Apagão atinge 1,5 milhão em Manaus e região devido a falha no Sistema Interligado Nacional
Manaus e sua Região Metropolitana mergulharam na escuridão na noite desta sexta-feira, 7 de março de 2025, quando um apagão generalizado interrompeu o fornecimento de energia elétrica por volta das 23h, horário de Brasília. A Amazonas Energia, concessionária responsável pelo serviço na área, informou que a causa do blecaute foi uma falha no Sistema Interligado Nacional (SIN), rede que conecta a geração e distribuição de energia em todo o Brasil. O incidente afetou cerca de 1,5 milhão de moradores, considerando a população da capital amazonense e cidades vizinhas como Manacapuru, Iranduba e Presidente Figueiredo, que compõem a região metropolitana. A empresa aguarda instruções do Operador Nacional do Sistema (ONS) para iniciar a retomada gradual do fornecimento, enquanto relatos de moradores apontam transtornos em diversos bairros, desde o Centro até zonas periféricas. A interrupção também coincidiu com eventos culturais, como o Carnaboi 2025, que precisou recorrer a geradores para manter a festa no Studio 5, na Zona Sul da capital.
O impacto do apagão foi sentido em múltiplas frentes. Motoristas enfrentaram dificuldades para trafegar em vias escuras, como a rota entre o Centro e o bairro São José, na Zona Leste, onde a falta de iluminação aumentou os riscos de acidentes. A instabilidade no sinal de telefonia e internet móvel agravou a situação, dificultando a comunicação em uma cidade que depende fortemente desses serviços para atividades cotidianas e emergências. O blecaute ocorre em um momento delicado para Manaus, que ainda se recupera de chuvas intensas registradas no início da semana, entre 4 e 5 de março, responsáveis por alagamentos e interrupções parciais de energia em bairros como Alvorada e Distrito Industrial. A Amazonas Energia destacou que o problema está fora de seu controle direto, sendo uma questão nacional gerida pelo SIN, mas não forneceu um prazo exato para a normalização, o que mantém a população em alerta.
A falha no SIN reacende debates sobre a vulnerabilidade do sistema elétrico brasileiro, especialmente em regiões como o Amazonas, que, apesar de integrada ao sistema nacional desde 2013 via linhão de Tucuruí, enfrenta desafios logísticos e climáticos. Em 2024, o Brasil registrou um aumento de 15% na demanda de energia, impulsionado por ondas de calor e maior uso de ar-condicionado, segundo dados do ONS, o que pode ter sobrecarregado a infraestrutura. Enquanto o restabelecimento é aguardado, moradores de Manaus improvisam com lanternas e geradores, e autoridades locais monitoram os desdobramentos de um apagão que expõe as fragilidades de uma das maiores cidades da Amazônia.
Como o apagão começou em Manaus
A Amazonas Energia informou que o blecaute teve início às 23h02, horário de Brasília, afetando instantaneamente Manaus e cidades da Região Metropolitana. A falha, originada no Sistema Interligado Nacional, foi detectada pelo ONS, que coordena a operação elétrica em todo o país, mas detalhes técnicos sobre o que causou o problema ainda não foram divulgados. Relatos de moradores indicam que a interrupção foi abrupta, com bairros como Adrianópolis, Aleixo, São José e Cidade Nova ficando às escuras em questão de minutos, evidenciando a extensão do colapso.
O incidente interrompeu atividades em andamento, como o Carnaboi 2025, evento tradicional realizado no Studio 5, na Zona Sul. Participantes usaram as lanternas de seus celulares para manter a animação, enquanto geradores foram acionados para restabelecer a energia no local e garantir a transmissão ao vivo pela Rede Amazônica. A rápida resposta no Studio 5 contrastou com a situação nas ruas, onde o trânsito se tornou caótico em áreas como a Avenida Djalma Batista, uma das principais vias da cidade, devido à falta de semáforos e iluminação.
Transtornos causados pela falta de energia
O apagão trouxe uma série de transtornos para os moradores de Manaus e região. A interrupção do fornecimento elétrico comprometeu serviços essenciais, como o funcionamento de bombas d’água em residências e prédios, deixando muitas famílias sem acesso a água potável durante a noite. Estabelecimentos comerciais, especialmente os que dependem de refrigeração, como supermercados e padarias, enfrentaram prejuízos com a possibilidade de perda de produtos perecíveis caso o blecaute se prolongue.
A instabilidade nas redes de telefonia e internet móvel dificultou a comunicação entre os cidadãos e o acesso a informações em tempo real. Hospitais e unidades de saúde, embora equipados com geradores, operaram em modo de contingência, priorizando casos graves. Em 2024, Manaus já havia registrado 12 interrupções significativas de energia, totalizando mais de 50 horas sem luz ao longo do ano, o que reforça a percepção de fragilidade no sistema local, agora agravada por um problema de escala nacional.
Impacto nas vias e no trânsito de Manaus
Dirigir em Manaus tornou-se um desafio durante o apagão. A falta de energia desligou semáforos em cruzamentos movimentados, como na Avenida Constantino Nery e na Boulevard Álvaro Maia, aumentando o risco de colisões. Motoristas que se deslocaram do Centro para bairros como São José, na Zona Leste, relataram vias escuras e congestionamentos, especialmente em áreas onde a iluminação pública é essencial para a segurança. O fluxo de veículos foi reduzido em algumas regiões, mas a ausência de orientação policial ou de agentes de trânsito em pontos críticos piorou a situação.
