A escola de samba Estrela do Terceiro Milênio, do bairro Grajaú, zona sul de São Paulo, anunciou uma mudança histórica para o Carnaval de 2025 ao convidar Milton Cunha para ocupar o posto de rei de bateria. A decisão da agremiação quebra uma tradição de décadas, onde tradicionalmente uma rainha ocupa essa posição. A presença do comentarista e carnavalesco à frente dos ritmistas faz parte da homenagem ao enredo “Muito Além do Arco-Íris”, desenvolvido pelo carnavalesco Murilo Lobo, que celebra a luta por respeito e igualdade da comunidade LGBTQIAPN+. O desfile da Terceiro Milênio no Grupo Especial de São Paulo acontece no sábado, dia 1º de março de 2025, e promete ser um marco na história do Carnaval paulistano.
Milton Cunha, conhecido por seu carisma e conhecimento profundo do Carnaval, demonstrou gratidão pelo convite. A escola anunciou que a bateria Pegada da Coruja contará com 230 ritmistas vestidos como o comentarista, uma homenagem visualmente impactante e alinhada à mensagem de diversidade e inclusão que a agremiação deseja transmitir. O carnavalesco Murilo Lobo destacou que a decisão de colocar Milton na bateria representa um reconhecimento ao seu trabalho e sua importância dentro do universo do samba.
A nomeação de Milton Cunha como rei de bateria não foi apenas um gesto simbólico, mas uma escolha estratégica da escola para enfatizar a representatividade no Carnaval. Sua presença reforça o compromisso da Estrela do Terceiro Milênio em promover a diversidade e abrir espaço para novas possibilidades dentro das tradições carnavalescas.
Carnaval de 2025 e a representatividade LGBTQIAPN+ no enredo da Estrela do Terceiro Milênio
O enredo “Muito Além do Arco-Íris” foi escolhido pela diretoria da escola entre 18 temas apresentados para o desfile de 2025. A proposta visa trazer à avenida a história de luta e resistência da comunidade LGBTQIAPN+, abordando questões como direitos civis, representatividade e desafios enfrentados por essa população ao longo dos anos. O carnavalesco Murilo Lobo explicou que a escola realizou rodas de conversa e encontros com membros da comunidade para embasar o desenvolvimento do tema e garantir que o desfile fosse fiel às vivências e conquistas desse grupo.
A escolha de um enredo que coloca a diversidade em destaque reflete a evolução do Carnaval de São Paulo, que a cada ano apresenta temáticas mais engajadas socialmente. A presença de Milton Cunha na bateria é um elemento adicional para reforçar a conexão entre a escola e a comunidade que será homenageada na avenida.
A decisão da Estrela do Terceiro Milênio de explorar um enredo voltado para a diversidade e inclusão vai ao encontro de um movimento crescente entre as escolas de samba, que passaram a utilizar o Carnaval como uma plataforma para discutir temas relevantes da sociedade. O desfile promete emocionar o público e levantar reflexões sobre a importância da aceitação e do respeito.
Milton Cunha: trajetória e influência no Carnaval brasileiro
Milton Cunha é uma das figuras mais emblemáticas do Carnaval brasileiro. Nascido em Belém do Pará, ele construiu sua trajetória no mundo do samba como carnavalesco e comentarista, tornando-se um dos principais nomes da cobertura televisiva dos desfiles. Sua presença marcante e seu conhecimento aprofundado sobre a cultura carnavalesca o transformaram em um ícone do meio, sendo reconhecido tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo.
Além de suas contribuições para os desfiles, Milton também atua como professor e palestrante, disseminando o conhecimento sobre a história e os bastidores do Carnaval. Sua escolha como rei de bateria reforça o papel de figuras públicas LGBTQIAPN+ dentro do samba e da cultura brasileira, demonstrando que o Carnaval é um espaço de celebração da diversidade.
A influência de Milton Cunha vai além dos desfiles de Carnaval. Ele participa de programas de TV, documentários e eventos culturais que exaltam a importância do samba como patrimônio imaterial do Brasil. Sua indicação ao posto de rei de bateria na Estrela do Terceiro Milênio é uma forma de reconhecer sua contribuição para a cultura carnavalesca e sua representatividade para a comunidade LGBTQIAPN+.
Curiosidades sobre a Estrela do Terceiro Milênio e seu histórico no Carnaval de São Paulo
- A escola foi fundada em 1998 e tem sua sede no Grajaú, bairro localizado no extremo sul de São Paulo.
- A agremiação se destacou nos últimos anos por suas apresentações temáticas e bem estruturadas, abordando temas sociais e culturais.
- Em 2024, conquistou o título do Grupo de Acesso 1, garantindo seu retorno ao Grupo Especial no Carnaval de 2025.
- O nome “Estrela do Terceiro Milênio” representa a modernidade e inovação, conceitos sempre presentes em seus desfiles.
- A bateria Pegada da Coruja, liderada pelo mestre Vitor Velloso, é uma das mais respeitadas do Carnaval paulistano.
Estatísticas e dados sobre o Carnaval de São Paulo e sua evolução
- O Carnaval de São Paulo movimenta anualmente cerca de R$ 2,75 bilhões na economia local, envolvendo setores como turismo, comércio e serviços.
- O Sambódromo do Anhembi, palco principal dos desfiles, tem capacidade para receber até 30 mil espectadores por noite.
- Mais de 100 mil empregos diretos e indiretos são gerados pelo Carnaval paulistano, abrangendo áreas como confecção de fantasias, produção de alegorias, montagem de arquibancadas e serviços de segurança.
- O Carnaval de 2025 contará com 14 escolas de samba desfilando no Grupo Especial, sendo que cada agremiação tem, em média, 3.000 componentes.
- O tempo médio de desfile de cada escola é de 65 minutos, com critérios rigorosos de avaliação dos jurados, que consideram quesitos como enredo, harmonia, evolução e fantasia.
Linha do tempo: evolução da presença LGBTQIAPN+ no Carnaval
- Década de 1980: Primeiras manifestações organizadas de grupos LGBTQIAPN+ dentro das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo.
- Década de 1990: Surgimento de enredos abordando diversidade e inclusão, com escolas trazendo referências à luta LGBTQIAPN+.
- Anos 2000: Crescimento da participação de personalidades LGBTQIAPN+ como destaques nos desfiles.
- Anos 2010: Escolas como Beija-Flor, Mangueira e Rosas de Ouro apresentam enredos que exploram temáticas LGBTQIAPN+.
- 2025: Estrela do Terceiro Milênio nomeia Milton Cunha como rei de bateria, marcando um momento inédito no Carnaval paulistano.
Impacto da homenagem a Milton Cunha no Carnaval de São Paulo
A presença de Milton Cunha à frente da bateria da Estrela do Terceiro Milênio representa mais do que uma inovação estética. Sua participação é um símbolo de respeito, reconhecimento e valorização de figuras LGBTQIAPN+ dentro do universo do samba. O impacto dessa escolha pode ser sentido tanto na comunidade carnavalesca quanto no público que acompanha o espetáculo, gerando reflexões sobre a inclusão e o papel transformador da cultura.
A expectativa para o desfile da escola é alta, com grande repercussão nas redes sociais e nos bastidores do Carnaval. A Estrela do Terceiro Milênio aposta na força de seu enredo e na representatividade de Milton Cunha para fazer uma apresentação memorável e consolidar sua posição no Grupo Especial.
