Projeto de Lula eleva isenção de IR a R$ 5 mil e garante renda extra a 10 milhões

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Presidente Lula Foto: Presidente Lula - Foto: Ricardo Stuckert

Na terça-feira, 18 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o envio ao Congresso Nacional de um projeto de lei que promete transformar a vida financeira de milhões de brasileiros. A proposta amplia a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês, medida que, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, equivale a um 14º salário anual para trabalhadores nessa faixa. O texto, apresentado durante um evento na fábrica da Toyota em Sorocaba, São Paulo, também prevê descontos parciais para rendas entre R$ 5 mil e R$ 7 mil e uma tributação mínima para altas rendas, acima de R$ 600 mil por ano. Se aprovado ainda em 2025, o benefício entrará em vigor em 2026, alcançando cerca de 10 milhões de pessoas. A iniciativa reflete o compromisso do governo de aliviar a carga tributária da classe média e redistribuir a contribuição dos mais ricos, enquanto busca impulsionar a economia com mais dinheiro circulando entre os trabalhadores.

O anúncio foi feito em um momento estratégico, durante a divulgação de um investimento de R$ 11,5 bilhões da Toyota no Brasil até 2030, que inclui a produção de veículos híbridos-flex e a criação de 2 mil empregos diretos na região de Sorocaba. Lula aproveitou a ocasião para destacar a justiça social da medida, enfatizando que os 10 milhões de beneficiados terão o alívio financiado por apenas 141 mil brasileiros de alta renda. Já Haddad reforçou o impacto prático: para quem ganha entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, a economia anual será próxima de um salário mensal, um ganho significativo para famílias que dependem desses valores. A proposta agora depende do aval do Congresso, onde enfrentará uma tramitação que pode definir o futuro da política tributária do país.

Acompanhando o evento, trabalhadores da Toyota e moradores locais vibraram com as novidades, que unem promessas de mais empregos e um alívio financeiro concreto. A isenção até R$ 5 mil amplia ajustes já feitos pelo governo desde 2023, quando a faixa de isenção subiu de R$ 1.903,98 para R$ 2.824, com uma correção adicional prevista para R$ 3.036 em 2025. Com a nova medida, o salto para R$ 5 mil representa um avanço histórico na tabela do IR, que acumulava defasagem desde 1996, e coloca o Brasil mais próximo de um sistema tributário que protege a renda dos trabalhadores enquanto cobra mais de quem tem maior capacidade contributiva.

Alívio no bolso para milhões de brasileiros

Cerca de 10 milhões de contribuintes devem ser diretamente beneficiados pela isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil mensais. Para esses trabalhadores, o desconto do IR na folha de pagamento será zerado, aumentando o salário líquido a partir de 2026, caso o projeto seja aprovado dentro do prazo esperado pelo governo.

Entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, a proposta prevê um desconto parcial que diminui progressivamente, garantindo um benefício gradual. Isso significa que, mesmo quem ganha acima do limite de isenção total, ainda terá uma redução no imposto pago, aliviando o impacto tributário nessa faixa intermediária.

Quanto os trabalhadores vão ganhar a mais

Fernando Haddad detalhou o impacto da medida com exemplos claros. Para quem recebe entre R$ 4 mil e R$ 5 mil por mês, a economia ao longo de um ano pode chegar a quase R$ 4 mil, valor próximo de um salário mensal extra. Esse ganho, comparado a um 14º salário, foi destacado como um diferencial para famílias que enfrentam custos crescentes com moradia, alimentação e transporte.

Novo modelo tributário em detalhes

A proposta apresentada por Lula e Haddad reformula a estrutura do Imposto de Renda com duas frentes principais. A primeira é a isenção total para rendas até R$ 5 mil mensais, que zera o tributo para cerca de 10 milhões de pessoas. A segunda é o desconto progressivo para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, ajustando o imposto de forma a suavizar a transição entre as faixas. Para financiar essa perda estimada em R$ 27 bilhões anuais, o governo aposta na tributação mínima de altas rendas, que alcançará 141 mil contribuintes com ganhos superiores a R$ 600 mil por ano.

Essa tributação mínima incide sobre rendimentos hoje isentos, como dividendos distribuídos por empresas, mas só para valores acima de R$ 600 mil anuais, ou R$ 50 mil mensais. A alíquota será progressiva, começando em faixas menores e chegando a 10% para rendas acima de R$ 1,2 milhão por ano. Rendimentos como poupança, heranças e indenizações ficam fora do cálculo, garantindo que apenas os mais ricos sejam impactados. A medida visa corrigir uma distorção: atualmente, esses contribuintes pagam uma alíquota efetiva média de apenas 2,54%, muito abaixo dos 27,5% aplicados a salários de classe média.

