Filipe Toledo, Italo Ferreira e Yago Dora avançam às oitavas na WSL Abu Dhabi 2025

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Yago Dora — Foto: WSL Foto: Yago Dora — Foto: WSL

A etapa de Abu Dhabi da World Surf League (WSL) 2025 teve início nesta sexta-feira, 14 de fevereiro, marcando um momento histórico para o surfe mundial. Pela primeira vez, uma competição de elite da WSL acontece nos Emirados Árabes Unidos, em um cenário inovador que traz desafios inéditos para os atletas. A disputa ocorre na maior piscina de ondas do mundo, um projeto ambicioso que visa transformar o futuro das competições profissionais. Com uma estrutura impressionante, a piscina artificial gera ondas de alta performance, simulando condições oceânicas ideais e proporcionando um espetáculo de alto nível. O evento, que se estenderá até domingo, contará com grandes nomes do surfe, incluindo atletas brasileiros que já demonstraram sua força na fase qualificatória.

Filipe Toledo, Italo Ferreira e Yago Dora foram os grandes destaques do Brasil na rodada de abertura e garantiram classificação direta para as oitavas de final. Eles dominaram suas baterias e mostraram que o surfe brasileiro continua forte nas competições de ondas artificiais. No entanto, outros surfistas do país, como Deivid Silva, Miguel Pupo e João Chianca, não tiveram o mesmo desempenho e precisarão enfrentar a repescagem para seguirem vivos na disputa.

A competição tem atraído grande atenção não apenas pelo nível técnico dos atletas, mas também pela inovação proporcionada pelo formato da piscina de ondas. A nova estrutura amplia o alcance do surfe profissional, permitindo eventos em locais antes inviáveis para competições de alto nível. Essa mudança, embora vista por alguns puristas do esporte como controversa, tem sido fundamental para a expansão global do surfe.

Desempenho dos brasileiros na fase qualificatória

Na primeira fase da competição, Filipe Toledo foi um dos principais destaques do evento. O bicampeão mundial conseguiu um dos maiores somatórios do dia, com 14,50 pontos, sendo 7,83 em uma onda para a direita e 6,67 para a esquerda. O desempenho sólido garantiu sua classificação direta para as oitavas, sem a necessidade de passar pela repescagem. Ele foi superado apenas pelo norte-americano Griffin Colapinto, que registrou o melhor somatório com 14,57 pontos.

Outro nome de peso na competição foi Italo Ferreira, primeiro campeão olímpico da história do surfe. O potiguar teve uma excelente performance ao enfrentar Bronson Meydi e Joel Vaughan em sua bateria. Com uma nota 7,40 na melhor onda e outra de 5,50, Ferreira garantiu a vaga com um total de 12,90 pontos.

Yago Dora também teve um confronto disputado na sétima bateria do dia, enfrentando o compatriota Samuel Pupo e o norte-americano Cole Houshmand. Com notas 7,00 e 5,20, Dora conquistou o maior somatório da bateria (12,20), deixando Samuel e Cole para a repescagem.

Surfistas brasileiros na repescagem

Enquanto Toledo, Ferreira e Dora avançaram sem dificuldades, outros brasileiros terão que lutar pela classificação na fase eliminatória. Entre eles estão Miguel Pupo, Deivid Silva, Ian Gouveia, João Chianca, Alejo Muniz, Mateus Herdy, Samuel Pupo e Edgard Groggia. Esses surfistas não conseguiram pontuação suficiente para se classificarem diretamente e agora enfrentam uma fase mais desafiadora.

A repescagem, que acontece ainda hoje, é decisiva para a continuidade na competição. O formato inédito prevê baterias eliminatórias à noite em Abu Dhabi, começando às 11h40 no horário de Brasília. Esse novo modelo adiciona um desafio extra, já que a iluminação artificial e as condições noturnas podem influenciar o desempenho dos atletas.

Domínio brasileiro em piscinas de ondas

O Brasil tem se mostrado uma potência nas competições realizadas em piscinas de ondas. Desde 2018, o país esteve presente em todas as finais da WSL realizadas nesse formato, conquistando três dos quatro títulos disputados. A única derrota veio em 2023, quando o norte-americano Griffin Colapinto levou a melhor sobre Italo Ferreira.

Gabriel Medina, tricampeão mundial e um dos maiores surfistas da história do país, é um dos nomes mais associados ao domínio brasileiro nesse tipo de competição. Ele e Filipe Toledo foram protagonistas de três finais consecutivas. No entanto, Medina está fora da temporada devido a uma lesão, o que representa uma ausência significativa para o Brasil na busca por mais um título.

Detalhes técnicos da piscina de ondas de Abu Dhabi

A etapa de Abu Dhabi da WSL está sendo realizada na maior piscina de ondas do mundo, uma estrutura inovadora que promete revolucionar o surfe competitivo. Com 690 metros de comprimento por 150 metros de largura, a piscina comporta até 80 milhões de litros de água salgada, criando condições ideais para manobras radicais.

As ondas são geradas artificialmente a cada dois minutos e podem durar até um minuto. O sistema de engenharia permite a formação de ondas tanto para a direita quanto para a esquerda, possibilitando que os surfistas explorem diferentes estilos de surfe em uma única bateria. A tecnologia utilizada na piscina de Abu Dhabi tem sido elogiada por atletas e especialistas do esporte, pois proporciona previsibilidade e consistência, elementos fundamentais para a evolução das competições.

Mulheres entram na disputa a partir de sábado

Além da categoria masculina, a etapa de Abu Dhabi também terá a participação das mulheres a partir de sábado. As brasileiras Tatiana Weston-Webb e Luana Silva representarão o país e buscarão quebrar o tabu de vitórias femininas do Brasil em piscinas de ondas. Até o momento, as disputas nesse formato têm sido dominadas por surfistas como Carissa Moore e Stephanie Gilmore.

A introdução de competições femininas nesse cenário reforça a igualdade de oportunidades dentro do surfe profissional e amplia a visibilidade do esporte para um público ainda maior.

Impacto da etapa de Abu Dhabi para o futuro do surfe

A realização da WSL em Abu Dhabi representa um marco significativo para a expansão do surfe mundial. O evento não apenas introduz uma nova localidade ao circuito profissional, mas também solidifica o papel das piscinas de ondas como parte fundamental do futuro do esporte.

A tecnologia empregada nesse tipo de competição permite que eventos sejam realizados com mais previsibilidade, eliminando as incertezas das condições naturais do oceano. Isso tem atraído investidores e patrocinadores interessados na viabilidade comercial do surfe como um produto global.

Além disso, a competição em Abu Dhabi simboliza o crescimento do surfe no Oriente Médio, uma região que até pouco tempo não era associada ao esporte. Com a construção de infraestrutura adequada, o surfe pode ganhar novos adeptos e se consolidar como uma modalidade verdadeiramente global.

Expectativas para as próximas fases

Com os principais atletas brasileiros classificados para as oitavas de final, a expectativa agora gira em torno das fases eliminatórias e da grande final, marcada para domingo. Filipe Toledo, Italo Ferreira e Yago Dora chegam como favoritos, mas ainda precisam manter o alto nível para conquistar o título inaugural da etapa de Abu Dhabi.

A disputa na piscina de ondas promete momentos emocionantes e intensos, com manobras ousadas e confrontos diretos entre os melhores surfistas do mundo. O desfecho do evento definirá não apenas o campeão da etapa, mas também os rumos do surfe competitivo nos próximos anos.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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