O transporte público também foi afetado, com ônibus enfrentando atrasos devido ao tráfego lento e à dificuldade de navegação nas ruas sem luz. Em fevereiro de 2025, a tarifa de ônibus em Manaus subiu para R$ 5, conforme anúncio da prefeitura, e o apagão expôs novamente os desafios de infraestrutura que impactam os mais de 600 mil usuários diários do sistema. Moradores de cidades próximas, como Iranduba, relataram problemas semelhantes, ampliando o raio de transtornos causados pelo blecaute.
Histórico de blecautes no Amazonas
Manaus já enfrentou interrupções de energia significativas no passado, muitas delas ligadas a falhas locais ou regionais. Em 2024, chuvas intensas entre março e abril causaram quedas de energia em bairros como Cidade Nova e Mundo Novo, afetando cerca de 200 mil residências por até 10 horas em um único evento. A integração ao Sistema Interligado Nacional, iniciada em 2013 com o linhão de Tucuruí, reduziu a dependência de usinas térmicas locais, mas não eliminou os riscos de colapsos sistêmicos, como o ocorrido agora.
Dados do ONS indicam que, em 2024, o SIN registrou 18 falhas de grande porte em todo o Brasil, com duas afetando diretamente o Norte do país. O apagão de março de 2025 é o primeiro evento de grande escala no Amazonas neste ano, mas segue uma tendência de aumento na frequência de blecautes, que subiu 20% nos últimos cinco anos na região, segundo análises do setor elétrico. A combinação de infraestrutura antiga e alta demanda tem sido apontada como um dos fatores críticos para esses incidentes.
Medidas em andamento para restabelecer a energia
A Amazonas Energia trabalha em conjunto com o ONS para normalizar o fornecimento em Manaus e na Região Metropolitana. O processo de retomada é gradativo, começando por áreas estratégicas como hospitais e serviços essenciais, mas depende da estabilização do SIN, que abrange mais de 80% da energia distribuída no Brasil. Até as primeiras horas de sábado, dia 8, pequenos bolsões, como o Studio 5, já tinham energia via geradores, mas a maior parte da cidade seguia no escuro.
Equipes técnicas da concessionária foram mobilizadas para monitorar subestações locais e auxiliar na reativação, embora o controle principal esteja nas mãos do ONS. Em eventos anteriores, como o apagão de abril de 2024, a energia em Manaus foi restabelecida em cerca de 6 horas, mas a escala nacional deste incidente pode prolongar o prazo. A população foi orientada a evitar o uso excessivo de aparelhos elétricos assim que o fornecimento retornar, minimizando riscos de sobrecarga.
Cronograma de eventos do apagão
O blecaute em Manaus seguiu uma sequência clara na noite de sexta-feira. Veja os principais momentos registrados até agora:
- 23h: Interrupção abrupta do fornecimento em Manaus e Região Metropolitana.
- 23h02: Amazonas Energia identifica a falha no Sistema Interligado Nacional.
- 23h30: Carnaboi 2025 no Studio 5 ativa geradores para continuar o evento.
- 00h (8 de março): ONS inicia análise técnica para orientar a retomada.
A previsão de retorno total da energia permanece incerta, mas atualizações são esperadas ao longo da madrugada de sábado, conforme o ONS avança na estabilização do sistema.
Efeitos na vida cotidiana dos moradores
A falta de energia transformou a rotina em Manaus. Famílias recorreram a velas e lanternas para iluminar suas casas, enquanto o calor úmido da região, com temperaturas médias de 28°C à noite, tornou o ambiente ainda mais desconfortável sem ventiladores ou ar-condicionado. Pequenos comércios, como lanchonetes e farmácias, fecharam as portas, e os que possuem geradores enfrentaram filas de clientes em busca de itens essenciais.
A interrupção do sinal de internet e telefonia dificultou o contato com serviços de emergência, como o Samu, que opera com 25 ambulâncias na capital e depende de comunicação ágil. Em 2024, o Amazonas registrou uma média de 120 mil chamadas mensais ao serviço 192, e o apagão pode ter atrasado atendimentos na noite de sexta-feira. Moradores de áreas ribeirinhas próximas, como Iranduba, também relataram dificuldades, ampliando o alcance dos transtornos.
O que esperar da retomada do fornecimento
A recuperação do fornecimento em Manaus depende da coordenação entre o ONS e a Amazonas Energia. O SIN, que integra 141 mil quilômetros de linhas de transmissão no Brasil, exige um processo complexo para restabelecer a energia após falhas sistêmicas. Áreas prioritárias, como o Hospital 28 de Agosto, maior unidade pública da capital, devem ser as primeiras a receber eletricidade, seguidas por zonas residenciais e comerciais.
Em blecautes anteriores, como o de Santiago, no Chile, em fevereiro de 2025, que afetou 14 das 16 regiões do país, a normalização levou até 24 horas em algumas áreas. No caso de Manaus, a distância geográfica e a dependência do linhão de Tucuruí podem influenciar o tempo de resposta. Até o momento, o ONS não identificou a causa exata da falha, mas trabalha para evitar novos colapsos enquanto a energia é restaurada gradualmente.
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