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Produções de Cinema da UFS superam desafios estruturais e conquistam prêmios nacionais

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Foto: UFS - Instagram
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A persistência e a criatividade dos estudantes do Curso de Cinema da Universidade Federal de Sergipe (UFS) têm levado o cinema sergipano a ganhar destaque no cenário nacional e internacional. Mesmo diante de condições financeiras e estruturais adversas, projetos desenvolvidos na universidade, como “Pretinha” e “Caçula e o Pé de Mulungu”, alcançaram importantes prêmios no Nordeste Lab, festival realizado em Salvador. Essas conquistas evidenciam a força de uma geração de cineastas que transforma limitações em obras premiadas e impactantes.

As histórias contadas nos curtas-metragens são profundamente enraizadas na realidade local. “Pretinha”, de Fellipe Paixão, retrata a vida de Leandro, um jovem negro da periferia, e seu processo de autodescoberta com a ajuda de um psicólogo. Já “Caçula e o Pé de Mulungu”, de Antônio Rafael, aborda o sonho de uma menina de estudar em uma escola de verdade, enquanto enfrenta a ameaça de destruição de uma árvore centenária em sua comunidade. Ambos os projetos conquistaram reconhecimento, com “Pretinha” recebendo o prêmio do YouTube e “Caçula” ganhando projeção internacional.

As premiações, porém, vieram acompanhadas de desafios significativos. Os estudantes enfrentam diariamente a precariedade de equipamentos, a falta de uma infraestrutura adequada e a necessidade de autofinanciar suas produções. Essa realidade exige esforço coletivo e criatividade para superar as dificuldades.

Estrutura defasada desafia alunos a inovar nas produções

A realidade enfrentada pelos alunos do Curso de Cinema da UFS é marcada pela ausência de recursos modernos e pela precariedade das ferramentas disponíveis. Segundo a vice-coordenadora do curso, Maíra Ezequiel, o departamento responsável pela produção audiovisual carece de equipamentos atualizados, espaços para edição e um orçamento mínimo para as produções. Mesmo assim, a média de dez curtas-metragens produzidos anualmente reflete o comprometimento e a resiliência dos alunos.

Os desafios estruturais também incluem computadores inadequados para edição, câmeras com defeitos e a inexistência de ilhas de edição funcionais. Segundo Fellipe Paixão, esse cenário cria uma sobrecarga emocional e física nos estudantes, que precisam equilibrar as demandas acadêmicas com a busca por soluções criativas para realizar seus projetos.

Autofinanciamento criativo viabiliza os filmes

Sem recursos financeiros garantidos pela universidade, os estudantes se veem obrigados a organizar eventos para arrecadar fundos e cobrir os custos de produção. Festas, rifas e até a venda de geladinhos são iniciativas comuns entre os alunos. Esses esforços são necessários para financiar transporte, aluguel de equipamentos, figurinos, locações e programas de edição. Renata Mourão, ex-aluna do curso, lembra das dificuldades enfrentadas durante a produção de seu curta: “Além de produzir, tínhamos que pensar em como arrecadar dinheiro, o que aumentava ainda mais nossa carga de trabalho.”

Reconhecimento nacional e internacional consolida o cinema sergipano

Apesar das dificuldades, as produções da UFS têm alcançado reconhecimento em festivais de prestígio. “Abjetas 288”, curta produzido em 2020 por Renata Mourão e Júlia da Costa, venceu o prêmio de Melhor Curta-Metragem na Mostra Foco da Mostra de Cinema de Tiradentes, um dos maiores eventos do cinema brasileiro. O filme explorou temas como territorialidade e identidade em uma Aracaju distópica, trazendo questões políticas e sociais relevantes para o debate nacional.

Essas conquistas são especialmente notáveis considerando que as produções universitárias geralmente contam com recursos muito inferiores aos de grandes produções. Enquanto muitos concorrentes investem valores significativos, os curtas da UFS são realizados com orçamentos apertados, mas carregam autenticidade e relevância que conquistam jurados e plateias.

Narrativas enraizadas na cultura local ganham força

Um dos principais diferenciais dos projetos realizados pelos estudantes da UFS é a forte conexão com as raízes culturais e sociais de Sergipe. Em “Pretinha”, Fellipe Paixão se inspirou em sua vivência no município de Nossa Senhora do Socorro, enquanto “Caçula e o Pé de Mulungu”, de Antônio Rafael, foi influenciado por histórias reais, como a luta de crianças indígenas que estudaram por décadas embaixo de uma árvore.

Essas narrativas destacam problemas contemporâneos do Nordeste, indo além de estereótipos e trazendo à tona questões como a preservação ambiental, a educação e as desigualdades sociais. Segundo Antônio Rafael, o objetivo é oferecer uma perspectiva única sobre os desafios e as riquezas culturais da região.

Impacto do reconhecimento na autoestima dos estudantes

O sucesso dos curtas-metragens da UFS não apenas fortalece o cinema sergipano, mas também eleva a autoestima dos alunos. Fellipe Paixão descreveu como a validação de seus projetos em festivais nacionais e internacionais reafirma o talento e a qualidade do trabalho desenvolvido. Essa exposição também contribui para romper preconceitos em relação à produção cinematográfica de regiões fora dos grandes centros.

Apoio institucional chega aos estudantes após 15 anos

Em 2024, ao completar 15 anos, o Curso de Cinema da UFS recebeu pela primeira vez um auxílio financeiro para seus estudantes. A Reitoria disponibilizou R$ 400 para cada aluno matriculado em disciplinas interdisciplinares, totalizando cerca de R$ 8 mil. Embora insuficiente para cobrir todas as necessidades, o valor representou um avanço significativo e possibilitou melhorias nas produções.

O professor Diogo Cavalcanti destacou a importância desse auxílio, comparando-o ao investimento necessário em outras áreas acadêmicas: “Da mesma forma que um geólogo precisa de recursos para estudar o solo, nossos alunos precisam de apoio para produzir seus filmes.”

Histórias premiadas mostram a força do cinema sergipano

Além das premiações recentes, o cinema produzido na UFS tem um histórico de conquistas que demonstra sua relevância no cenário nacional. Entre os destaques estão:

  • “Abjetas 288”, premiado na Mostra de Tiradentes e amplamente exibido em outros estados.
  • “Cadê o mamulengo que tá aqui?”, curta de Antônio Rafael que recebeu prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Filme em festivais universitários.
  • Projetos atuais, como “Pretinha” e “Caçula e o Pé de Mulungu”, que continuam ampliando o alcance do cinema sergipano.

A importância de fortalecer a produção audiovisual regional

As histórias contadas pelos alunos da UFS vão além do entretenimento. Elas refletem a identidade e os desafios do Nordeste, promovendo o diálogo e a conscientização sobre temas sociais e culturais. Com maior apoio institucional e reconhecimento, essas narrativas podem ganhar ainda mais espaço, consolidando o cinema sergipano como uma força criativa no cenário nacional.

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