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Daniel Alves é absolvido e recupera passaportes: ex-jogador já pode retornar ao Brasil

Daniel Alves e sua esposa, Joana Sanz
Foto: Daniel Alves e sua esposa, Joana Sanz - Foto: Instagram

Daniel Alves, ex-jogador brasileiro que marcou história em clubes como Barcelona e na seleção nacional, está oficialmente livre para deixar a Espanha após ser absolvido de uma acusação de estupro. Nesta sexta-feira, 4 de abril de 2025, o Tribunal Superior de Justiça da Catalunha devolveu seus passaportes brasileiro e espanhol, retidos desde sua prisão em janeiro de 2023. A decisão veio uma semana após a corte anular, por unanimidade, a condenação de 4 anos e 6 meses imposta em primeira instância por um suposto crime ocorrido em uma discoteca de Barcelona em dezembro de 2022. Os juízes apontaram inconsistências na sentença anterior e falta de provas suficientes, encerrando um caso que gerou ampla repercussão internacional.

A absolvição marca o fim de um processo que manteve Alves preso por mais de um ano e, posteriormente, em liberdade provisória desde março de 2024, após o pagamento de uma fiança de 1 milhão de euros. O ex-lateral, que também possui nacionalidade espanhola, esteve no tribunal nesta manhã para trâmites administrativos e saiu com os documentos em mãos, podendo agora decidir seu próximo destino. Embora não tenha se pronunciado sobre um retorno imediato ao Brasil, a possibilidade está aberta, enquanto a defesa da jovem que o acusou já anunciou que recorrerá ao Tribunal Supremo da Espanha.

O caso, que envolveu mudanças de versão por parte de Alves e depoimentos contestados, dividiu opiniões e expôs desafios na comprovação de crimes sexuais. A devolução dos passaportes simboliza o fim das restrições impostas ao jogador, que vive em Barcelona com a esposa, Joana Sanz, mas tem laços fortes com o Brasil, onde nasceu e construiu parte de sua carreira. Enquanto a Promotoria também planeja recorrer, a decisão atual garante a Alves liberdade total, sem acusações pendentes na Justiça espanhola.

Daniel Alves
Daniel Alves – Foto: Instagram

Reviravoltas no processo judicial

O Tribunal Superior da Catalunha justificou a absolvição apontando falhas na sentença de primeira instância. Os juízes destacaram que o depoimento da vítima, uma jovem espanhola que alegou ter sido estuprada no banheiro da boate Sutton, não foi suficientemente respaldado por provas materiais. Apesar de exames confirmarem a presença de sêmen de Alves, a corte entendeu que a narrativa apresentada continha lacunas, como a ausência de checagem de gravações internas da discoteca e a falta de contraste com outras evidências, como impressões digitais.

Inicialmente condenado em fevereiro de 2024 a 4 anos e 6 meses de prisão, Alves já havia cumprido mais de um ano em detenção preventiva na prisão de Brians 2, em Barcelona. A liberdade provisória veio após um recurso da defesa, aceito com a condição da fiança milionária, enquanto a Promotoria pedia aumento da pena para 9 anos e a acusação particular solicitava 12 anos. A anulação da sentença rejeitou esses pedidos e declarou o jogador absolvido, revogando todas as medidas cautelares.

  • Decisão unânime: absolvição por falta de provas consistentes.
  • Fiança: 1 milhão de euros pagos em março de 2024.
  • Recurso: defesa da vítima e Promotoria planejam apelar ao Tribunal Supremo.

Trajetória do caso

A denúncia contra Daniel Alves surgiu em janeiro de 2023, quando a polícia de Barcelona investigou uma queixa de importunação sexual na boate Sutton, em 30 de dezembro de 2022. Preso dias depois ao prestar depoimento, o jogador foi acusado de estupro, crime enquadrado como agressão sexual no Código Penal espanhol. O julgamento, realizado em fevereiro de 2024, durou três dias e terminou com a condenação inicial, baseada no depoimento da vítima e no testemunho de funcionários da boate, que relataram tê-la visto abalada após o ocorrido.

Alves mudou sua versão quatro vezes ao longo do processo. Primeiro, negou conhecer a jovem; depois, admitiu estar no banheiro com ela, mas sem relação sexual; em seguida, falou em sexo oral consensual; e, por fim, confessou uma relação com penetração, alegando consentimento e embriaguez. A defesa argumentou que as inconsistências da vítima e a falta de provas materiais sustentavam a inocência do jogador, tese aceita pelo tribunal superior.

A sentença de absolvição não afirma que a versão de Alves é verdadeira, mas conclui que a acusação não conseguiu provar o crime além da dúvida razoável. A decisão gerou reações mistas: a advogada do jogador, Inés Guardiola, celebrou a “justiça feita”, enquanto a defesa da vítima insiste em buscar a revisão do caso na instância máxima.

Impactos na vida de Daniel Alves

A prisão e o processo judicial interromperam a carreira de Alves, que, aos 39 anos na época do incidente, ainda atuava pelo Pumas, do México, após deixar o Barcelona. Contratos foram rescindidos, e patrocinadores se afastaram, enquanto o jogador enfrentava a detenção e a exposição pública do caso. A absolvição devolve a ele a liberdade de movimento e a chance de reconstruir sua vida, seja na Espanha, onde mantém residência, ou no Brasil, terra natal que não visita desde o início do processo.

