Sarah Menezes deixa cargo em Teresina para priorizar seleção de judô após impasse com CBJ

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Sarah Menezes Foto: Sarah Menezes - Foto: Instagram

Sarah Menezes, judoca piauiense e campeã olímpica em Londres 2012, deixou o comando da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Semel) de Teresina nesta segunda-feira, 31 de março de 2025. A exoneração, confirmada pela prefeitura da capital, foi um pedido da própria ex-secretária, que optou por priorizar sua carreira como treinadora da seleção brasileira feminina de judô. O motivo da saída está ligado a um posicionamento da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), que apontou a incompatibilidade entre o cargo público e suas funções junto à entidade esportiva. A decisão marca o fim de uma gestão de pouco mais de três meses à frente da pasta, iniciada em janeiro deste ano, e reacende o debate sobre os desafios de conciliar carreiras no esporte de alto rendimento com a administração pública.

A trajetória de Sarah na Semel foi breve, mas marcada por sua intenção de ampliar o acesso ao esporte na capital piauiense. Nomeada pelo prefeito Silvio Mendes (União Brasil) no início de 2025, a judoca trouxe consigo a experiência de uma carreira vitoriosa, que inclui a histórica medalha de ouro nas Olimpíadas e, mais recentemente, o sucesso como técnica nas Olimpíadas de Paris 2024, onde suas atletas conquistaram pódios expressivos. No entanto, a exigência da CBJ forçou a atleta a fazer uma escolha: permanecer na gestão municipal ou seguir liderando a seleção nacional. Sarah optou pelo judô, uma decisão que reflete seu compromisso com a modalidade que a projetou mundialmente.

Agora, a prefeitura de Teresina busca um novo nome para a Semel, enquanto Expedito Falcão, até então secretário-executivo da pasta, assume interinamente o comando. A saída de Sarah Menezes não apenas deixa um vazio na administração esportiva local, mas também levanta questões sobre como o Brasil gerencia o talento de seus ídolos esportivos em papéis além das competições. Sua passagem pela secretaria, embora curta, foi reconhecida pelo empenho em valorizar o esporte como ferramenta de inclusão social.

Primeiros passos na gestão de Teresina

A chegada de Sarah Menezes à Semel foi anunciada com entusiasmo em novembro de 2024, quando Silvio Mendes, recém-eleito prefeito, revelou os nomes de seu secretariado. A escolha da judoca, então com 34 anos, foi vista como um aceno ao esporte e à representatividade feminina na política local. Ela tomou posse em janeiro de 2025, trazendo a promessa de usar sua experiência para identificar novos talentos e fortalecer as políticas públicas voltadas ao lazer e à prática esportiva em Teresina.

Durante seus três meses à frente da pasta, Sarah concentrou esforços em projetos de base, como a revitalização de espaços esportivos e a ampliação de parcerias com associações locais. Um dos destaques foi sua atuação na gestão do ginásio que leva seu nome, no bairro Morada do Sol, na zona leste da cidade. Inaugurado em 2020, o equipamento passou a ser administrado por sua equipe em 2024, antes mesmo de sua posse como secretária, e continuou sendo um ponto focal de suas ações na Semel. A judoca também buscou aproximar a secretaria de comunidades carentes, promovendo atividades que incentivassem crianças e jovens a se engajar em modalidades esportivas.

  • Ações iniciais de Sarah na Semel:
    • Reforço na gestão do Ginásio Sarah Menezes.
    • Ampliação de projetos esportivos em bairros periféricos.
    • Parcerias com associações para fomento ao esporte de base.

Conflito com a CBJ e a decisão de sair

O impasse que levou à saída de Sarah Menezes da Semel começou a se desenhar semanas antes de sua exoneração. A Confederação Brasileira de Judô informou à judoca que sua posição como treinadora da seleção nacional, cargo que ocupa desde 2021, era incompatível com a função pública em Teresina. A restrição está ligada ao uso de verbas da Lei Piva, oriundas de loterias, que financiam o esporte olímpico no Brasil e vedam a remuneração simultânea em cargos públicos. Diante disso, Sarah se viu diante de um dilema: abandonar a seleção ou abrir mão da secretaria.

