Martin Scorsese está de volta com mais um projeto grandioso, e dessa vez ele traz Leonardo DiCaprio e a Apple para transformar a aclamada série de romances Gilead, escrita por Marilynne Robinson, em uma adaptação ao vivo. Anunciado em março de 2025, o empreendimento marca mais um capítulo na parceria de longa data entre o diretor e o ator, que já colaboraram em filmes icônicos como Gangs of New York, O Aviador e Killers of the Flower Moon. A escolha de Gilead, uma tetralogia premiada que explora temas profundos como fé, família e redenção, reflete o interesse de Scorsese por narrativas densas e emocionalmente complexas, algo que tem sido uma constante em sua carreira. O foco inicial será no segundo livro da série, Home, com DiCaprio cotado para um dos papéis principais, enquanto a Apple, após o sucesso de Killers of the Flower Moon, reforça sua aposta no cineasta.
A série Gilead, que começou com o romance homônimo em 2004, vencedor do prestigiado Pulitzer de Ficção, transporta os leitores para a fictícia cidade de Gilead, no Iowa, nos Estados Unidos. O primeiro livro acompanha John Ames, um pastor idoso que escreve uma carta ao filho, refletindo sobre sua vida e legado. Já Home, lançado em 2008 e premiado com o Orange Prize em 2009, foca na família Boughton, oferecendo uma perspectiva paralela aos eventos do volume inicial. Os livros seguintes, Lila (2014) e Jack (2020), expandem ainda mais esse universo, explorando a esposa de Ames e o filho rebelde do reverendo Boughton, respectivamente. Com quatro obras interligadas, a adaptação promete ser um desafio narrativo ambicioso, mas perfeitamente alinhado ao estilo de Scorsese, conhecido por mergulhar em histórias de peso emocional e moral.
Confirmado para liderar o projeto como diretor e produtor, Scorsese contará com a colaboração de Todd Field, cineasta reconhecido por Tár, que assume o roteiro e também a produção. A participação de Leonardo DiCaprio, embora ainda sem papel oficialmente definido, é um dos grandes atrativos, dado o histórico de atuações marcantes ao lado do diretor. A Apple, por sua vez, entra como parceira estratégica, consolidando sua posição como um estúdio disposto a investir em produções de alto calibre. Sem data de estreia ou elenco adicional divulgado até o momento, o projeto já desperta expectativa entre fãs do cinema e da literatura, prometendo trazer à tela a riqueza de uma das séries de romances mais celebradas das últimas décadas.
Por que Gilead chama a atenção de Scorsese e DiCaprio
Adaptar Gilead não é uma tarefa simples, mas os temas centrais da tetralogia parecem feitos sob medida para Martin Scorsese. A série de Marilynne Robinson aborda questões como o peso da tradição, os conflitos familiares e a busca por redenção, elementos que ecoam em filmes anteriores do diretor, como Os Infiltrados e Silêncio. Em Home, o foco recai sobre Jack Boughton, um filho pródigo que retorna à cidade natal após 20 anos, carregando o fardo de um passado turbulento, incluindo alcoolismo e segredos que o afastaram da família. Esse personagem, com sua complexidade psicológica, pode ser o papel ideal para Leonardo DiCaprio, que já demonstrou habilidade em interpretar homens atormentados, como em O Lobo de Wall Street e Killers of the Flower Moon.
A narrativa de Home também oferece um contraponto interessante ao primeiro livro, ao mostrar os mesmos eventos sob a perspectiva da família Boughton. Glory, irmã de Jack, retorna a Gilead com suas próprias cicatrizes emocionais, enquanto o reverendo Robert Boughton, o patriarca, lida com a tensão entre suas crenças rígidas e o amor por seu filho rebelde. Essa dinâmica familiar, cheia de nuances e silêncios carregados, é terreno fértil para o estilo de direção de Scorsese, que frequentemente explora relações humanas marcadas por culpa e reconciliação. A escolha de começar pelo segundo livro sugere que o diretor planeja construir a adaptação de forma não linear, um approach que pode destacar ainda mais a profundidade da obra original.
Outro ponto que torna Gilead atraente para essa dupla é o sucesso crítico dos romances. O primeiro volume, além do Pulitzer, levou o National Book Critics Circle Award, enquanto Home foi agraciado com o Orange Prize, hoje conhecido como Women’s Prize for Fiction. Lila e Jack também receberam elogios, consolidando Marilynne Robinson como uma das grandes vozes da literatura contemporânea. Para Scorsese, que já transformou livros desafiadores em filmes memoráveis, como A Invenção de Hugo Cabret, essa é uma oportunidade de levar ao cinema uma história que combina introspecção e universalidade, com potencial para atrair tanto o público de festivais quanto os assinantes da Apple TV+.
Cronograma e outros projetos na agenda de Scorsese
Embora a adaptação de Home ainda não tenha uma janela de lançamento definida, o anúncio do projeto em março de 2025 indica que Scorsese está organizando sua agenda lotada para dar prioridade a essa colaboração com DiCaprio e a Apple. O cineasta, aos 82 anos, mantém um ritmo impressionante de trabalho, com diversos filmes e séries em desenvolvimento. Confira alguns dos projetos confirmados em sua pipeline:
- The Wager: Adaptação de um livro sobre um naufrágio no século XVIII, com Leonardo DiCaprio no elenco.
- Grateful Dead Biopic: Um filme biográfico sobre a lendária banda de rock, também com DiCaprio envolvido.
- Hawaiian Gangster Film: Uma história de crime ambientada no Havaí, estrelada por Dwayne Johnson, Emily Blunt e, novamente, DiCaprio.
