Morre Wlamir Marques, lenda do basquete brasileiro, aos 87 anos em São Paulo

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wlamir marques Foto: wlamir marques - Foto: Diivulgação/Corinthians

Wlamir Marques, um dos maiores ícones do basquete brasileiro e mundial, faleceu aos 87 anos nesta terça-feira, 18 de março, em São Paulo. Conhecido como “Diabo Loiro” durante sua carreira como jogador, ele deixou um legado imensurável no esporte, marcado por conquistas históricas e uma habilidade que encantou gerações. Internado por um período na UTI de um hospital particular na capital paulista, o ex-atleta não resistiu, encerrando uma trajetória que o coloca entre os pilares da chamada “geração de ouro” do basquete nacional. Sua morte gerou comoção entre fãs, atletas e entidades esportivas, que destacaram sua contribuição para o esporte no Brasil e no mundo.

A Confederação Brasileira de Basketball lamentou profundamente a perda, descrevendo Wlamir como um símbolo eterno do basquete. Nascido em São Vicente, no litoral paulista, ele se destacou como ala-armador e conquistou títulos que elevaram o Brasil ao topo do cenário internacional. Bicampeão mundial em 1959 e 1963, além de medalhista olímpico, Wlamir tinha uma capacidade única de “flutuar” em quadra, como lembrado por muitos que o viram jogar. Sua partida deixa um vazio no esporte, mas também reacende a memória de suas façanhas.

Considerado por muitos o maior jogador brasileiro de todos os tempos ao lado de nomes como Oscar Schmidt, Wlamir Marques foi mais do que um atleta: ele foi um embaixador do basquete. Sua influência transcendeu as quadras, inspirando jovens e consolidando o Brasil como potência no esporte durante as décadas de 1950 e 1960. A notícia de seu falecimento rapidamente se espalhou, com homenagens surgindo de todos os cantos do país e até do exterior.

Trajetória brilhante de um ícone das quadras

Nascido em 16 de julho de 1937, Wlamir Marques começou sua jornada no basquete ainda jovem, em São Vicente, onde já demonstrava talento precoce. Sua carreira decolou ao ingressar no Corinthians, clube pelo qual se tornou ídolo e onde viveu alguns de seus melhores momentos como jogador. Foi no Parque São Jorge, ginásio que hoje leva seu nome, que ele consolidou sua fama de “Disco Voador”, apelido dado por sua leveza e agilidade em direção à cesta. Ao longo dos anos, defendeu também o XV de Piracicaba, outro time importante em sua história, antes de fazer história com a seleção brasileira.

O auge de sua carreira veio com os títulos mundiais de 1959, no Chile, e 1963, no Brasil. No primeiro, ele foi peça-chave na vitória sobre a União Soviética, uma potência da época, ajudando o Brasil a conquistar o ouro em uma campanha memorável. Quatro anos depois, em casa, repetiu o feito, sendo novamente protagonista em um time que contava com outros grandes nomes, como Amaury Pasos, falecido em dezembro de 2024 aos 89 anos. Esses triunfos marcaram uma era de domínio brasileiro no basquete, algo que Wlamir ajudou a construir com sua técnica apurada e liderança em quadra.

Além dos mundiais, Wlamir brilhou nos Jogos Olímpicos, conquistando duas medalhas de bronze: em Roma 1960 e Tóquio 1964. Sua versatilidade como jogador, aliada a uma visão de jogo impressionante, o tornava um adversário temido e um companheiro admirado. Fora das quadras, ele também deixou sua marca como comentarista esportivo, compartilhando seu conhecimento e paixão pelo basquete com novas gerações.

Legado eterno celebrado por gerações

A morte de Wlamir Marques reacendeu debates sobre seu impacto no esporte brasileiro. Considerado um dos maiores atletas da história do país, ele foi homenageado em vida de diversas formas, como o lançamento de uma miniatura realista pela CBB Store em fevereiro de 2024. O evento, realizado no ginásio que leva seu nome, contou com a presença do próprio Wlamir e de sua família, em um momento de celebração que agora ganha tons de saudade. A miniatura retratava sua icônica jogada de “flutuação” rumo à cesta, inspirada em uma foto do Mundial de 1959.

