Na última quinta-feira, 20 de março, o cinema brasileiro ganhou destaque com a chegada de Maré Alta, filme que marca a estreia de Marco Pigossi como protagonista em uma produção internacional. Dirigido por seu marido, o italiano Marco Calvani, o longa, já em cartaz no Brasil, apresenta o ator em um papel desafiador, interpretando Lourenço, um brasileiro que deixa o país para recomeçar a vida em Provincetown, nos Estados Unidos. A trama, que explora amor, sexualidade e autoconhecimento, coloca Pigossi em cenas de nudez e intimidade ao lado do ator americano James Bland, que vive Maurice, um enfermeiro por quem Lourenço se apaixona. Com 1h40 de duração, o filme mistura narrativa emocional e visual impactante, conquistando o público e a crítica, além de uma indicação ao GLAAD Awards, conhecido como o “Oscar Queer”.
O evento de lançamento no Brasil trouxe à tona as reflexões de Pigossi sobre o projeto, que ele considera um marco pessoal e profissional. A parceria com Calvani, iniciada em 2018, quando o ator se mudou para Los Angeles, floresceu tanto no âmbito criativo quanto no afetivo, culminando no casamento dos dois em 2024. Durante a produção, o casal transformou Maré Alta em um trabalho conjunto, descrito por Pigossi como “nosso primeiro filho”. A experiência, segundo ele, foi um mergulho profundo em sua própria identidade, tocando em questões como homofobia internalizada e a descoberta da sexualidade, temas que ressoam tanto no personagem quanto na vida do ator.
Além do impacto pessoal, o filme se destaca por sua abordagem sensível e natural sobre a comunidade LGBTQIAP+. A indicação ao GLAAD Awards reforça o reconhecimento internacional da obra, que compete em uma premiação dedicada a celebrar narrativas inclusivas. A noite de estreia no Brasil foi marcada por uma exibição especial, onde Pigossi pôde sentir a reação de um público que o acompanha desde suas atuações em novelas da TV Globo, como Fina Estampa e A Regra do Jogo.
Lourenço reflete jornada de autodescoberta
Marco Pigossi dá vida a Lourenço, um faxineiro brasileiro que, após o fim de um relacionamento, busca um novo começo em Provincetown, cidade conhecida por sua atmosfera acolhedora à comunidade LGBTQIAP+. Na trama, ele conhece Maurice, um enfermeiro interpretado por James Bland, e juntos vivem um romance que vai além da paixão, explorando a intimidade de maneira delicada e poderosa. As cenas de sexo, dirigidas com cuidado por Marco Calvani, são parte essencial da narrativa, retratando a transição de Lourenço de experiências marcadas por violência a uma conexão baseada em respeito e afeto.
O personagem carrega traços de vulnerabilidade e força, refletidos em sua origem em uma família conservadora e religiosa. A direção de Calvani buscou desconstruir a noção de pecado associada à sexualidade, trazendo uma visão de divindade ao corpo e ao toque. Pigossi destaca que Lourenço aprende, ao longo do filme, o que significa uma relação verdadeira, um processo que ecoou em sua própria vida durante as filmagens.
Parceria com James Bland eleva química na tela
A sintonia entre Pigossi e James Bland foi um dos pilares do sucesso de Maré Alta. Apesar do pouco tempo de preparação antes das filmagens, os dois atores construíram uma relação de confiança que transparece nas cenas. Bland, que também traz vivências pessoais ao papel de Maurice, abraçou a história com entusiasmo, conectando-se às lutas e às vitórias do personagem. A colaboração foi fundamental para as sequências mais íntimas, gravadas com um set reduzido e a presença de um coordenador de intimidade, prática exigida pelo sindicato nos Estados Unidos para garantir o conforto dos atores.
Marco Calvani dirige com sensibilidade e visão
Marco Calvani, cineasta italiano e marido de Pigossi, assina a direção de Maré Alta com um olhar atento à celebração da intimidade. O roteiro, que começou a ser escrito antes de seu relacionamento com o ator, ganhou nova forma com a contribuição de Pigossi, especialmente na construção de Lourenço. A narrativa reflete a experiência de ambos, que se conheceram em 2018 em Los Angeles e decidiram unir forças no projeto. Calvani trouxe uma estética que valoriza a beleza do corpo e a sutileza das relações, evitando estereótipos e focando na humanidade dos personagens.
O diretor tinha como objetivo resgatar uma espiritualidade positiva na sexualidade, afastando-se de visões punitivas enraizadas em contextos religiosos. A escolha de Provincetown como cenário, uma cidade americana famosa por sua liberdade cultural, reforça essa mensagem de libertação. As filmagens, realizadas em 2024, contaram com uma equipe reduzida nas cenas mais sensíveis, garantindo um ambiente de respeito e segurança para o elenco.
