A Sexta-Feira Santa, um dos feriados mais significativos para os cristãos no Brasil, será celebrada em 18 de abril de 2025, marcando o ápice da Semana Santa. Tradicionalmente dedicada à reflexão sobre a crucificação de Jesus Cristo, a data é feriado nacional e mobiliza fiéis em celebrações religiosas, como a Via Sacra e a Adoração da Cruz, enquanto também impulsiona o turismo em cidades conhecidas por suas encenações e festividades. Por ser uma data móvel, calculada com base no calendário lunar, ela varia entre março e abril, e, em 2025, cai estrategicamente próxima ao feriado de Tiradentes, em 21 de abril, prometendo um fim de semana prolongado para muitos brasileiros. Neste ano, a coincidência de datas deve aquecer o comércio e o setor de viagens, especialmente em destinos históricos e religiosos.
Com raízes profundas na tradição cristã, a Sexta-Feira Santa é parte do Tríduo Pascal, que começa na Quinta-Feira Santa e culmina no Domingo de Páscoa. No Brasil, o dia é marcado por silêncio litúrgico, jejuns e ritos que relembram o sacrifício de Cristo, como a cerimônia da Paixão do Senhor, realizada às 15 horas, horário associado à morte de Jesus na cruz. Além do aspecto espiritual, o feriado impacta a rotina do país: escolas, bancos e serviços públicos fecham, enquanto shoppings e supermercados operam em horários reduzidos, dependendo da região. A data também é conhecida pelo consumo tradicional de peixes, uma prática herdada da abstenção de carne vermelha durante a Quaresma.
Em 2025, a Sexta-Feira Santa ganha destaque extra por anteceder o feriado de Tiradentes, na segunda-feira seguinte. Essa proximidade cria uma janela de quatro dias de folga para quem trabalha em setores que respeitam os feriados nacionais, incentivando viagens curtas e encontros familiares. Cidades como Nova Jerusalém, em Pernambuco, e Ouro Preto, em Minas Gerais, já se preparam para receber visitantes atraídos por suas encenações da Paixão de Cristo e pela riqueza cultural que cerca o período.
Origem histórica da Sexta-Feira Santa e sua evolução
As origens da Sexta-Feira Santa remontam aos primeiros séculos do cristianismo, quando a celebração da Páscoa Judaica foi reinterpretada pelos cristãos para lembrar a morte e ressurreição de Jesus. No século IV, com a expansão do cristianismo no Império Romano, a Semana Santa foi estruturada, destacando cada dia com significados próprios. A Sexta-Feira da Paixão, como também é chamada, tornou-se um momento de luto e penitência, simbolizando o sacrifício de Cristo como redenção da humanidade, uma ideia reforçada pela associação com o cordeiro pascal da tradição judaica.
No Brasil, a data chegou com os colonizadores portugueses e se consolidou ao longo dos séculos, mesclando ritos católicos com costumes locais. Hoje, a Sexta-Feira Santa é reconhecida como feriado nacional desde a promulgação do Decreto-Lei nº 9.335, de 1946, que regulamentou os feriados civis e religiosos no país. Sua data móvel é determinada pelo calendário lunar: celebra-se na sexta-feira que antecede o primeiro domingo após a primeira lua cheia do equinócio de primavera no Hemisfério Norte, conhecida como Lua Cheia Pascal. Em 2025, esse cálculo posiciona a Páscoa em 20 de abril, definindo assim o 18 como o dia da crucificação.
A evolução da Sexta-Feira Santa no Brasil também reflete mudanças culturais. Enquanto no passado o foco era quase exclusivamente religioso, com igrejas lotadas e ruas silenciosas, atualmente o feriado ganhou um caráter duplo: para os fiéis, é tempo de oração e recolhimento; para outros, uma oportunidade de descanso ou lazer. Essa dualidade é visível nas programações regionais, que vão desde procissões solenes até eventos turísticos que atraem milhares de pessoas.
Tradições religiosas marcam o dia em todo o país
Por todo o Brasil, a Sexta-Feira Santa é celebrada com práticas que reforçam seu caráter solene. Nas igrejas católicas, não há missas, mas sim cerimônias como a Liturgia da Paixão, que inclui a leitura do Evangelho, a veneração da cruz e a distribuição da comunhão. Em muitas cidades, a Via Sacra ganha as ruas, com fiéis encenando as 14 estações que representam o caminho de Jesus até a crucificação. Lugares como Salvador, na Bahia, e São João del-Rei, em Minas Gerais, destacam-se por suas procissões históricas, que atraem tanto devotos quanto curiosos.
Além dos ritos oficiais, costumes populares também têm espaço. O jejum de carne vermelha, por exemplo, é amplamente seguido, dando lugar a pratos à base de peixe, como a tradicional moqueca ou o bacalhau. Em algumas regiões, famílias preparam a “canjica salgada”, uma receita típica da Quaresma que varia de acordo com os ingredientes locais. Essas tradições alimentares, somadas às práticas religiosas, criam uma atmosfera única que diferencia o feriado de outros no calendário brasileiro.