Homenagens póstumas não tardaram a surgir. A Confederação Brasileira de Basketball destacou que “o Disco Voador decolou pela última vez, com destino à eternidade”, enquanto fãs e ex-jogadores lembraram sua importância. Clubes como Corinthians e XV de Piracicaba, onde Wlamir fez história, divulgaram notas de pesar, exaltando o jogador que elevou o nome das equipes ao cenário nacional e internacional. Sua influência também foi reconhecida por entidades mundiais, como a FIBA, que o colocou entre os grandes nomes do basquete global.

Entre os feitos que eternizam Wlamir, estão suas atuações decisivas em competições internacionais e sua capacidade de inspirar. Diferente de outros ídolos, ele combinava talento natural com uma dedicação incansável, algo que o levou a ser comparado a lendas como Bill Russell e Jerry West em sua época. Sua história é um lembrete do potencial do esporte brasileiro quando apoiado por figuras como ele.

Momentos marcantes da carreira de Wlamir Marques

Relembrar a trajetória de Wlamir Marques é revisitar alguns dos capítulos mais gloriosos do basquete brasileiro. Sua participação nos Mundiais de 1959 e 1963 é frequentemente citada como o ápice de sua carreira. No Chile, em 1959, ele liderou o Brasil a uma vitória histórica contra a União Soviética por 62 a 58 na final, em um jogo que demonstrou a força coletiva e individual do time verde-amarelo. Já em 1963, no Rio de Janeiro, foi novamente decisivo, ajudando o Brasil a derrotar os Estados Unidos na final por 85 a 81, em uma revanche que consolidou o bicampeonato.

Aqui estão alguns dos principais marcos de sua carreira:

  • Mundial de 1959: Liderança na campanha invicta do Brasil, com vitória sobre a União Soviética na final.
  • Mundial de 1963: Protagonismo no bicampeonato em casa, com destaque na vitória contra os EUA.
  • Olimpíadas: Medalhas de bronze em 1960 e 1964, sendo um dos principais pontuadores brasileiros.
  • Clubes: Títulos e idolatria no Corinthians e no XV de Piracicaba, onde deixou sua marca.

Esses momentos mostram como Wlamir foi essencial para colocar o Brasil no mapa do basquete mundial, em uma época em que o esporte ainda buscava espaço no país.

Cronologia de uma vida dedicada ao esporte

A vida de Wlamir Marques pode ser contada por meio de datas e eventos que marcaram sua passagem pelo basquete. Segue um panorama de sua trajetória:

  • 1937: Nasce em São Vicente, São Paulo, em 16 de julho.
  • Década de 1950: Início da carreira em clubes locais e ascensão no Corinthians.
  • 1959: Conquista o primeiro título mundial com o Brasil, no Chile.
  • 1960: Ganha o bronze nas Olimpíadas de Roma.
  • 1963: Bicampeão mundial no Rio de Janeiro.
  • 1964: Segunda medalha olímpica de bronze, em Tóquio.
  • Pós-carreira: Atua como comentarista esportivo, mantendo-se ligado ao basquete.
  • 2024: Homenageado com miniatura realista pela CBB Store.
  • 18 de março de 2025: Falece aos 87 anos em São Paulo.

Essa linha do tempo reflete uma vida inteiramente dedicada ao esporte, desde os primeiros dribles até o reconhecimento como lenda.

Influência de Wlamir no basquete moderno

Mesmo após encerrar a carreira como jogador, Wlamir Marques continuou influenciando o basquete brasileiro. Como comentarista, ele trouxe análises precisas e histórias que enriqueceram a compreensão do esporte no país. Sua voz era uma ponte entre a geração de ouro e os novos talentos, como Yago Mateus, que recentemente disputou as Eliminatórias da FIBA AmeriCup no ginásio Wlamir Marques. O espaço, reinaugurado em sua homenagem, tornou-se um símbolo de sua conexão com o esporte.

Jovens atletas frequentemente citam Wlamir como inspiração. Sua técnica, marcada por arremessos precisos e deslocamentos leves, ainda é estudada por treinadores e jogadores. O impacto de suas conquistas também abriu portas para o Brasil em competições internacionais, pavimentando o caminho para nomes como Oscar Schmidt e Hortência Marcari, que vieram depois dele. A era de Wlamir provou que o basquete brasileiro podia competir de igual para igual com as maiores potências.

Por fim, sua morte não apaga o brilho de sua história. O ginásio que leva seu nome, as medalhas que conquistou e as memórias de suas jogadas seguem como testemunhas de um legado que transcende o tempo. O basquete brasileiro perdeu um de seus maiores expoentes, mas ganhou um símbolo eterno.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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