A Fórmula 1 desembarca em Suzuka para o Grande Prêmio do Japão, terceira etapa da temporada, que acontece entre os dias 3 e 6 de abril no icônico circuito japonês. Após uma semana de pausa, a categoria retorna com Gabriel Bortoleto, piloto brasileiro da Sauber, ainda em busca de seus primeiros pontos no campeonato. A corrida, marcada para as 2h da madrugada de domingo (horário de Brasília), promete emoções com a liderança da McLaren, a estreia de Yuki Tsunoda na Red Bull e a possibilidade de chuva alterando as estratégias. O evento será transmitido ao vivo pela Band e Bandsports, com treinos e classificação começando já na quinta-feira.
Suzuka, localizado na província de Mie, é um dos circuitos mais tradicionais da Fórmula 1, conhecido pelo traçado desafiador em forma de oito e pela curva 130R, onde os carros atingem velocidades superiores a 300 km/h. A McLaren chega ao Japão na liderança do campeonato de construtores com 78 pontos, impulsionada pelas atuações de Lando Norris e Oscar Piastri, que dominaram as duas primeiras corridas do ano. Norris venceu na Austrália, enquanto Piastri triunfou na China, consolidando a equipe como a força a ser batida até o momento.
Já a Red Bull vive um momento de instabilidade. Após apenas duas corridas, a equipe decidiu substituir Liam Lawson por Yuki Tsunoda ao lado de Max Verstappen, uma mudança que surpreendeu o paddock. Tsunoda, japonês que correrá em casa, assume o cockpit sob forte pressão, enquanto Lawson retorna à Racing Bulls, equipe secundária da marca austríaca. A Mercedes, segunda colocada com 57 pontos, e a Ferrari, que soma apenas 17 pontos com Lewis Hamilton e Charles Leclerc, também buscam recuperação em um fim de semana que pode ser decisivo para o rumo da temporada.
Circuito de Suzuka desafia pilotos em terceira etapa
Localizado a cerca de 400 quilômetros de Tóquio, o circuito de Suzuka recebe a Fórmula 1 desde 1987, com exceção de quatro anos: 2007 e 2008, quando a prova migrou para Fuji, e 2020 e 2021, cancelados devido à pandemia. Com 5,807 quilômetros de extensão, o traçado é famoso por suas curvas de alta velocidade e pela exigência técnica que impõe aos pilotos. A melhor volta da pista pertence a Lewis Hamilton, que cravou 1:30.983 em 2019, um recorde que reflete a combinação de precisão e potência necessária para dominar o local.
A história do GP do Japão é rica em momentos marcantes. Michael Schumacher é o maior vencedor em Suzuka, com seis triunfos, seguido por Hamilton e Sebastian Vettel, cada um com quatro vitórias. Para os brasileiros, o circuito guarda memórias especiais: Ayrton Senna venceu em 1988, garantindo seu primeiro título mundial, e repetiu o feito em 1993, enquanto Nelson Piquet subiu ao topo em 1990 e Rubens Barrichello em 2003. Agora, Gabriel Bortoleto tenta deixar sua marca em um palco que já consagrou grandes nomes do automobilismo nacional.
O clima em Suzuka pode ser um fator determinante. A previsão indica temperaturas entre 12°C e 20°C no domingo, com 60% de chance de chuva durante a corrida. Em um circuito onde a aderência é crucial, a presença de pista molhada pode embaralhar as estratégias e abrir espaço para surpresas, como já ocorreu em edições anteriores marcadas por condições adversas.
Troca na Red Bull agita o paddock
A decisão da Red Bull de promover Yuki Tsunoda e rebaixar Liam Lawson após apenas duas corridas pegou muitos de surpresa. Lawson, que substituiu Sergio Pérez no fim de 2024, não conseguiu impressionar a equipe nas etapas da Austrália e da China, levando à troca imediata. Tsunoda, que estava na Racing Bulls ao lado de Isack Hadjar, agora terá a chance de correr ao lado de Max Verstappen, atual tetracampeão mundial, em uma equipe conhecida por sua exigência implacável com o segundo piloto.
