Benefícios

Descubra como sacar até R$ 2,8 mil do PIS/PASEP esquecido sem vínculo em 2023

fgts pis pasep caixa
Foto: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A partir de março, trabalhadores e herdeiros têm a chance de resgatar valores esquecidos do antigo fundo PIS/PASEP, referentes ao período entre 1971 e 1988. Diferente do abono salarial tradicional, que exige vínculo empregatício em 2023, esse pagamento não depende de trabalho recente e pode chegar a uma média de R$ 2,8 mil por beneficiário. O Ministério da Fazenda lançou o portal REPIS para facilitar a consulta e o processo de solicitação, que agora exige atendimento presencial em agências bancárias. Estima-se que 10,5 milhões de pessoas possam acessar esses recursos, totalizando até R$ 29,4 bilhões até janeiro de 2026.

O programa, extinto em 2020, deixou um saldo significativo para quem atuou com carteira assinada há décadas. Muitos desconhecem a existência desses valores, acumulados em cotas individuais antes da transição para o modelo atual de abono salarial. A iniciativa do governo busca garantir que esses recursos cheguem aos titulares ou seus herdeiros, injetando bilhões na economia. Para isso, o processo foi ajustado: o que antes podia ser feito pelo aplicativo FGTS agora exige uma solicitação formal, presencial, na Caixa Econômica Federal ou no Banco do Brasil.

Enquanto o abono salarial de 2025 distribui R$ 30,7 bilhões a 24,4 milhões de trabalhadores com base no ano de 2023, as cotas esquecidas representam uma oportunidade distinta. Os dois programas, juntos, superam R$ 60 bilhões em pagamentos neste ano, impactando diretamente a renda de milhões. A seguir, um guia detalhado explica quem pode sacar, como consultar e os passos para liberar esses valores retidos há décadas.

O que são as cotas esquecidas do PIS/PASEP

Criado para complementar a renda de trabalhadores entre 1971 e 1988, o antigo fundo PIS/PASEP funcionava como uma espécie de poupança individual. Diferente do abono salarial atual, os valores eram depositados em cotas, que podiam ser sacados apenas em situações específicas, como aposentadoria ou doença grave. Com a mudança na Constituição Federal de 1988, os recursos das contribuições passaram a financiar programas como o seguro-desemprego e o abono salarial, encerrando os depósitos nas contas individuais em 1989.

Muitos trabalhadores não resgataram esses valores ao longo dos anos, seja por desconhecimento ou dificuldade de acesso. Em 2018, o governo flexibilizou as regras, permitindo saques irrestritos, e, em 2020, o fundo foi oficialmente extinto, com o patrimônio transferido para o FGTS. Desde então, campanhas tentam alertar a população, mas a adesão ainda é baixa. Hoje, o saldo remanescente está sob gestão do Tesouro Nacional, exigindo solicitação formal para liberação.

A estimativa é que cerca de 10,5 milhões de brasileiros, entre titulares e herdeiros, tenham direito a esses recursos. O valor médio de R$ 2,8 mil varia conforme o tempo de trabalho e a remuneração da época, podendo ser maior ou menor dependendo do caso. Até janeiro de 2026, o governo espera distribuir até R$ 29,4 bilhões, um montante que pode fazer diferença na vida de aposentados, herdeiros e famílias em vulnerabilidade.

Quem tem direito aos valores esquecidos

Nem todos os trabalhadores podem acessar as cotas do antigo PIS/PASEP. O benefício é restrito a quem atuou formalmente entre 1971 e 1988, período em que o fundo recebia depósitos. Isso inclui empregados do setor privado (PIS) e servidores públicos (PASEP) que tinham carteira assinada. Além disso, herdeiros de trabalhadores falecidos também podem solicitar o saque, desde que apresentem a documentação necessária.

O saque é único: quem já retirou os valores em anos anteriores não tem mais direito. Essa característica diferencia as cotas do abono salarial, pago anualmente a quem trabalhou ao menos 30 dias no ano-base (2023, para 2025). Para o fundo antigo, o critério é exclusivamente histórico, sem relação com empregos recentes. Assim, muitos beneficiários são aposentados ou familiares de quem já saiu do mercado de trabalho.

Aproximadamente 25 mil pedidos foram registrados desde setembro de 2023, quando os recursos foram transferidos para o Tesouro Nacional. O número reflete apenas uma fração do total estimado, indicando que milhões ainda desconhecem o benefício. O portal REPIS surge como ferramenta para ampliar o alcance, mas o processo presencial pode ser um obstáculo para alguns.

