Papa Francisco enfrenta crise de saúde com ventilação mecânica no hospital Gemelli

8 min de leitura
Papa Francisco Foto: Papa Francisco - Foto: Ricardo Perna / Shutterstock.com

O Papa Francisco, líder máximo da Igreja Católica, enfrenta um momento delicado de saúde aos 88 anos, enquanto permanece internado no Hospital Policlínico Universitário Agostino Gemelli, em Roma. Nesta sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025, o Vaticano informou que o pontífice sofreu uma piora significativa em seu quadro respiratório, marcada por uma crise isolada de broncoespasmo, seguida de vômito com aspiração. Internado desde o dia 14 de fevereiro, inicialmente para tratar uma bronquite, Francisco viu sua condição evoluir para uma broncopneumonia, exigindo cuidados intensivos. Após o episódio mais recente, ele foi submetido a uma broncoaspiração e passou a utilizar ventilação mecânica não invasiva, com resposta positiva nas trocas gasosas, segundo boletim médico divulgado hoje. A situação mantém milhões de fiéis em alerta, enquanto o Vaticano atualiza diariamente o estado de saúde do jesuíta argentino, que completa 15 dias de internação.

Enquanto o quadro clínico do Papa Francisco se agrava, a Santa Sé mantém um tom cauteloso, destacando que a manhã havia começado de forma tranquila, com sessões de fisioterapia respiratória e orações na capela particular do hospital. A crise de broncoespasmo, no entanto, mudou o cenário à tarde, evidenciando a fragilidade de sua saúde, agravada pela idade avançada e por condições respiratórias preexistentes, como a remoção parcial de um pulmão na juventude.

A internação prolongada, a mais longa desde o início de seu papado em 2013, reflete a gravidade da situação. O Vaticano tem adotado uma postura de transparência, emitindo boletins detalhados para conter especulações, uma mudança significativa em relação a gestões anteriores, quando informações sobre a saúde dos pontífices eram divulgadas com atraso ou de forma vaga.

Trajetória de uma internação desafiadora

Francisco deu entrada no hospital Gemelli em 14 de fevereiro, com sintomas de bronquite que já vinham dificultando sua rotina nos dias anteriores. O diagnóstico inicial apontava para uma infecção respiratória tratável, mas exames posteriores revelaram uma pneumonia bilateral, afetando ambos os pulmões. Nos primeiros dias, o pontífice apresentou sinais de melhora, conseguindo descansar bem à noite e até alternar momentos de repouso com atividades leves, como orações e trabalho remoto. Contudo, a evolução do quadro para broncopneumonia trouxe complicações, incluindo crises respiratórias que demandaram oxigenação suplementar.

Ao longo das últimas duas semanas, a equipe médica ajustou o tratamento várias vezes. Na segunda-feira, 24 de fevereiro, um boletim destacou uma leve melhora, com o Papa conseguindo dormir bem e sem novos episódios agudos. Mesmo assim, a condição foi classificada como crítica, com indícios de insuficiência renal leve sob controle e transfusões de sangue para corrigir anemia. A estabilidade, porém, foi interrompida pelo evento desta sexta-feira, que exigiu intervenções mais agressivas, como a ventilação mecânica não invasiva.

A história de saúde de Francisco inclui episódios recorrentes de problemas respiratórios, agravados por sua condição pulmonar desde jovem. Apesar disso, ele mantém uma agenda intensa como líder espiritual de mais de 1,2 bilhão de católicos, o que torna sua fragilidade atual ainda mais preocupante para a Igreja.

Detalhes da crise mais recente

A crise de broncoespasmo que acometeu o Papa Francisco nesta sexta-feira representa um dos momentos mais críticos de sua internação. O episódio, ocorrido no início da tarde, foi acompanhado de vômito com aspiração, um quadro que pode levar a complicações graves, como infecções pulmonares adicionais. Rapidamente, a equipe médica realizou uma broncoaspiração, procedimento para remover secreções dos pulmões, e introduziu a ventilação mecânica não invasiva, que utiliza uma máscara para auxiliar a respiração sem a necessidade de intubação.

Dados do boletim médico indicam que a resposta inicial foi positiva, com melhora nas trocas gasosas, essencial para manter os níveis de oxigênio no sangue. Ainda assim, a gravidade do evento reforça a complexidade do quadro, que já incluía pneumonia bilateral e infecção polimicrobiana diagnosticada ранее neste mês. A idade avançada e a falta de mobilidade, devido a dores crônicas no joelho, também são fatores que dificultam a recuperação.

O que é broncoespasmo e suas implicações

O broncoespasmo, que afetou o Papa Francisco, é uma condição caracterizada pela contração involuntária dos músculos das vias aéreas, dificultando a passagem de ar. Frequentemente associado a doenças como asma, ele pode ser desencadeado por infecções respiratórias, alergias ou, no caso do pontífice, complicações de uma pneumonia. No hospital Gemelli, a crise foi tratada com urgência, evidenciando a necessidade de monitoramento contínuo.