Optar pela CBJ não foi uma escolha simples. Como técnica, Sarah alcançou feitos históricos em Paris 2024, tornando-se a primeira brasileira a conquistar medalhas olímpicas tanto como atleta quanto como treinadora. Sob seu comando, judocas como Bia Souza e Larissa Pimenta subiram ao pódio, consolidando o Brasil como potência na modalidade. A decisão de permanecer na seleção reflete não apenas sua paixão pelo judô, mas também o peso de sua responsabilidade em um momento de ascensão do esporte feminino no país.

A prefeitura de Teresina, por sua vez, destacou que a saída foi um movimento natural diante das circunstâncias. Em comunicado oficial, a Semel agradeceu o trabalho de Sarah e enfatizou que sua gestão, mesmo breve, deixou marcas positivas. Expedito Falcão, que agora assume interinamente, é um nome conhecido no judô local e já trabalhava ao lado da judoca, o que deve garantir continuidade aos projetos em andamento.

Impacto no esporte brasileiro

A saída de Sarah Menezes da Semel não é apenas uma notícia local; ela reverbera no cenário esportivo nacional. O Brasil tem uma longa tradição de aproveitar seus ídolos olímpicos em funções públicas, mas casos como esse mostram as barreiras que ainda existem. A incompatibilidade apontada pela CBJ expõe um sistema que, embora bem-intencionado, pode limitar a participação de atletas em outras esferas de influência. Para muitos, a situação de Sarah é um exemplo de como o país precisa repensar a integração entre esporte de alto rendimento e gestão pública.

Nos últimos anos, o judô brasileiro viveu um período de renovação, impulsionado por nomes como Sarah. Desde sua medalha em Londres 2012, a modalidade ganhou visibilidade e atraiu investimentos, especialmente no feminino. Em Paris 2024, o Brasil conquistou três medalhas no judô, duas delas sob a tutela de Sarah como técnica. Esse sucesso contrasta com a dificuldade de mantê-la em um cargo como o da Semel, evidenciando os desafios de alinhar compromissos institucionais com a carreira esportiva.

Por outro lado, a decisão de Sarah reforça seu legado no tatame. Ao escolher a CBJ, ela mantém viva a possibilidade de liderar a seleção em novos ciclos olímpicos, como os Jogos de Los Angeles 2028. Sua saída da Semel, nesse sentido, pode ser vista como um sacrifício em nome de um objetivo maior: o fortalecimento do judô brasileiro em escala global.

Números que explicam o contexto

O conflito enfrentado por Sarah Menezes não é um caso isolado, mas parte de um cenário mais amplo no esporte brasileiro. Dados mostram que a transição de atletas para cargos públicos é comum, mas nem sempre bem-sucedida. Um levantamento da Secretaria Especial do Esporte revelou que, entre 2019 e 2023, mais de 50 ex-atletas olímpicos assumiram funções em gestões municipais ou estaduais, mas muitos enfrentaram barreiras legais ou logísticas semelhantes às de Sarah.

No caso do judô, o impacto da Lei Piva é significativo. A legislação, criada em 2001, destinou cerca de 2% da arrecadação das loterias federais ao esporte olímpico e paralímpico, totalizando mais de 1 bilhão de reais entre 2016 e 2024. Esse recurso sustenta confederações como a CBJ, mas impõe restrições aos beneficiários, como a proibição de acumular funções remuneradas em órgãos públicos. Para Sarah, isso significou escolher entre um salário municipal e o suporte financeiro da confederação.

  • Dados sobre o esporte no Brasil:
    • 50+ ex-atletas em cargos públicos entre 2019 e 2023.
    • 1 bilhão de reais investidos via Lei Piva de 2016 a 2024.
    • 3 medalhas do judô brasileiro em Paris 2024.