Passo a passo para consultar e sacar

Consultar os valores esquecidos tornou-se mais simples com o lançamento do portal REPIS em março. O sistema, desenvolvido pelo Ministério da Fazenda, permite verificar se há saldo disponível com poucos cliques. Depois disso, o saque exige uma etapa presencial, diferentemente do modelo anterior via aplicativo FGTS. Veja como proceder:

  • Acesse o site REPIS Cidadão e faça login com CPF e senha gov.br (níveis prata ou ouro).
  • Gere um código de acesso pelo aplicativo gov.br e insira o Número de Identificação Social (NIS), disponível na carteira de trabalho, extrato do FGTS ou Cartão Cidadão.
  • Pesquise para descobrir se há valores a receber; o sistema indicará os próximos passos.
  • Para o saque, vá a uma agência da Caixa (PIS) ou Banco do Brasil (PASEP) com documento de identificação; herdeiros precisam de documentos adicionais, como certidão de dependentes ou autorização judicial.

O processo exige atenção aos prazos: pedidos feitos até o final de cada mês têm datas de pagamento definidas, começando em 28 de março e indo até 26 de janeiro de 2026. A solicitação presencial é obrigatória desde que o acesso via FGTS foi descontinuado, o que gerou filas em agências e demanda por esclarecimentos.

Cronograma de pagamento das cotas

Os valores das cotas esquecidas seguem um calendário fixo, baseado na data do pedido. Quem solicita até o último dia de cada mês recebe no mês seguinte, conforme a tabela abaixo. O prazo final para saques é 26 de janeiro de 2026, e os pagamentos ocorrem sempre em dias úteis:

  • Até 28 de fevereiro: 28 de março (sexta-feira)
  • Até 31 de março: 25 de abril (sexta-feira)
  • Até 30 de abril: 26 de maio (segunda-feira)
  • Até 31 de maio: 25 de junho (quarta-feira)
  • Até 30 de junho: 25 de julho (sexta-feira)
  • Até 31 de julho: 25 de agosto (segunda-feira)
  • Até 31 de agosto: 25 de setembro (quinta-feira)
  • Até 30 de setembro: 27 de outubro (segunda-feira)
  • Até 31 de outubro: 25 de novembro (terça-feira)
  • Até 30 de novembro: 26 de dezembro (sexta-feira)
  • Até 31 de dezembro: 26 de janeiro de 2026 (segunda-feira)

Esse cronograma garante previsibilidade, mas exige agilidade de quem deseja receber ainda neste ano. Pedidos após 31 de dezembro serão pagos apenas em 2026, o que reforça a importância de consultar o quanto antes.

Diferenças entre cotas e abono salarial

Embora ambos sejam chamados de PIS/PASEP, as cotas esquecidas e o abono salarial têm propósitos distintos. O abono é um benefício anual, pago a quem trabalhou formalmente por pelo menos 30 dias em 2023, com remuneração média de até dois salários mínimos (R$ 2.640 na época). O valor, proporcional ao tempo trabalhado, varia de R$ 127 a R$ 1.518, com base no salário mínimo atual.

Já as cotas são um resgate único, vinculado a um período histórico (1971-1988), sem exigência de trabalho recente. Enquanto o abono injeta R$ 30,7 bilhões na economia em 2025, beneficiando 24,4 milhões de trabalhadores, as cotas podem liberar até R$ 29,4 bilhões para 10,5 milhões de pessoas. A gestão também difere: o abono é administrado pelo Ministério do Trabalho, com pagamentos automáticos via Caixa e Banco do Brasil, enquanto as cotas dependem de solicitação ao Tesouro Nacional.

Outro ponto é o público: o abono alcança trabalhadores ativos ou recém-desempregados, enquanto as cotas atendem majoritariamente aposentados e herdeiros. Essa dualidade amplia o impacto econômico dos programas, mas exige clareza para evitar confusão entre os beneficiários.

saque, caixa eletronico, pis, fgts
Foto: ImagensstockBRShutterstock

Impacto econômico dos saques

A liberação das cotas do PIS/PASEP tem potencial para movimentar a economia brasileira. Com até R$ 29,4 bilhões disponíveis, o montante pode estimular o consumo, especialmente em cidades menores, onde os recursos tendem a ser usados para necessidades básicas ou quitação de dívidas. Em Salesópolis (SP), por exemplo, trabalhadores e famílias já relatam planos para aproveitar o dinheiro extra.

Somado ao abono salarial, que distribui R$ 30,7 bilhões, o total supera R$ 60 bilhões em transferência de renda neste ano. Esse volume reflete o peso dos programas sociais na economia, especialmente para a população de baixa renda. Em 2024, o abono alcançou 25,6 milhões de pessoas, mas 239 mil deixaram de sacar R$ 218,9 milhões, valores que retornaram ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Especialistas apontam que os saques das cotas podem ter efeito imediato no comércio local, já que o dinheiro, parado há décadas, agora entra em circulação. O governo aposta na divulgação do REPIS e no calendário de pagamentos para reduzir a inadimplência e garantir que mais beneficiários acessem os recursos.

