Ednaldo Rodrigues é reeleito presidente da CBF com 100% dos votos em chapa única no Rio

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Ednaldo Rodrigues Foto: Ednaldo Rodrigues - Foto: Celso Pupo / Shutterstock.com

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) reelegeu Ednaldo Rodrigues como presidente em uma votação realizada na tarde de 24 de março de 2025, na sede da entidade, no Rio de Janeiro. Com chapa única intitulada “Por um Futebol Mais Inclusivo e Sem Discriminação de Qualquer Natureza”, ele obteve 100% dos votos do colégio eleitoral, formado por representantes das 27 federações estaduais e clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. O mandato, que vai de março de 2026 a março de 2030, consolida a liderança de Rodrigues, que comanda a entidade desde 2021 e enfrentou desafios judiciais e políticos nos últimos anos. A eleição, sem concorrentes, reflete a força de sua articulação entre federações e clubes, contrastando com a tentativa frustrada de candidatura do ex-jogador Ronaldo Nazário.

O processo eleitoral transcorreu em três etapas distintas, seguindo as regras estatutárias da CBF. Primeiro, os presidentes das 27 federações depositaram seus votos, que possuem peso 3 no sistema de votação. Em seguida, foi a vez dos 20 dirigentes dos clubes da Série A, cujos votos têm peso 2. Por fim, os 20 representantes da Série B votaram, com peso 1 cada. A ampla base de apoio a Rodrigues ficou evidente: todas as federações e 26 clubes das duas principais divisões do futebol nacional endossaram sua chapa antes mesmo do pleito, garantindo um resultado unânime.

Além da reeleição de Ednaldo Rodrigues, a assembleia definiu os nomes que ocuparão cargos estratégicos na CBF pelos próximos quatro anos. Oito vice-presidentes foram eleitos, além de três membros efetivos e três suplentes do Conselho Fiscal. A chapa apresentada por Rodrigues reflete uma composição que busca equilíbrio entre diferentes regiões do país e mantém aliados de peso no comando da entidade, fortalecendo sua gestão até 2030.

  • Apoio total: 27 federações estaduais e 26 clubes das Séries A e B votaram em Ednaldo Rodrigues.
  • Chapa única: “Por um Futebol Mais Inclusivo e Sem Discriminação de Qualquer Natureza” foi a única registrada.
  • Mandato: O novo ciclo vai de março de 2026 a março de 2030.

Trajetória de Ednaldo Rodrigues no comando do futebol brasileiro

Ednaldo Rodrigues assumiu a presidência da CBF em 2021, inicialmente de forma interina, após o afastamento de Rogério Caboclo, acusado de assédio moral e sexual. Antes disso, o dirigente baiano construiu uma sólida carreira no futebol. Ele presidiu a Federação Baiana de Futebol por 17 anos, entre 2001 e 2018, e foi vice-presidente da CBF na gestão de Caboclo. Sua eleição definitiva ocorreu em 23 de março de 2022, quando venceu um pleito também marcado por controvérsias, mas com amplo apoio das federações estaduais.

A gestão de Rodrigues enfrentou turbulências significativas. Em dezembro de 2023, ele foi afastado do cargo por decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que questionou a legalidade da eleição de 2022. O afastamento durou menos de um mês, pois, em janeiro de 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF), por meio de uma liminar do ministro Gilmar Mendes, o reconduziu à presidência. O caso gerou debates sobre a autonomia das entidades esportivas e o risco de sanções internacionais por parte da Fifa, que não reconhece intervenções judiciais em suas filiadas.

Desde então, Rodrigues trabalhou para estabilizar a entidade. Entre suas ações, destaca-se a demissão do técnico Fernando Diniz da Seleção Brasileira e a contratação de Dorival Júnior, em 2024, como parte de uma reformulação no comando técnico do time nacional. Sua reeleição em 2025 reforça a continuidade de uma gestão que prioriza parcerias com federações e a busca por maior inclusão no futebol brasileiro.

