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Ucrânia intensifica guerra com 343 drones contra Rússia e deixa 3 mortos em Moscou

Drone militar
Foto: Drone militar - Foto: aapsky / shutterstock

A Ucrânia realizou, na madrugada desta terça-feira, 11 de março de 2025, o maior ataque de drones já registrado contra Moscou e outras regiões russas, elevando a tensão em um conflito que já dura mais de três anos. O Ministério da Defesa da Rússia informou que 343 drones foram derrubados, sendo 91 na região de Moscou e 126 em Kursk, áreas estratégicas para o Kremlin. O ataque resultou na morte de pelo menos três trabalhadores de uma unidade da Miratorg, uma das maiores produtoras de carne do país, e deixou 17 feridos, além de provocar a interrupção temporária dos quatro aeroportos da capital russa.

O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, classificou a ofensiva como a mais significativa contra a cidade desde o início da guerra, destacando a magnitude do evento em uma metrópole que abriga cerca de 21 milhões de habitantes, incluindo sua região metropolitana. A ação ucraniana ocorre em um momento delicado, às vésperas de uma reunião entre autoridades norte-americanas e ucranianas na Arábia Saudita, que busca negociar o fim do confronto, enquanto as forças russas intensificam sua ofensiva na região de Kursk, no oeste da Rússia.

Autoridades russas reagiram rapidamente ao ataque, com o coronel-general Andrei Kartapolov, chefe do comitê de defesa do Parlamento, sugerindo uma retaliação com o míssil hipersônico Oreshnik. Usado pela primeira vez em novembro de 2024 contra a Ucrânia, o armamento é capaz de atingir velocidades superiores a Mach 10 e carregar múltiplas ogivas, o que o torna uma ameaça significativa no campo de batalha.

Escalada do conflito atinge novo patamar

O ataque ucraniano não se limitou a Moscou. A região de Kursk, onde as forças de Kiev enfrentam dificuldades para manter territórios conquistados em uma contraofensiva iniciada em agosto de 2024, também foi alvo de uma intensa barragem de drones. Dos 343 aparelhos abatidos, 126 foram neutralizados nessa área, que se tornou um ponto crítico na guerra devido à presença de milhares de soldados ucranianos sob pressão de um cerco russo. A ofensiva de primavera liderada por Moscou em Kursk tem como objetivo retomar o controle total da região, enquanto Kiev busca desestabilizar a logística inimiga com ataques a distância.

Em resposta, a Ucrânia também enfrentou uma noite de bombardeios russos. Um míssil balístico e 126 drones foram lançados contra o país, evidenciando a intensidade da troca de golpes entre os dois lados. Kiev tem utilizado drones para atingir alvos estratégicos russos, como refinarias de petróleo, aeródromos e até estações de radar de alerta antecipado, em uma tentativa de compensar a superioridade numérica e tecnológica de Moscou.

A Miratorg confirmou que dois de seus funcionários morreram devido à queda de destroços em uma de suas instalações próximas a Moscou, enquanto um terceiro sucumbiu aos ferimentos posteriormente. O governador da região, Andrei Vorobyov, divulgou imagens de um apartamento danificado, com janelas destruídas, mas destacou que a população local manteve a rotina, sem sinais de pânico generalizado.

Impactos imediatos em Moscou e Kursk

A capital russa sentiu os efeitos do ataque de forma direta. Os quatro aeroportos de Moscou – Domodedovo, Sheremetyevo, Vnukovo e Zhukovsky – suspenderam temporariamente suas operações, desviando voos para outras cidades. A medida, adotada como precaução, foi revertida horas depois, mas expôs a vulnerabilidade da infraestrutura crítica da cidade a esse tipo de ofensiva. Sergei Sobyanin relatou que as defesas aéreas russas conseguiram neutralizar a maioria dos drones, mas os danos colaterais ainda foram significativos.

Já em Kursk, a situação reflete o desgaste de uma guerra prolongada. Desde agosto de 2024, as forças ucranianas controlam cerca de 800 km² da província, segundo fontes militares de Kiev, resistindo a uma contraofensiva russa que avança lentamente, entre 200 e 300 metros por dia em algumas áreas próximas a cidades como Kurakhove. A escalada de ataques com drones indica uma mudança na estratégia ucraniana, que agora prioriza ações ofensivas em território russo para aliviar a pressão no front oriental.

Cronologia dos ataques recentes

A guerra entre Rússia e Ucrânia entrou em uma fase de intensificação nos últimos meses, marcada por ataques de longo alcance e uso de armamentos avançados. Confira os principais eventos recentes:

  • Fevereiro de 2022: Início da invasão russa, com avanços rápidos em três frentes – fronteira russa, Crimeia e Belarus.
  • Agosto de 2024: Ucrânia lança contraofensiva em Kursk, conquistando territórios e desafiando o controle russo.
  • Novembro de 2024: Rússia utiliza o míssil hipersônico Oreshnik contra Dnipro, em resposta a ataques ucranianos com mísseis ocidentais ATACMS e Storm Shadow.
  • Janeiro de 2025: Kiev realiza ataque com mais de 200 drones e mísseis contra alvos militares e energéticos russos.
  • 11 de março de 2025: Maior ataque de drones ucraniano contra Moscou e Kursk, com 343 aparelhos derrubados.