Calendário da Semana Santa em 2025
A Semana Santa de 2025 terá um cronograma específico, influenciando feriados e pontos facultativos no Brasil. Veja as datas principais:
- 13 de abril (domingo): Domingo de Ramos, início oficial da Semana Santa.
- 17 de abril (quinta-feira): Quinta-Feira Santa, com celebrações da Última Ceia.
- 18 de abril (sexta-feira): Sexta-Feira Santa, feriado nacional.
- 19 de abril (sábado): Sábado de Aleluia, dia de vigília.
- 20 de abril (domingo): Domingo de Páscoa, celebração da ressurreição.
Esse calendário culmina no feriado prolongado, já que o Dia de Tiradentes, em 21 de abril, cai numa segunda-feira. A sequência de datas favorece planos de viagem e descanso, especialmente para quem aproveita os dias livres para visitar cidades históricas ou participar de eventos religiosos.
Impacto econômico e turístico do feriado prolongado
O feriado de Sexta-Feira Santa em 18 de abril, seguido pelo Dia de Tiradentes, deve gerar um impacto significativo na economia brasileira, especialmente no setor de turismo. Em 2024, o feriado da Semana Santa movimentou cerca de R$ 6,7 bilhões em viagens domésticas, segundo estimativas do Ministério do Turismo, e a expectativa para 2025 é ainda maior devido à extensão do fim de semana. Destinos como Gramado, no Rio Grande do Sul, e Aparecida, em São Paulo, já registram alta procura por reservas em hotéis e pousadas.
Cidades que promovem encenações da Paixão de Cristo, como Nova Jerusalém, em Pernambuco, esperam receber milhares de visitantes. O espetáculo ao ar livre, considerado um dos maiores do mundo, atraiu mais de 70 mil pessoas em edições anteriores e é um dos pontos altos do turismo religioso no país. Em Minas Gerais, Ouro Preto e Congonhas também se preparam para procissões e celebrações que combinam fé e história, atraindo turistas interessados na arquitetura colonial e nas tradições locais.
O comércio, por outro lado, sente efeitos mistos. Enquanto lojas de rua e supermercados operam em horários reduzidos ou fecham, o setor de alimentação, como peixarias e restaurantes especializados em frutos do mar, registra aumento nas vendas. Em 2024, o consumo de peixe durante a Semana Santa cresceu 15% em relação ao restante do ano, e a tendência deve se repetir em 2025, beneficiando pescadores e pequenos comerciantes.
Feriados e pontos facultativos após abril
Após a Sexta-Feira Santa, o calendário de 2025 reserva outros feriados e pontos facultativos que influenciam a rotina dos brasileiros. Confira os principais:
- 21 de abril (segunda-feira): Tiradentes, feriado nacional.
- 1º de maio (quinta-feira): Dia Mundial do Trabalho, feriado nacional.
- 19 de junho (quinta-feira): Corpus Christi, ponto facultativo.
- 7 de setembro (domingo): Independência do Brasil, feriado nacional.
- 12 de outubro (domingo): Nossa Senhora Aparecida, feriado nacional.
Essas datas, divulgadas pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, mostram um ano com feriados bem distribuídos, embora alguns caiam em fins de semana, reduzindo os dias de folga prolongada. A proximidade entre Sexta-Feira Santa e Tiradentes, no entanto, destaca abril como um mês estratégico para o turismo e o descanso.
Cidades brasileiras que celebram a data com destaque
Várias cidades brasileiras transformam a Sexta-Feira Santa em um evento que une fé, cultura e turismo. Em Nova Jerusalém, no município de Brejo da Madre de Deus, Pernambuco, a encenação da Paixão de Cristo é realizada em um teatro a céu aberto com cenários que reproduzem Jerusalém. O evento, que ocorre durante toda a Semana Santa, mobiliza atores locais e famosos, atraindo público de todo o país. Em 2024, foram vendidos mais de 60 mil ingressos, e a edição de 2025 promete superar esse número.
Já em Ouro Preto, Minas Gerais, as ruas de pedra se enchem de fiéis para procissões que remontam ao período colonial. A cidade, Patrimônio Cultural da Humanidade, usa suas igrejas barrocas como palco para celebrações que incluem tapetes de serragem colorida e cânticos tradicionais. Outro destaque é Aparecida, no interior de São Paulo, onde o Santuário Nacional recebe peregrinos que participam de missas e vigílias, reforçando o caráter espiritual do feriado.
No Nordeste, Salvador mantém viva a tradição das procissões noturnas, com destaque para a imagem do Senhor Morto, carregada pelas ruas do Pelourinho. Essas celebrações, que misturam devoção e elementos da cultura afro-brasileira, mostram como a Sexta-Feira Santa se adaptou às identidades regionais, tornando-se um momento de união e expressão popular em diferentes partes do Brasil.