Legado em Teresina e próximos passos

Mesmo com uma passagem curta pela Semel, Sarah Menezes deixou sua marca em Teresina. O Ginásio Sarah Menezes, que ela já administrava antes de assumir a secretaria, permanece como um símbolo de seu compromisso com o esporte local. Durante sua gestão, o espaço foi palco de eventos comunitários e treinamentos de judô, atendendo centenas de jovens da região. Sua saída não interrompe essa iniciativa, já que a administração do ginásio segue sob sua equipe, em parceria com a Associação Judô Expedito Falcão.

Enquanto isso, a prefeitura corre contra o tempo para definir o novo titular da Semel. Silvio Mendes, que assumiu a prefeitura em janeiro de 2025, tem pela frente o desafio de manter o ritmo das políticas esportivas sem a figura carismática de Sarah. Expedito Falcão, o interino, é um nome respeitado no meio esportivo piauiense, mas sua gestão temporária levanta dúvidas sobre o futuro de projetos de longo prazo iniciados pela judoca.

Para Sarah, o foco agora retorna aos tatames. Com a seleção brasileira, ela deve iniciar em breve a preparação para competições internacionais, como o Mundial de Judô de 2025, em Budapeste. Sua decisão de priorizar a CBJ garante que ela continue sendo uma peça-chave no desenvolvimento do judô feminino, um segmento que cresceu 35% em número de praticantes no Brasil desde sua conquista em 2012.

Cronologia da trajetória de Sarah

A história de Sarah Menezes é repleta de marcos que ajudam a entender sua decisão atual. Desde o início da carreira até a saída da Semel, sua vida reflete a dedicação ao esporte e os desafios de equilibrar diferentes papéis.

  • Principais momentos:
    • 2012: Conquista a medalha de ouro em Londres, a primeira do judô feminino brasileiro.
    • 2021: Assume como técnica da seleção brasileira feminina de judô.
    • 2024: Leva o Brasil a duas medalhas em Paris como treinadora.
    • Janeiro de 2025: Toma posse como secretária da Semel.
    • Março de 2025: Deixa o cargo para seguir na CBJ.

Desafios para o esporte local

A exoneração de Sarah Menezes coloca Teresina diante de um momento de transição. A Semel, responsável por gerir políticas de esporte e lazer em uma cidade com mais de 800 mil habitantes, precisa manter o ímpeto de crescimento em um setor historicamente subfinanciado. Dados do IBGE mostram que apenas 25% dos moradores da capital praticam atividades físicas regularmente, um índice abaixo da média nacional, o que reforça a importância de lideranças como Sarah na pasta.

A gestão interina de Expedito Falcão será um teste para a continuidade dos projetos. Com experiência no judô e proximidade com a ex-secretária, ele tem condições de dar sequência às ações iniciadas, mas a falta de um titular permanente pode gerar incertezas. A prefeitura já sinalizou que o processo de escolha do novo secretário está em andamento, com reuniões previstas para os próximos dias.

Enquanto isso, a saída de Sarah reacende o debate sobre o papel dos ídolos esportivos na gestão pública. Em um país onde o esporte muitas vezes depende de figuras inspiradoras para ganhar força, casos como esse mostram a necessidade de políticas que facilitem a transição de atletas para posições de liderança fora das competições.

O que fica da passagem de Sarah

Apesar do curto período na Semel, Sarah Menezes conseguiu plantar sementes para o futuro do esporte em Teresina. Sua visão de usar o judô como ferramenta de transformação social ecoou em ações práticas, como a ampliação de oficinas esportivas em escolas municipais e o incentivo a competições locais. A judoca também trouxe visibilidade à pasta, atraindo olhares para a importância do investimento em infraestrutura esportiva na capital.

Para os moradores de Teresina, a saída de Sarah é uma perda simbólica. Sua história de superação, desde os treinos em ginásios simples do Piauí até o topo do pódio olímpico, inspirou gerações. Agora, ao voltar plenamente para a CBJ, ela leva consigo a promessa de continuar elevando o nome do Brasil no judô mundial, enquanto Teresina busca um novo rumo para suas políticas esportivas.

  • Legado de Sarah na Semel:
    • Foco em projetos de base e inclusão.
    • Revitalização de espaços como o Ginásio Sarah Menezes.
    • Visibilidade para o esporte na gestão municipal.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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