Casado com Joana Sanz, que permaneceu ao seu lado durante o período, Alves tem uma casa em Barcelona, cidade onde conquistou três títulos da Liga dos Campeões pelo clube catalão. A recuperação dos passaportes elimina a última barreira legal para que ele deixe o país, embora sua volta ao futebol profissional seja incerta, dado o tempo afastado e a idade atual de 41 anos.

A família do ex-jogador celebrou a decisão. Sua mãe, Maria Lúcia Alves, publicou uma mensagem de agradecimento nas redes sociais, enquanto amigos próximos, como Neymar, que ajudou a pagar a fiança, também manifestaram apoio. A possibilidade de retorno ao Brasil reacende especulações sobre um reencontro com torcedores e ex-clubes, como Bahia e São Paulo, onde deixou marcas.

Debate sobre provas e violência sexual

A absolvição de Daniel Alves reacende discussões sobre a dificuldade de comprovar crimes sexuais, especialmente em casos sem testemunhas diretas. Os juízes reconheceram o depoimento da vítima, mas questionaram sua confiabilidade por falta de verificação com câmeras ou outras evidências. Exames médicos confirmaram a relação sexual, mas a questão do consentimento permaneceu central, sem resolução definitiva devido às lacunas apontadas.

Organizações de apoio a vítimas de violência sexual na Espanha criticaram a decisão, argumentando que a exigência de provas materiais além do testemunho pode desencorajar denúncias. Dados mostram que apenas 8% dos casos de estupro no país resultam em condenação, refletindo um desafio global na justiça penal. O caso também expôs a pressão sobre vítimas em processos midiáticos, com a jovem enfrentando exposição pública desde 2023.

No Brasil, onde Alves é figura conhecida, a absolvição divide opiniões. Enquanto alguns veem a decisão como justiça, outros questionam a credibilidade do jogador, que mudou de versão repetidamente. O debate deve continuar com os recursos anunciados pela Promotoria e pela defesa da vítima.

Cronograma do caso Daniel Alves

Os principais eventos do processo seguem esta linha do tempo:

  • 30 de dezembro de 2022: suposto crime na boate Sutton, em Barcelona.
  • 20 de janeiro de 2023: prisão de Alves após depoimento.
  • Fevereiro de 2024: julgamento e condenação a 4 anos e 6 meses.
  • 25 de março de 2024: liberdade provisória com fiança de 1 milhão de euros.
  • 28 de março de 2025: absolvição pelo Tribunal Superior da Catalunha.
  • 4 de abril de 2025: devolução dos passaportes.

Esse calendário resume dois anos de reviravoltas que culminaram na liberdade total do ex-jogador.

Repercussão internacional e próximos passos

O caso ganhou atenção global por envolver um atleta de renome, com passagens por Juventus, PSG e seleção brasileira, onde conquistou duas Copas América. A absolvição foi noticiada por veículos na Europa e na América Latina, com destaque para as críticas à sentença inicial e o alívio da defesa de Alves. Na Espanha, a imprensa local acompanha os desdobramentos, enquanto no Brasil a possibilidade de retorno do jogador domina as manchetes.

A Promotoria e a defesa da vítima têm até 30 dias para recorrer ao Tribunal Supremo, a última instância judicial espanhola. Se aceito, o recurso pode reabrir o caso, mas, por enquanto, Alves não enfrenta restrições. A advogada Inés Guardiola afirmou que o jogador está focado em “seguir em frente”, sem detalhar planos imediatos.

A decisão também levanta questões sobre o futuro de Alves fora dos gramados. Com uma fortuna estimada em 60 milhões de euros, ele pode optar por investimentos ou projetos pessoais, seja na Espanha ou no Brasil, onde tem raízes em Juazeiro, na Bahia. A volta ao país natal, após mais de dois anos, seria um marco simbólico após o turbulento período judicial.

Curiosidades sobre Daniel Alves e o caso

O processo revelou detalhes marcantes:

  • Alves é o jogador com mais títulos na história do futebol, com 43 troféus.
  • A fiança de 1 milhão de euros foi paga com ajuda de Neymar, segundo a imprensa espanhola.
  • A boate Sutton, palco do incidente, é um ponto famoso da noite de Barcelona.

Esses fatos misturam a trajetória vitoriosa do atleta com o drama judicial que quase mudou seu destino.

O que vem pela frente

Com os passaportes em mãos, Daniel Alves tem a liberdade de decidir seu próximo capítulo. A volta ao Brasil poderia incluir visitas familiares ou até projetos no futebol, como treinador ou comentarista, aproveitando sua experiência. Em Barcelona, a vida com Joana Sanz e a casa na cidade oferecem estabilidade, mas o peso do caso pode influenciar uma mudança.

A batalha judicial, porém, não terminou. O recurso ao Tribunal Supremo pode prolongar a disputa, mantendo o caso em evidência. Para a vítima, a luta por justiça continua, enquanto Alves busca deixar o episódio para trás. O desfecho final dependerá da análise da corte superior, mas, por ora, o ex-jogador respira aliviado, livre de acusações e restrições.