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Acidente na Dutra mata adolescente de 13 anos e fere 25 em Pindamonhangaba

Daniel Araújo do Nascimento ao lado do filho Levy,
Foto: Daniel Araújo do Nascimento ao lado do filho Levy, - Foto: Acervo pessoal

Um grave acidente marcou a madrugada desta quinta-feira, 6 de março, na Rodovia Presidente Dutra, principal ligação entre Rio de Janeiro e São Paulo. Um ônibus da Viação 1001, que transportava 45 passageiros, caiu em uma ribanceira de sete metros no quilômetro 98, em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, deixando um saldo trágico: a morte de Levy Gabriel Cardoso do Nascimento, um adolescente de 13 anos, e 25 pessoas feridas. O veículo havia saído do Rio às 22h da quarta-feira, com destino à capital paulista, quando, por volta das 3h25, uma manobra malsucedida do motorista resultou na queda. O pai do garoto, Daniel Araújo do Nascimento, motorista de caminhão, estava ao lado do filho no momento do acidente e atribui o ocorrido a uma imprudência evitável, lamentando a perda irreparável de seu “menino cheio de vida”. Equipes de emergência, incluindo Corpo de Bombeiros, Samu e a concessionária CCR, foram mobilizadas rapidamente para o resgate, em uma operação que expôs os desafios de segurança nas estradas brasileiras.

Levy, que será sepultado em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, onde vivia com a família, retornava de uma viagem de carnaval com o pai para visitar os avós no Rio de Janeiro. Daniel, ainda abalado, relatou que o ônibus desviou para a direita e ficou preso em uma vala. Em vez de acionar o freio de mão e garantir a segurança dos passageiros, o motorista tentou dar ré, o que levou ao tombamento do veículo. O adolescente dormia no momento da queda e não resistiu aos ferimentos, sendo socorrido, mas falecendo no hospital. A Polícia Rodoviária Federal investiga as circunstâncias, enquanto a Viação 1001 informou que apura os detalhes do acidente, prestando suporte às vítimas e às autoridades.

O impacto do acidente foi sentido além da tragédia familiar. Dos 45 ocupantes, 19 saíram ilesos e foram encaminhados a um posto próximo, enquanto os feridos foram distribuídos entre unidades de saúde em Pindamonhangaba, Taubaté e Aparecida. Até o início da manhã, o trecho da Dutra chegou a registrar 3,5 quilômetros de congestionamento, mas o tráfego foi normalizado por volta das 7h. A ocorrência reacende o debate sobre a segurança viária no Brasil, especialmente em uma rodovia tão movimentada quanto a Presidente Dutra, que registra mais de 1.200 acidentes com vítimas apenas em 2024.

Ônibus cai em ribanceira em acidente grave na Dutra,
Ônibus cai em ribanceira em acidente grave na Dutra, – Foto reprodução TV Globo

Histórico da família e emoção do pai

Daniel Araújo do Nascimento, pai de Levy, é motorista de caminhão há anos e usou sua experiência para descrever o que viu como uma falha grave do condutor do ônibus. Ele estava acordado durante a viagem noturna, algo comum para quem conhece as estradas, e percebeu o momento exato em que o veículo saiu da pista. Segundo ele, o motorista subiu no meio-fio durante uma manobra e, ao tentar corrigir a trajetória com uma ré, perdeu o controle, levando à queda na ribanceira. “Eu sei como é dirigir, sei o que pode e o que não pode. Era só ter esperado, mas matou meu menino”, desabafou Daniel, com a voz carregada de dor e indignação.

A família havia aproveitado o feriado de carnaval para uma visita aos avós paternos no Rio. Levy, descrito pelo pai como um garoto cheio de sonhos, estava animado com a viagem, mas dormia tranquilamente quando o acidente aconteceu. O sepultamento em São Bernardo do Campo ainda não teve data confirmada, pois os familiares, abalados, organizam os detalhes em meio ao luto. A perda do adolescente de 13 anos deixou um vazio irreparável, com Daniel questionando se haverá justiça para o filho, afirmando que “dinheiro nenhum paga” o que foi tirado dele.

Resgate mobiliza equipes na madrugada

A operação de socorro foi rápida e envolveu múltiplas frentes. Equipes do Corpo de Bombeiros chegaram ao local por volta das 3h25, logo após o acidente, trabalhando ao lado do Samu e da concessionária CCR para resgatar as vítimas. Dos 25 feridos, seis foram atendidos pelos bombeiros, 11 pela CCR e nove pelo Samu, sendo encaminhados a hospitais da região. O adolescente Levy chegou a ser levado ao pronto-socorro de Pindamonhangaba, mas não resistiu. A ação conjunta evitou um saldo ainda mais grave, considerando a altura da ribanceira e a quantidade de passageiros a bordo.

O que se sabe sobre a causa do acidente

Investigar as causas do acidente tornou-se prioridade para as autoridades. A Polícia Rodoviária Federal descartou a versão inicial do Corpo de Bombeiros, que apontava que o ônibus havia parado no acostamento por problemas mecânicos e o solo teria cedido. Em vez disso, foi constatado que o veículo subiu no meio-fio durante uma manobra do motorista, desequilibrando-se e caindo sete metros abaixo. A CCR, responsável pela administração da rodovia, também negou que o solo tenha cedido, reforçando a tese de erro humano como fator determinante.