Cenas de nudez desafiam Pigossi em novo território
Interpretar Lourenço exigiu que Marco Pigossi saísse de sua zona de conforto, especialmente nas cenas de nudez e sexo que permeiam o filme. O ator, que já havia explorado papéis intensos em séries como Cidade Invisível, enfrentou pela primeira vez uma sequência íntima com outro homem nas telas. Ele descreve o processo como um misto de exposição e aprendizado, destacando o cuidado da equipe e a presença do coordenador de intimidade para tornar as gravações confortáveis. Mesmo assim, Pigossi admite ter sentido um frio na barriga ao assistir ao filme com o público brasileiro, acostumado a vê-lo em papéis mais tradicionais.
A naturalidade das cenas, segundo o ator, foi essencial para a história. Ele explica que a nudez e o sexo não são gratuitos, mas sim ferramentas narrativas que mostram a evolução de Lourenço, de um homem inseguro a alguém que abraça sua liberdade. A reação nos Estados Unidos, onde o público não o conhecia previamente, foi mais tranquila para Pigossi, mas no Brasil o impacto foi maior, reacendendo memórias de sua trajetória na televisão.
Cronograma de Maré Alta no Brasil e no mundo
Maré Alta já está em exibição nos cinemas brasileiros desde 20 de março, mas sua jornada começou antes no circuito internacional. Veja os principais marcos da produção:
- 2018: Marco Pigossi se muda para Los Angeles e conhece Marco Calvani, que já trabalhava no roteiro inicial.
- 2024: Filmagens são realizadas em Provincetown, e o casal se casa no mesmo ano.
- 20 de março de 2025: Estreia oficial nos cinemas do Brasil.
- GLAAD Awards 2025: O filme concorre à premiação, com cerimônia prevista para abril.
A distribuição no Brasil é acompanhada de uma campanha que destaca a representatividade da trama, enquanto nos Estados Unidos o longa já circula em festivais e plataformas digitais.
Filme concorre ao GLAAD Awards e orgulha comunidade
A indicação de Maré Alta ao GLAAD Awards, uma das premiações mais respeitadas no meio LGBTQIAP+, colocou o filme em evidência mundial. O evento, que ocorrerá em abril, celebra produções que amplificam vozes historicamente marginalizadas, e a presença do longa na disputa é vista por Pigossi como uma vitória, independentemente do resultado. Ele enfatiza a importância de ser reconhecido por uma organização que luta pela visibilidade da comunidade, um marco para sua carreira internacional.
O filme compete com outras produções de peso, mas já se destaca por sua abordagem honesta e pela dupla perspectiva de Pigossi e Calvani, que unem Brasil e Itália em uma narrativa universal. A expectativa é que a premiação traga ainda mais atenção ao longa, que tem potencial para alcançar novos públicos em plataformas de streaming após o circuito nos cinemas.
Autoconhecimento marca a experiência de Pigossi
Viver Lourenço foi mais do que um papel para Marco Pigossi; foi um processo de cura e reflexão. O ator relata que as filmagens coincidiam com um momento de descoberta em sua vida pessoal, enquanto iniciava seu relacionamento com Calvani. Ele e o personagem compartilham paralelos, como a saída do Brasil e a busca por identidade em um novo país. Para Pigossi, Maré Alta celebra a liberdade do corpo e do toque, algo que ele próprio estava aprendendo a abraçar durante a produção.
A experiência também o fez revisitar sua criação em uma sociedade marcada por preconceitos. Vindo de uma geração que associava sexualidade diversa a pecado e punição, Pigossi vê na arte uma forma de desconstruir essa homofobia internalizada. Ele destaca que, embora a cura seja um processo contínuo, o filme foi um passo significativo nessa jornada, tanto para ele quanto para o público que se identifica com a história.
Detalhes que enriquecem a trama de Maré Alta
Maré Alta traz elementos que aprofundam sua narrativa e conectam o espectador à história. Confira alguns aspectos marcantes:
- A escolha de Provincetown como locação reflete a liberdade e a diversidade da trama.
- Cenas de sexo são filmadas com foco na beleza e na conexão, sem apelação.
- A trilha sonora, minimalista, destaca os momentos de silêncio e intimidade.
- O figurino de Lourenço evolui, simbolizando sua transformação ao longo do filme.
- A parceria entre Pigossi e Bland é reforçada por improvisos que trouxeram autenticidade às cenas.
Esses detalhes mostram o cuidado na construção do longa, que vai além do entretenimento e propõe uma reflexão sobre amor e aceitação.
Impacto no Brasil reflete nova fase do ator
Exibir Maré Alta no Brasil trouxe uma camada extra de emoção para Marco Pigossi. Acostumado a papéis em novelas que alcançaram milhões de telespectadores, ele enfrentou o desafio de apresentar um trabalho mais autoral e ousado ao público local. A estreia em 20 de março foi acompanhada por sessões lotadas e debates sobre a representatividade do filme, que chega em um momento em que o cinema nacional busca ampliar vozes diversas.
A reação do público brasileiro, segundo Pigossi, foi um misto de surpresa e acolhimento. Ele nota que as cenas íntimas, embora inicialmente nervosas para ele, foram recebidas como parte essencial da narrativa, provando que o Brasil está pronto para abraçar histórias que fogem do convencional. A trajetória de Pigossi, que começou em produções como Caras & Bocas e agora alcança o cinema internacional, simboliza uma maturidade artística que Maré Alta consagra.