Helmut Marko, consultor da Red Bull, admitiu que Verstappen não ficou satisfeito com a mudança. A experiência e a fase atual de Tsunoda, que marcou pontos em casa no GP do Japão de 2024 ao terminar em décimo, foram citados como motivos para a promoção. No entanto, a pressão sobre o japonês será enorme: além de enfrentar Verstappen, ele correrá diante de sua torcida, que espera um desempenho à altura da oportunidade em Suzuka.
Enquanto isso, Liam Lawson retorna à Racing Bulls, onde dividirá os boxes com Hadjar, vice-campeão da Fórmula 2 em 2024. A troca reflete a estratégia da Red Bull de buscar renovação e competitividade, mas também expõe a instabilidade no segundo assento, um problema recorrente desde os tempos de Pérez, que deixou a equipe no ano passado apesar de um contrato até 2026.
McLaren domina início da temporada
Com 78 pontos no campeonato de construtores, a McLaren vive um momento de ouro. Lando Norris abriu a temporada com uma vitória convincente na Austrália, liderando a maior parte da corrida apesar de condições intermediárias que testaram os pilotos. Oscar Piastri, seu companheiro, ficou em nono após um incidente, mas se recuperou na China, conquistando a vitória em uma dobradinha com Norris, que terminou em segundo mesmo enfrentando problemas de freio.
Na Austrália, Norris quebrou a sequência de dias consecutivos de Verstappen na liderança do campeonato de pilotos, um domínio que vinha desde o GP da Espanha de 2022. Já na China, Piastri largou da pole e controlou a corrida do início ao fim, marcando a 50ª dobradinha da McLaren na história da Fórmula 1. A equipe, atual campeã de construtores, mostra consistência e força, mas a rivalidade interna entre Norris e Piastri pode ser um desafio em Suzuka.
A Mercedes segue como segunda força, com 57 pontos, impulsionada por Andrea Kimi Antonelli, que subiu 12 posições na Austrália para terminar em quarto, e George Russell, terceiro na China. Lewis Hamilton, agora na Ferrari, teve um início difícil, com uma vitória na corrida sprint da China ofuscada pela desclassificação de ambos os carros da equipe no domingo devido a irregularidades técnicas.
Destaques para o fim de semana em Suzuka
Alguns pontos merecem atenção especial no GP do Japão. A disputa na McLaren entre Norris e Piastri será um dos focos, já que ambos têm mostrado velocidade e competitividade. A Red Bull, com Tsunoda estreando ao lado de Verstappen, tentará reduzir a diferença de 42 pontos para a líder McLaren. Já Bortoleto, único brasileiro no grid, busca melhorar seu desempenho após terminar em 14º na China, subindo de 19º no grid em uma corrida de recuperação.
- Liderança em jogo: Norris, líder do campeonato, enfrenta a ameaça de Piastri, que já soma uma vitória.
- Pressão local: Tsunoda terá os olhos do Japão sobre ele em sua estreia pela Red Bull.
- Chuva como fator: A possibilidade de pista molhada pode alterar a hierarquia das equipes.
- Bortoleto na luta: O brasileiro ainda não pontuou, mas Suzuka pode ser sua chance de brilhar.
A Ferrari, por sua vez, precisa reagir. Hamilton venceu a sprint na China, mas a desclassificação dos carros no domingo expôs fragilidades. Charles Leclerc, seu companheiro, também não encontrou ritmo, e a equipe soma apenas 17 pontos, ficando atrás até da Racing Bulls no campeonato de construtores.
Programação completa do GP do Japão
O fim de semana em Suzuka segue o formato tradicional da Fórmula 1, com três treinos livres, classificação e corrida. Todos os horários são de Brasília, ajustados para a diferença de 12 horas em relação ao Japão. A transmissão será exclusiva do Grupo Bandeirantes, com cobertura na Band, Bandsports e F1TV.
- Quinta-feira, 3 de abril
Treino livre 1: 23h30 (Bandsports e F1TV) - Sexta-feira, 4 de abril
Treino livre 2: 3h (Bandsports e F1TV)
Treino livre 3: 23h30 (Bandsports e F1TV) - Sábado, 5 de abril
Classificação: 3h (Band, Bandsports e F1TV) - Domingo, 6 de abril
Corrida: 2h (Band e F1TV)
Os treinos de sexta-feira serão fundamentais para as equipes ajustarem os carros às condições de Suzuka, enquanto a classificação de sábado definirá o grid para a corrida de 53 voltas, totalizando 307,471 quilômetros.