Para pacientes idosos, como Francisco, o broncoespasmo pode ser particularmente perigoso, especialmente quando combinado com outras condições respiratórias. A ventilação mecânica não invasiva, adotada neste caso, é uma alternativa comum para evitar procedimentos mais invasivos, como a intubação, e tem se mostrado eficaz em melhorar a oxigenação em quadros agudos. A equipe médica segue acompanhando os parâmetros respiratórios do Papa, ajustando o suporte conforme necessário.

Em situações como essa, a rápida intervenção é crucial. A aspiração de vômito, que ocorreu durante a crise, aumenta o risco de pneumonia aspirativa, uma complicação que pode agravar ainda mais o estado de saúde. Por enquanto, os médicos conseguiram estabilizar o quadro, mas a evolução nas próximas horas será determinante.

Cronologia da saúde do Papa em fevereiro

A internação de Francisco tem sido marcada por altos e baixos, refletidos nos boletins médicos diários do Vaticano. Confira os principais momentos:

  • 14 de fevereiro: Papa é internado no hospital Gemelli com bronquite, após dias com dificuldades respiratórias.
  • 17 de fevereiro: Diagnóstico de infecção polimicrobiana é confirmado, com quadro clínico classificado como complexo.
  • 22 de fevereiro: Crises respiratórias exigem transfusões de sangue e oxigênio suplementar; condição segue crítica.
  • 25 de fevereiro: Leve melhora é registrada, com noite tranquila e sem novos episódios agudos.
  • 28 de fevereiro: Crise de broncoespasmo leva a broncoaspiração e início da ventilação mecânica não invasiva.

Essa sequência de eventos destaca a imprevisibilidade da recuperação do pontífice, que enfrenta uma batalha contínua contra infecções respiratórias severas.

Repercussão entre os fiéis e a Igreja

Milhões de católicos ao redor do mundo acompanham com preocupação as notícias sobre a saúde do Papa Francisco. Na Praça São Pedro, peregrinos que participam do Jubileu da Igreja, evento que ocorre a cada 25 anos, têm se reunido para orar pelo pontífice. No domingo, 23 de fevereiro, mais de 3 mil pessoas estiveram presentes no Jubileu dos Diáconos, com pedidos de recuperação ecoando durante as celebrações.

O cardeal Pietro Parolin, número dois na hierarquia do Vaticano, tem liderado missas diárias na Praça São Pedro desde o agravamento do quadro, pedindo a intercessão da Virgem Maria. Enquanto isso, o cardeal Angelo De Donatis assume compromissos litúrgicos importantes, como a celebração da Quarta-feira de Cinzas, tradicionalmente presidida pelo Papa. A Igreja mantém suas atividades, mas a ausência de Francisco é sentida em um momento de grande significado espiritual.

A transparência do Vaticano, com atualizações detalhadas, também tem sido destaque. Diferentemente de papados anteriores, como os de João Paulo II e João XXIII, quando diagnósticos graves foram confirmados tardiamente, a gestão atual busca evitar rumores e desinformação.

Condições que agravam o quadro

Vários fatores contribuem para a situação delicada do Papa Francisco. A remoção de parte de um pulmão na juventude, devido a uma infecção, reduz sua capacidade respiratória, tornando-o mais vulnerável a complicações como pneumonia. Além disso, a idade avançada e a mobilidade limitada, resultado de dores no joelho, dificultam a recuperação plena.

A lista de desafios enfrentados pelo pontífice inclui:

  • Pneumonia bilateral, afetando ambos os pulmões.
  • Infecção polimicrobiana, causada por múltiplos agentes.
  • Broncoespasmo, com risco de crises recorrentes.
  • Insuficiência renal leve, monitorada pela equipe médica.

Esses elementos, combinados, exigem um tratamento multidisciplinar e prolongado, mantendo Francisco sob cuidados intensivos no Gemelli.

Resposta médica e próximos passos

A equipe do hospital Gemelli, referência em Roma, tem adotado medidas ágeis para conter o agravamento da saúde do Papa. A ventilação mecânica não invasiva, iniciada após a crise de broncoespasmo, visa melhorar a oxigenação sem sobrecarregar o sistema respiratório. A broncoaspiração, por sua vez, foi essencial para evitar complicações adicionais decorrentes da aspiração de vômito.

Nos próximos dias, os médicos devem monitorar de perto a resposta de Francisco ao suporte ventilatório, além de ajustar antibióticos e outros medicamentos para combater a infecção polimicrobiana. A estabilidade clínica, mencionada em boletins anteriores, será o objetivo principal, mas o histórico de oscilações no quadro sugere que a recuperação ainda é incerta.

A internação, que já ultrapassa duas semanas, não tem previsão de término. Enquanto isso, o Vaticano segue informando o público, mantendo a Igreja e os fiéis atualizados sobre cada etapa desse processo desafiador.

Manuela é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2015

Notícias relacionadas