Como funciona o sistema eleitoral da CBF

O modelo de votação da CBF é estruturado para dar peso diferenciado aos participantes do colégio eleitoral. As 27 federações estaduais, que representam os interesses regionais do futebol, têm votos com peso 3, totalizando uma influência potencial de 81 pontos. Já os 20 clubes da Série A possuem votos com peso 2, somando 40 pontos, enquanto os 20 da Série B têm peso 1, contribuindo com 20 pontos. Esse sistema, que privilegia as federações, é alvo de críticas por limitar a participação dos clubes na escolha do presidente.

Para registrar uma chapa, o candidato precisa do apoio mínimo de quatro federações e quatro clubes das Séries A ou B. Em 2025, Ednaldo Rodrigues superou largamente esse requisito, obtendo o respaldo unânime das federações e de mais de 60% dos clubes votantes. A ausência de concorrentes no pleito evidencia a dificuldade de formar oposição nesse modelo, como ficou claro na desistência de Ronaldo Nazário.

A eleição de 2025 foi convocada oficialmente em 16 de março, com a data de 24 de março marcada para a assembleia. O processo seguiu rigorosamente o estatuto da CBF, alinhado às normas da Fifa e da Conmebol, o que garantiu sua legitimidade perante as entidades internacionais de futebol.

Ronaldo Fenômeno e o sonho frustrado de presidir a CBF

Ronaldo Nazário, conhecido como Fenômeno, ensaiou uma candidatura à presidência da CBF nas semanas que antecederam a eleição. O ex-jogador, bicampeão mundial com a Seleção Brasileira em 1994 e 2002, anunciou sua intenção em dezembro de 2024, prometendo uma gestão inovadora. Contudo, ele enfrentou dificuldades para reunir o apoio necessário. Sem o aval de ao menos quatro federações e quatro clubes, sua chapa não foi registrada, levando-o a desistir em 12 de março de 2025.

A desistência de Ronaldo foi acompanhada de um comunicado público. Ele lamentou a falta de respaldo e questionou a estrutura de poder da CBF, mas reconheceu a força do atual comando. Sua tentativa reacendeu o debate sobre a democratização do processo eleitoral da entidade, embora sem efeito prático no curto prazo. A última eleição com mais de um candidato na CBF ocorreu em 1989, quando Ricardo Teixeira derrotou Nabi Abi Chedid, evidenciando a raridade de disputas competitivas na história recente da confederação.

O episódio também expôs os desafios de outsiders no futebol brasileiro. Apesar de sua experiência como gestor – Ronaldo foi dono da SAF do Cruzeiro até 2024 –, ele não conseguiu superar o domínio das federações, que seguem alinhadas a Ednaldo Rodrigues.

Vice-presidentes eleitos para o novo mandato

A chapa de Ednaldo Rodrigues trouxe uma equipe renovada para os cargos de vice-presidência. Os oito nomes escolhidos representam diferentes regiões e federações, consolidando a base de apoio do presidente. São eles: Ricardo Nonato Macedo de Lima, Reinaldo Rocha Carneiro Bastos, Gustavo Oliveira Vieira, Gustavo Dias Henrique, Ednailson Leite Rozenha, Antônio Roberto Rodrigues Góes da Silva, Leomar de Melo Quintanilha e Rubens Renato Angelotti. Esses dirigentes terão papel crucial na gestão do futebol brasileiro até 2030.

Cada vice-presidente traz experiência em administração esportiva. Reinaldo Carneiro Bastos, por exemplo, preside a Federação Paulista de Futebol, uma das mais influentes do país, enquanto Rubens Angelotti tem histórico no futebol paranaense. A escolha reflete uma estratégia de Rodrigues para manter a coesão entre as federações e ampliar sua influência regional.

A eleição do Conselho Fiscal também foi concluída. Três membros efetivos e três suplentes foram definidos para fiscalizar as contas da CBF, garantindo transparência financeira no próximo quadriênio.