Retrospectiva do GP do Japão em 2024
No ano passado, Max Verstappen dominou o GP do Japão, vencendo com uma volta mais rápida de 1:33.706 e largando da pole com 1:28.197. A Red Bull fez dobradinha com Sergio Pérez em segundo, enquanto Carlos Sainz, então na Ferrari, completou o pódio em terceiro. Yuki Tsunoda, ainda na Racing Bulls, terminou em décimo, marcando seus primeiros pontos em casa, um feito que agora tentará repetir em um carro mais competitivo.
A vitória de Verstappen em 2024 veio após um abandono na Austrália, mostrando a capacidade da Red Bull de se recuperar rapidamente. A corrida também foi marcada por um duelo tático de pneus, com o holandês superando os rivais em uma pista seca. Desta vez, com Tsunoda no lugar de Pérez e Lawson, a dinâmica da equipe será completamente diferente.
Para Gabriel Bortoleto, o GP de 2024 foi apenas um sonho distante. Na época, ele competia na Fórmula 2, onde conquistou o título antes de subir para a Sauber. Agora, em sua primeira temporada completa na Fórmula 1, o brasileiro enfrenta o desafio de pontuar em um circuito que exige experiência e adaptação.
Expectativas altas para um fim de semana imprevisível
Com a temporada ainda no início, o GP do Japão pode trazer mudanças significativas na tabela. A McLaren chega como favorita, mas a chuva e a estreia de Tsunoda na Red Bull adicionam incertezas. A Mercedes, com Antonelli em ascensão, também pode surpreender, enquanto a Ferrari tenta superar os problemas técnicos que marcaram seu começo de ano.
Gabriel Bortoleto, aos 20 anos, representa a nova geração do automobilismo brasileiro. Após uma estreia difícil na Austrália e uma recuperação parcial na China, ele chega a Suzuka com a meta de entrar no top 10. A Sauber, com seis pontos graças a Nico Hülkenberg, confia no talento do jovem piloto para melhorar sua posição no campeonato de construtores, onde ocupa o sétimo lugar.
A possibilidade de chuva no domingo eleva as expectativas. Em 33 corridas disputadas em Suzuka, o pole position venceu 17 vezes, mas condições adversas já produziram resultados inesperados, como a vitória de Kimi Räikkönen em 2005, largando de 17º. Equipes e pilotos terão de estar preparados para qualquer cenário.
Curiosidades sobre Suzuka e o GP do Japão
O circuito de Suzuka é um dos mais queridos pelos pilotos e fãs da Fórmula 1. Além de seu traçado único, ele carrega histórias que vão além das corridas. Aqui estão algumas curiosidades que enriquecem o fim de semana:
- O traçado em forma de oito é o único da categoria com um cruzamento por viaduto.
- A curva 130R foi batizada em homenagem ao seu raio de 130 metros, uma das mais rápidas do calendário.
- Suzuka já decidiu 11 títulos mundiais, mais do que qualquer outro circuito da Fórmula 1.
- A edição de 1988 marcou a primeira vitória de Senna no Japão, selando seu primeiro campeonato.
Esses elementos históricos reforçam a aura especial do GP do Japão, que agora recebe uma nova geração de pilotos em busca de glória.
Calendário ajustado para 2025
A temporada da Fórmula 1 em 2025 começou em março com o GP da Austrália, uma mudança em relação ao ano anterior devido ao Ramadã, que adiou o GP do Bahrein. Suzuka, tradicionalmente disputado em setembro ou outubro, foi antecipado para abril para evitar a temporada de tufões no Pacífico. O campeonato terá 24 corridas, terminando em dezembro, e será o último com as unidades de potência atuais, antes das mudanças previstas para 2026.
Após o Japão, a Fórmula 1 seguirá para o GP de Bahrein, em 13 de abril, mantendo o início asiático-oceânico da temporada. A alteração no calendário reflete o esforço da categoria para otimizar a logística e as condições climáticas, garantindo corridas mais seguras e competitivas.:

