SE). — Foto: Defesa Civil/ Estância

O litoral de Sergipe enfrenta uma grave crise ambiental, com a erosão avançando sobre 68 km dos 147 km de sua costa. O fenômeno, que combina ações naturais e intervenções humanas, resultou em destruições significativas, incluindo imóveis residenciais e comerciais, além de mudanças drásticas no ecossistema local. Um dos casos mais emblemáticos ocorreu na Ponta do Saco, no município de Estância, onde uma casa avaliada em mais de R$ 1 milhão foi parcialmente destruída pelo avanço do mar e do Rio Piauí.

Esse problema não é recente, mas tem se intensificado nos últimos anos, segundo estudos realizados pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). A combinação de ocupações irregulares, construção de infraestruturas inadequadas e a falta de planejamento ambiental contribuíram para agravar a situação. Além de impactos econômicos e sociais, a erosão ameaça ecossistemas essenciais, como manguezais e dunas, responsáveis por estabilizar o equilíbrio costeiro.

A gravidade do problema trouxe à tona a necessidade de soluções urgentes. Pesquisadores, autoridades e comunidades locais estão em busca de respostas para minimizar os impactos da erosão, proteger os ecossistemas e garantir a segurança das populações afetadas.

Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, na Praia do Saco, município de Estância (SE) — Foto: Reprodução/TV Sergipe

As causas da erosão costeira em Sergipe

O avanço do mar e dos rios em Sergipe decorre de uma combinação de fatores naturais e intervenções humanas. Entre as causas mais relevantes estão:

  1. Ocupações irregulares: Construções em áreas ambientalmente sensíveis, como restingas e manguezais, desestabilizam os ecossistemas e aceleram os processos erosivos.
  2. Construções inadequadas: Infraestruturas como quebra-mares, levantadas sem critérios técnicos, interrompem o fluxo natural de sedimentos e contribuem para a degradação das praias.
  3. Perda de vegetação nativa: A destruição de matas ciliares, restingas e dunas reduz a capacidade natural de contenção e equilíbrio entre mar e continente.
  4. Mudanças no fluxo dos rios: A redução da vazão do Rio São Francisco e outros corpos hídricos impacta diretamente o transporte de sedimentos para o litoral, desequilibrando a relação entre mar e terra.

Impactos da erosão na Ponta do Saco e arredores

Na Ponta do Saco, em Estância, o avanço do mar resultou em destruição significativa. O caso mais marcante foi o da empresária Cristina Rocha, que teve sua casa parcialmente derrubada em agosto. O imóvel, que antes estava a 200 metros da maré baixa, foi atingido pelas águas devido à perda de sedimentos e ao aumento das marés. Além disso, bares e outras estruturas tradicionais na região foram abandonados devido ao avanço das águas.

Outra casa atingida pela ação do avanço do Rio Piauí na Ponta do Saco, em Estância (SE). — Foto: Defesa Civil/ Estância

A erosão também ameaça a Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem, localizada a poucos metros do imóvel destruído. A estrutura já perdeu parte de seu terreno frontal, e a proteção existente, como muros de contenção, está comprometida.

Regiões críticas no litoral de Sergipe

Além da Ponta do Saco, outras áreas do litoral sergipano enfrentam desafios semelhantes. Na região norte, o município de Brejo Grande viu o desaparecimento do Povoado de Cabeço nos anos 1990 devido à erosão. A redução da vazão do Rio São Francisco é apontada como uma das principais causas do problema, que continua afetando praias e manguezais na região.

Outro ponto crítico é a Praia do Viral, em Aracaju, onde uma ilha de 100 metros de extensão está desaparecendo a uma taxa de 10 metros por ano. A combinação de erosão costeira e fluvial coloca o local em risco iminente, segundo estudos recentes.

Estudos e soluções propostas

Pesquisadores da UFS identificaram a necessidade de intervenções estruturadas para mitigar os efeitos da erosão. As propostas incluem:

  • Proteção de ecossistemas nativos: A preservação de manguezais, dunas e matas ciliares é essencial para estabilizar o equilíbrio entre terra e mar.
  • Revisão das construções: Infraestruturas inadequadas, como quebra-mares, devem ser revisadas ou substituídas por soluções baseadas na natureza.
  • Regulação de ocupações: O controle rigoroso de construções em áreas de risco é fundamental para evitar novos desastres.
  • Monitoramento constante: Estudos contínuos e monitoramento das áreas afetadas ajudam a identificar mudanças e prever impactos futuros.

Ações da Defesa Civil e órgãos estaduais

A Defesa Civil de Sergipe e do município de Estância têm acompanhado de perto a situação. Relatórios frequentes são elaborados para avaliar os riscos e orientar os moradores sobre as melhores práticas. Além disso, o governo estadual utiliza os estudos da UFS para embasar decisões sobre intervenções e políticas públicas voltadas à mitigação da erosão.

Segundo o coordenador da Defesa Civil de Sergipe, coronel Luciano Queiroz, o custo elevado e a complexidade das soluções tornam a situação desafiadora. No entanto, o investimento em pesquisas e planejamento é essencial para evitar que o problema se agrave.

Curiosidades sobre o impacto ambiental e social

  • Em Brejo Grande, onde o avanço do mar destruiu casas e um farol, comunidades inteiras precisaram ser relocadas para locais a cerca de 100 km da capital.
  • Na Ponta do Saco, ações judiciais desde 2020 proíbem novas construções ou reformas, visando minimizar os impactos na região.
  • Manguezais e restingas, considerados ecossistemas-chave, estão entre os mais afetados pela erosão em Sergipe.

Soluções de curto, médio e longo prazo

As soluções para a erosão costeira envolvem ações em diferentes níveis de urgência:

  1. Curto prazo:
    • Monitoramento das áreas afetadas.
    • Orientação aos moradores sobre riscos e medidas preventivas.
    • Criação de barreiras naturais temporárias.
  2. Médio prazo:
    • Reflorestamento de áreas degradadas.
    • Regularização de construções existentes.
    • Implantação de projetos pilotos para mitigação da erosão.
  3. Longo prazo:
    • Redefinição de políticas urbanísticas para áreas costeiras.
    • Construção de infraestruturas sustentáveis.
    • Recuperação de ecossistemas críticos, como manguezais e dunas.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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