Cronologia da gestão de Ednaldo Rodrigues na CBF

A trajetória de Ednaldo Rodrigues na CBF é marcada por momentos de instabilidade e conquistas. Confira os principais eventos:

  • 2001-2018: Preside a Federação Baiana de Futebol por 17 anos.
  • 2021: Assume interinamente a CBF após o afastamento de Rogério Caboclo.
  • 23 de março de 2022: É eleito presidente em pleito oficial.
  • Dezembro de 2023: É afastado por decisão do TJ-RJ.
  • Janeiro de 2024: Retorna ao cargo por liminar do STF.
  • 24 de março de 2025: É reeleito para o mandato 2026-2030.

Impactos da reeleição no futebol brasileiro

Com a reeleição, Ednaldo Rodrigues terá mais quatro anos para implementar projetos no futebol nacional. Sua gestão tem como bandeiras o combate ao racismo e a inclusão social, temas destacados no nome de sua chapa. Além disso, ele deve enfrentar desafios como a modernização da Seleção Brasileira, que vive um momento de reformulação após resultados irregulares nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026.

A continuidade de Rodrigues também significa a manutenção do atual modelo de gestão da CBF, com forte influência das federações estaduais. Isso pode dificultar mudanças estruturais no sistema eleitoral, apesar das críticas de clubes e de figuras como Ronaldo Nazário. A relação com a Fifa e a Conmebol, por outro lado, tende a se manter estável, já que o pleito respeitou as diretrizes internacionais.

Outro ponto de atenção será o desempenho financeiro da entidade. Nos últimos anos, a CBF enfrentou questionamentos sobre gastos e atrasos em pagamentos, o que exige uma administração eficiente para evitar novas crises.

Números e curiosidades da eleição de 2025

A votação de 24 de março trouxe dados expressivos e alguns fatos interessantes sobre o processo:

  • 100% de aprovação: Ednaldo Rodrigues recebeu todos os votos válidos, algo raro em eleições de grande porte.
  • 26 clubes apoiadores: Apenas 14 dos 40 clubes das Séries A e B não declararam apoio prévio, mas todos votaram na chapa única.
  • Peso dos votos: As federações contribuíram com 81 dos 141 pontos possíveis na soma ponderada.
  • Histórico: Foi a segunda eleição consecutiva com chapa única sob o comando de Rodrigues.

Desafios e expectativas até 2030

Olhando para o futuro, Ednaldo Rodrigues terá pela frente a tarefa de equilibrar interesses entre clubes, federações e a Seleção Brasileira. A preparação para a Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, é uma prioridade. A competição será um teste para a gestão, especialmente após as mudanças no comando técnico da equipe nacional.

A CBF também precisará lidar com a pressão por maior transparência e participação dos clubes nas decisões. Apesar de sua vitória esmagadora, Rodrigues sabe que a ausência de oposição não elimina os desafios internos. A articulação política que garantiu sua reeleição será posta à prova nos próximos anos, especialmente em um cenário de crescente cobrança por resultados dentro e fora de campo.

A inclusão de novos vice-presidentes pode trazer fôlego à administração. Com representantes de diversas regiões, a CBF busca ampliar sua base de apoio e responder às demandas locais, como o fortalecimento de campeonatos estaduais e categorias de base. O sucesso dessas iniciativas dependerá da capacidade de Rodrigues de manter a unidade entre os dirigentes.

Legado de uma gestão consolidada

Ednaldo Rodrigues entra em seu segundo mandato efetivo com um legado já estabelecido. Primeiro nordestino e negro a presidir a CBF, ele quebrou barreiras históricas ao assumir o cargo em 2021. Sua permanência até 2030 reforça essa representatividade, mas também aumenta a responsabilidade de entregar resultados concretos para o futebol brasileiro.

Entre os feitos de sua gestão, estão a retomada da estabilidade institucional após os escândalos envolvendo Rogério Caboclo e a condução do futebol nacional em um período de transição. A aprovação unânime em 2025 mostra que, por ora, ele conseguiu unir as principais forças do esporte no país, ainda que sob um sistema criticado por sua falta de pluralidade.

O próximo quadriênio será decisivo para definir como Rodrigues será lembrado. Com a Seleção Brasileira em busca de retomar o protagonismo mundial e os clubes pressionando por mais influência, sua liderança enfrentará testes constantes até o fim do mandato.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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