A tabela atual do IR, em vigor desde 2024, isenta rendas até R$ 2.824 mensais e aplica alíquotas que crescem até 27,5% para valores acima de R$ 4.664,68. Com a correção para R$ 3.036 em 2025 e a ampliação para R$ 5 mil em 2026, o governo busca atualizar um sistema que penalizava trabalhadores enquanto deixava brechas para os mais ricos. A meta é manter a arrecadação estável, redistribuindo a carga tributária de forma mais equitativa.

Etapas da tramitação no Congresso

O caminho do projeto no Congresso será decisivo para sua implementação. Confira o cronograma básico do processo legislativo:

  • Início na Câmara dos Deputados: O texto passa primeiro pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e pode ser analisado por outras comissões ou uma comissão especial, a critério do presidente da Casa, Hugo Motta.
  • Votação no Senado: Após aprovação na Câmara, o projeto segue para o Senado, onde pode sofrer alterações e voltar à Câmara se modificado.
  • Sanção presidencial: Com o texto final aprovado, Lula sanciona a lei, podendo vetar trechos antes da publicação.

O governo trabalha para que a aprovação ocorra em 2025, garantindo a entrada em vigor em 2026. Qualquer atraso, porém, pode jogar o benefício para 2027, devido às regras tributárias que exigem um ano de transição.

Impacto econômico e social da medida

A isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil deve injetar bilhões de reais na economia ao aumentar o salário líquido de 10 milhões de trabalhadores. Para uma renda de R$ 5 mil mensais, o fim do desconto de cerca de R$ 312,89 por mês representa um ganho anual de R$ 3.754,68, dinheiro que pode impulsionar o consumo em setores como varejo, serviços e construção. Esse efeito multiplicador é visto pelo governo como um estímulo à recuperação econômica, especialmente em um contexto de inflação e aumento do custo de vida.

A tributação mínima de altas rendas, por sua vez, arrecadará os R$ 27 bilhões perdidos com as isenções, mantendo o equilíbrio fiscal. A medida atinge apenas 0,13% dos contribuintes, mas foca em um grupo que concentra significativa parcela da riqueza nacional. Além do aspecto financeiro, o projeto carrega um simbolismo político: Lula reforça sua narrativa de justiça social, beneficiando a classe média e baixa enquanto cobra mais dos super-ricos, uma promessa central de sua campanha em 2022.

O anúncio na Toyota, em Sorocaba, também conecta a medida tributária a investimentos produtivos. Os R$ 11,5 bilhões da montadora, que criarão 2 mil empregos diretos e 10 mil indiretos até 2030, mostram como o governo busca alinhar alívio fiscal com geração de trabalho. A nova linha de veículos híbridos-flex reforça a aposta em tecnologia sustentável, combinando eletrificação e biocombustíveis, um diferencial brasileiro no mercado global.

Benefícios práticos para os trabalhadores

Os ganhos com a isenção do IR vão além dos números. Veja alguns exemplos de como a medida afeta diferentes faixas de renda:

  • R$ 4 mil mensais: Economia de cerca de R$ 3 mil por ano, quase um salário extra.
  • R$ 5 mil mensais: Ganho anual de R$ 3.754,68, equivalente a um 14º salário.
  • R$ 6 mil mensais: Desconto parcial reduz o IR de R$ 574,29 para R$ 417,85 por mês.

Esses valores mostram o impacto direto no orçamento familiar, permitindo mais flexibilidade para despesas essenciais ou investimentos pessoais.

Desafios políticos pela frente

Aprovar o projeto no Congresso não será tarefa simples. Na Câmara, Hugo Motta pode optar por acelerar a votação com um requerimento de urgência ou deixar o texto passar por várias comissões, o que levaria meses. No Senado, o processo pode ser igualmente demorado, especialmente se houver resistência de parlamentares ligados a setores empresariais, que podem questionar a tributação de dividendos. Alterações no texto exigiriam nova análise na Câmara, prolongando a tramitação.

O prazo de 2025 é crucial, pois mudanças tributárias só valem no ano seguinte à sanção. Se o projeto atrasar para 2026, os trabalhadores só sentirão o alívio em 2027, o que pode gerar frustração entre os beneficiários. A pressão popular e a articulação do governo com líderes partidários serão determinantes para o sucesso da proposta.

Contexto da reforma tributária no Brasil

O sistema tributário brasileiro é conhecido por sua complexidade e regressividade, taxando mais o consumo do que a renda e o patrimônio. A tabela do IR, sem correção integral desde 1996, acumulou uma defasagem superior a 130% até 2023, quando Lula começou a ajustá-la. A isenção até R$ 5 mil é um passo significativo, mas ainda há quem defenda uma reforma mais ampla, incluindo a redução de impostos indiretos, como ICMS e IPI, que pesam no bolso dos mais pobres.

A tributação mínima de altas rendas segue uma tendência internacional de cobrar mais dos super-ricos, como visto em países como Estados Unidos e Alemanha. No Brasil, a medida atinge um grupo pequeno, mas estratégico, que hoje escapa de contribuir proporcionalmente à sua capacidade. Com isso, o governo busca um sistema mais justo, embora os efeitos completos só sejam visíveis após a implementação.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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