Como o REPIS facilita o acesso

Desenvolvido pelo Ministério da Fazenda em parceria com o Serpro, o portal REPIS foi lançado em 10 de março como uma solução definitiva para as cotas esquecidas. Inspirado no Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central, o site centraliza informações e orienta os usuários de forma intuitiva. Antes, a consulta era feita pelo aplicativo FGTS, mas a mudança para o REPIS visa maior segurança e controle.

O sistema exige autenticação gov.br nos níveis prata ou ouro, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo a privacidade dos usuários. Após a consulta, o portal detalha os passos para o saque, incluindo a lista de documentos necessários. Apesar da praticidade online, a etapa presencial ainda gera dúvidas, e filas têm sido registradas em agências desde o lançamento.

A plataforma também mantém a opção de consulta via aplicativo FGTS, mas o pedido de liberação agora é exclusivamente presencial. Com isso, o governo espera alcançar os 10,5 milhões de beneficiários estimados, muitos dos quais desconhecem os valores a que têm direito.

Documentos exigidos para herdeiros

Herdeiros de trabalhadores falecidos enfrentam um processo mais burocrático para acessar as cotas. Além da consulta no REPIS, é preciso apresentar documentos que comprovem o vínculo com o titular e o direito ao saque. A lista inclui alternativas, dependendo da situação:

  • Certidão PIS/PASEP/FGTS com dependentes habilitados à pensão por morte, emitida pela Previdência Social.
  • Declaração de dependentes emitida pelo órgão pagador do benefício.
  • Autorização judicial ou escritura pública assinada por todos os dependentes e sucessores, atestando a concordância com o saque e a inexistência de outros herdeiros conhecidos.

Esses documentos devem ser levados à agência da Caixa (para PIS) ou do Banco do Brasil (para PASEP), junto a um documento de identificação do herdeiro. A exigência reflete a preocupação com a legalidade dos saques, mas pode dificultar o acesso para quem não tem os papéis em mãos.

Calendário do abono salarial em paralelo

Enquanto as cotas exigem solicitação, o abono salarial segue um calendário automático, baseado no mês de nascimento. Em 2025, os pagamentos começaram em 17 de fevereiro para nascidos em janeiro e vão até 15 de agosto para nascidos em novembro e dezembro. Os valores ficam disponíveis até 29 de dezembro, com saques via Caixa (PIS) ou Banco do Brasil (PASEP).

A unificação do calendário, adotada desde 2024, simplificou o processo para trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos. Cerca de 24,4 milhões de pessoas recebem até R$ 1.518, proporcional aos meses trabalhados em 2023. A consulta está disponível desde 5 de fevereiro na Carteira de Trabalho Digital, portal gov.br ou pelo telefone 158.

Esse benefício anual contrasta com as cotas, mas ambos reforçam a renda de milhões. A gestão do abono, assumida pelo Ministério do Trabalho com apoio da Dataprev, garante eficiência, enquanto as cotas demandam maior iniciativa dos beneficiários.

Dicas para não perder o benefício

Garantir o saque das cotas ou do abono exige atenção a prazos e procedimentos. Para as cotas, o ideal é consultar o REPIS o quanto antes e preparar a documentação necessária. Já o abono é depositado automaticamente, mas é preciso verificar se os dados foram corretamente informados pelo empregador na RAIS ou eSocial. Algumas orientações práticas incluem:

  • Verifique seu NIS com antecedência, usando carteira de trabalho ou extrato do FGTS.
  • Para herdeiros, organize os documentos exigidos antes de ir à agência.
  • Acompanhe o calendário de pagamento das cotas e evite deixar para o último mês.
  • Em caso de dúvidas, ligue para 158 (Ministério do Trabalho) ou 0800-726-0207 (Caixa).

Seguir esses passos pode evitar atrasos ou a perda dos valores, especialmente para as cotas, cujo prazo final é janeiro de 2026.

Curiosidades sobre o PIS/PASEP

Os programas PIS e PASEP têm uma história rica e impactante. Alguns fatos ajudam a entender sua relevância:

  • O fundo PIS/PASEP foi criado em 1970 para integrar trabalhadores e empresas, mas mudou em 1988 com a nova Constituição.
  • Até 2018, os saques das cotas eram restritos a maiores de 70 anos, aposentados ou doentes graves.
  • A extinção do fundo em 2020 transferiu R$ 25 bilhões ao FGTS, mas parte ficou esquecida.
  • O abono salarial, instituído em 1990, já distribuiu bilhões anualmente, com R$ 27 bilhões em 2024.

Esses programas continuam a moldar a economia e a vida de milhões, seja pelo passado ou pelo presente.