Essa sequência de eventos mostra como ambos os lados têm recorrido a tecnologias cada vez mais sofisticadas, ampliando o alcance e os impactos do conflito.

Oreshnik na mira da retaliação russa

A sugestão de Andrei Kartapolov para usar o Oreshnik como resposta ao ataque ucraniano reacende o debate sobre a escalada armamentista na guerra. O míssil, desenvolvido a partir do modelo RS-26 Rubezh, foi projetado para alcançar alvos entre 1.000 e 5.500 km, com ogivas capazes de atingir velocidades hipersônicas de até 13.600 km/h, segundo dados da inteligência ucraniana. Em seu primeiro uso, em novembro de 2024, o projétil foi disparado contra Dnipro, em retaliação ao uso de mísseis ocidentais por Kiev, autorizados pelos EUA e Reino Unido.

Vladimir Putin, presidente russo, descreveu o Oreshnik como uma arma impossível de ser interceptada pelos sistemas de defesa atuais, destacando sua capacidade de carregar múltiplas ogivas – convencionais ou nucleares. Embora o ataque de 2024 tenha utilizado ogivas não nucleares, o potencial do míssil para alterar o equilíbrio estratégico no conflito preocupa analistas internacionais. Kartapolov reforçou que a decisão cabe a Putin, mas defendeu que um contra-ataque com o Oreshnik seria “útil” para enviar uma mensagem clara ao Ocidente e à Ucrânia.

A possibilidade de uso do míssil também levanta questões sobre o futuro da guerra. Autoridades americanas minimizaram seu impacto, classificando-o como uma arma experimental disponível em quantidades limitadas, mas reconhecem que sua presença no arsenal russo intensifica os riscos de uma escalada militar sem precedentes.

Resposta ucraniana e apoio internacional

Diante da ameaça do Oreshnik e dos bombardeios russos, a Ucrânia tem pressionado seus aliados por sistemas de defesa antiaérea mais avançados. Apesar de contar com os Patriot americanos e o Samp/T franco-italiano, o país possui um número reduzido dessas tecnologias, insuficiente para proteger todas as suas cidades. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, classificou o uso do míssil russo em 2024 como uma “escalada grave”, pedindo uma condenação global e mais apoio militar.

Os EUA, sob a administração de Donald Trump, que assumiu a presidência em janeiro de 2025, têm adotado uma postura ambígua. Trump defende um cessar-fogo e negociações rápidas, mas os ataques recentes sugerem que a guerra está longe de um desfecho pacífico. A reunião na Arábia Saudita, marcada para os próximos dias, será crucial para definir o rumo do apoio ocidental a Kiev, especialmente após a permissão para uso de mísseis de longo alcance contra alvos russos, concedida em novembro de 2024.

Enquanto isso, a Ucrânia intensifica sua produção e uso de drones, buscando formas inovadoras de contornar a superioridade militar russa. A ofensiva contra Moscou reflete essa estratégia, mirando infraestruturas críticas e desafiando a narrativa de invulnerabilidade da capital russa.

Danos e reações em solo russo

Os estragos causados pelo ataque em Moscou foram visíveis, mas não paralisaram a cidade. Apartamentos danificados e instalações industriais atingidas, como a da Miratorg, evidenciam o alcance dos drones ucranianos, que percorreram centenas de quilômetros até seu destino. A empresa lamentou a perda de seus funcionários e informou que está avaliando os prejuízos, enquanto autoridades locais trabalham para restaurar a normalidade.

Aqui estão os principais impactos registrados até o momento:

  • Mortes confirmadas: Três trabalhadores da Miratorg, sendo dois mortos no local e um por complicações posteriores.
  • Feridos: Pelo menos 17 pessoas, com relatos de ferimentos leves a graves.
  • Infraestrutura: Suspensão temporária dos voos nos quatro aeroportos de Moscou e danos em prédios residenciais e industriais.
  • Defesa aérea: 343 drones derrubados, com destaque para os 91 neutralizados na região de Moscou.

A ausência de pânico, como relatado pelo governador Andrei Vorobyov, contrasta com a gravidade do ataque, indicando uma adaptação da população russa à realidade da guerra em seu território.

Próximos passos no conflito

Com a guerra se aproximando de seu quarto ano, a intensificação dos ataques mútuos sugere que tanto Rússia quanto Ucrânia estão dispostas a elevar o custo do confronto. A ofensiva ucraniana em Moscou pode ser vista como uma tentativa de pressionar Moscou antes das negociações na Arábia Saudita, enquanto a ameaça do Oreshnik reforça a postura de retaliação do Kremlin. A presença de tropas norte-coreanas em Kursk, confirmada por fontes ocidentais, e a crescente dependência de drones por ambos os lados apontam para uma evolução tecnológica e estratégica no campo de batalha.

A reunião entre autoridades americanas e ucranianas será um divisor de águas. A continuidade do apoio militar ocidental, especialmente em sistemas de defesa e armamentos de longo alcance, pode determinar a capacidade de Kiev de resistir à pressão russa. Por outro lado, a Rússia, liderada por Putin, mantém sua retórica de superioridade militar, apostando em armas como o Oreshnik para intimidar adversários e consolidar ganhos territoriais.

O ataque de 11 de março marca um novo capítulo na guerra, com implicações que vão além das fronteiras de Ucrânia e Rússia, afetando o equilíbrio geopolítico global em um momento de incertezas sobre o papel dos EUA e da Otan no conflito.