- A Life of Jesus: Inspirado no livro de Shūsaku Endō, explorando a vida de Jesus Cristo.
- Wall of White: Produção sobre a avalanche de 1982 em Alpine Meadows.
- The Studio: Série da Apple TV+ sobre o mundo do cinema, com estreia marcada para 26 de março de 2025.
Esse cronograma reflete a versatilidade de Scorsese, que transita entre dramas históricos, biografias musicais e narrativas espirituais, sempre com um olhar autoral. A parceria com a Apple, iniciada com Killers of the Flower Moon, que arrecadou mais de 157 milhões de dólares mundialmente apesar de um desempenho tímido nas bilheterias, mostra que o estúdio confia na capacidade do diretor de entregar obras de impacto, mesmo em um mercado dominado por blockbusters.
Uma parceria de sucesso entre Scorsese e DiCaprio
A história de Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio começou em 2002, com Gangs of New York, um épico sobre a Nova York do século XIX que marcou o início de uma colaboração duradoura. Desde então, os dois trabalharam juntos em cinco outros filmes: O Aviador (2004), Os Infiltrados (2006), Ilha do Medo (2010), O Lobo de Wall Street (2013) e Killers of the Flower Moon (2023). Juntos, acumularam 28 indicações ao Oscar, com Os Infiltrados levando a estatueta de Melhor Filme e Melhor Direção. A química entre o diretor e o ator é evidente, combinando a visão meticulosa de Scorsese com a intensidade emocional de DiCaprio.
Em Home, a expectativa é que DiCaprio interprete Jack Boughton, o filho problemático do reverendo. O personagem exige um ator capaz de transmitir vulnerabilidade e rebeldia, características que DiCaprio já explorou em papéis como o de Jordan Belfort, em O Lobo de Wall Street, ou Ernest Burkhart, em Killers of the Flower Moon. Para Scorsese, esse papel oferece a chance de aprofundar ainda mais sua exploração de figuras masculinas em crise, um tema recorrente em sua filmografia, de Taxi Driver a O Irlandês. A presença de Todd Field no roteiro adiciona outra camada de sofisticação, dado o sucesso de Tár, que recebeu seis indicações ao Oscar em 2023.
A Apple, por sua vez, aposta alto nessa união. Após o lançamento de Killers of the Flower Moon, que, apesar de não explodir nas bilheterias, foi amplamente elogiado e indicado a 10 Oscars, o estúdio vê em Scorsese um nome capaz de atrair prestígio e audiência para sua plataforma de streaming. A inclusão de Gilead em seu catálogo reforça a estratégia de investir em produções de qualidade autoral, competindo diretamente com gigantes como Netflix e Amazon.
Detalhes da trama de Home e expectativas para a adaptação
Home, o ponto de partida da adaptação, apresenta uma história íntima e poderosa sobre retorno e reconciliação. Jack Boughton, após duas décadas afastado, volta a Gilead carregando as marcas de uma vida desregrada. Alcoólatra e artista frustrado, ele enfrenta o julgamento silencioso de seu pai, o reverendo Robert Boughton, um homem de fé tradicionalista que ainda o vê como seu filho favorito. Enquanto tenta reparar essa relação, Jack encontra apoio em Glory, sua irmã mais nova, que também retorna à cidade natal após um passado doloroso. A narrativa é lenta e reflexiva, centrada em diálogos profundos e nas tensões não ditas entre os personagens.
Para trazer essa história à tela, Scorsese terá que equilibrar o ritmo contemplativo do livro com o dinamismo visual que caracteriza seus filmes. A pequena Gilead, com suas paisagens rurais e atmosfera melancólica, pode ganhar vida sob sua direção, assim como as locações de Killers of the Flower Moon capturaram a essência do Oklahoma dos anos 1920. A escolha de começar por Home, em vez do primeiro livro, sugere que o diretor quer apresentar o universo de Robinson por uma porta menos convencional, destacando a perspectiva de Jack e Glory antes de expandir para os outros capítulos da tetralogia.
Os fãs de Scorsese e DiCaprio já especulam sobre como essa adaptação pode se destacar em uma filmografia tão rica. Com a Apple no comando da produção, o projeto tem recursos para uma realização de alto nível, desde a fotografia até o design de produção. A presença de Todd Field no roteiro também levanta a possibilidade de uma narrativa mais experimental, algo que poderia diferenciar essa adaptação de outras obras baseadas em livros premiados.
Curiosidades sobre a série Gilead e sua autora
Marilynne Robinson é uma figura singular na literatura americana, conhecida por sua prosa poética e reflexiva. Aqui estão alguns fatos sobre a tetralogia Gilead e sua criadora que enriquecem o contexto da adaptação:
- Gilead, o primeiro livro, foi escrito após um hiato de 24 anos desde o romance de estreia de Robinson, Housekeeping, publicado em 1980.
- A autora, nascida em Idaho, é profundamente influenciada pela teologia calvinista, o que permeia os temas de fé e graça em seus livros.
- Home venceu o Orange Prize em 2009, superando obras de autores como Toni Morrison e Chimamanda Ngozi Adichie.
- Jack, o quarto livro, lançado em 2020, é o primeiro da série narrado inteiramente a partir da perspectiva do filho pródigo, oferecendo um fechamento emocional à saga.
Esses elementos destacam a riqueza da obra de Robinson, que agora ganha uma nova dimensão nas mãos de Scorsese. A escolha de DiCaprio para um papel central reforça a intenção de dar vida a personagens complexos, enquanto a Apple garante que o projeto alcance um público global por meio de sua plataforma.