A Viação 1001, empresa dona do ônibus, emitiu nota lamentando o ocorrido e afirmando que está apurando os detalhes junto às autoridades. Não havia registro de chuva na região no momento do acidente, o que elimina condições climáticas adversas como possível causa. O trecho do quilômetro 98, próximo ao trevo de Pindamonhangaba, é conhecido por curvas e ribanceiras que exigem atenção, mas não apresentava problemas estruturais evidentes antes do incidente. A perícia segue analisando o veículo e o local para esclarecer o que levou à tragédia.

Perfil das vítimas e atendimento médico

Entre os 45 passageiros, os 25 feridos foram distribuídos por unidades de saúde próximas. Até o fim da manhã de quinta-feira, 12 já haviam recebido alta de hospitais em Pindamonhangaba, Taubaté e Aparecida, enquanto 13 permaneciam internados: sete no pronto-socorro de Pindamonhangaba, quatro no Hospital Regional de Taubaté e dois na UPA Araretama. Não foram divulgados detalhes sobre a gravidade dos ferimentos, mas a rápida resposta das equipes de emergência garantiu atendimento imediato a todos.

Os 19 passageiros que não se feriram foram levados ao posto Graal, às margens da rodovia, onde receberam assistência inicial. A maioria era de pessoas retornando do feriado de carnaval, como Levy e seu pai, o que torna o acidente ainda mais marcante para famílias que buscavam apenas um momento de lazer. A Viação 1001 informou que representantes da empresa estavam no local para apoiar os envolvidos, enquanto a investigação avança.

Cronologia do acidente na Dutra

Entender o desenrolar dos eventos ajuda a dimensionar a gravidade do ocorrido. Confira os principais momentos:

  • 22h de quarta-feira, 5 de março: O ônibus da Viação 1001 deixa o Rio de Janeiro com 45 passageiros, rumo a São Paulo.
  • 3h25 de quinta-feira, 6 de março: O veículo cai em uma ribanceira no quilômetro 98 da Dutra, em Pindamonhangaba.
  • 3h30: Equipes de resgate, incluindo Bombeiros, Samu e CCR, chegam ao local.
  • 7h: Trânsito é normalizado após retirada do ônibus e liberação da pista.

A sequência mostra como o acidente transformou uma viagem rotineira em tragédia em poucas horas, com consequências sentidas por dezenas de famílias.

Números da Dutra e contexto de segurança

A Rodovia Presidente Dutra, que conecta as duas maiores metrópoles do Brasil, é palco de incidentes frequentes. Em 2024, foram registrados mais de 1.200 acidentes com vítimas, muitos associados a falhas mecânicas, excesso de velocidade ou condições adversas. O Vale do Paraíba, onde ocorreu o acidente, é uma das áreas mais críticas devido ao tráfego intenso e à topografia desafiadora, com ribanceiras e curvas que demandam cuidado redobrado.

Em janeiro deste ano, um engavetamento no quilômetro 92,2 deixou 39 feridos, evidenciando a recorrência de problemas na região. Transportando cerca de 200 mil veículos por dia, a Dutra é essencial para o comércio e o turismo, mas enfrenta desafios como trechos estreitos e acostamentos que nem sempre suportam emergências. O acidente com o ônibus da Viação 1001 reforça a urgência de medidas como fiscalização rigorosa e melhorias na infraestrutura.

Depoimento do pai e clamor por justiça

“Uma imprudência matou meu menino cheio de vida”, declarou Daniel Araújo do Nascimento, ainda em choque com a perda de Levy. Ele destacou que o motorista poderia ter evitado a tragédia ao acionar o freio de mão e permitir a saída segura dos passageiros, em vez de tentar manobrar o ônibus preso na vala. A experiência de Daniel como motorista de caminhão dá peso às suas palavras, que ecoam o sentimento de revolta e luto diante do que considera um erro evitável.

A família agora se prepara para o sepultamento em São Bernardo do Campo, enquanto as autoridades investigam o caso. A indignação de Daniel reflete a busca por respostas e a esperança de que a morte de Levy não fique impune. A Viação 1001 segue colaborando com a apuração, mas o foco está na perícia para determinar responsabilidades.

Impacto na região e lições para o futuro

O acidente paralisou temporariamente o trecho da Dutra em Pindamonhangaba, com reflexos no tráfego entre Rio e São Paulo. A faixa da direita e o acostamento foram interditados durante o resgate, gerando até 3,5 quilômetros de congestionamento. Por volta das 7h, o fluxo foi restabelecido, mas o incidente deixou marcas na comunidade local e nos passageiros envolvidos.

Fatos como este reacendem discussões sobre segurança viária no Brasil. Alguns dados chamam atenção:

  • A Dutra registra uma média de 100 acidentes por mês com vítimas.
  • O Vale do Paraíba concentra 30% dos incidentes graves da rodovia.
  • Ônibus de turismo estão envolvidos em 15% dos acidentes com feridos na BR-116.

Esses números apontam para a necessidade de ações preventivas, como treinamento de motoristas, manutenção rigorosa de veículos e sinalização reforçada em trechos perigosos.