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Daniel Alves retoma liberdade plena e pode deixar Espanha após absolvição

Daniel Alves
Foto: Daniel Alves - Foto: Reprodução/Instagram

Daniel Alves, ex-lateral da seleção brasileira e do Barcelona, voltou a ter liberdade plena para decidir seu destino. Na última sexta-feira, dia 4 de abril, ele compareceu ao Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, em Barcelona, e recuperou seus passaportes brasileiro e espanhol, retidos desde janeiro de 2023, quando foi preso preventivamente sob acusação de agressão sexual. A devolução dos documentos veio uma semana após a justiça espanhola anular, por unanimidade, a condenação de quatro anos e seis meses de prisão que o jogador havia recebido em fevereiro de 2024. A decisão, baseada na insuficiência de provas, marcou o fim de um processo que durou mais de dois anos e manteve Alves no centro de uma controvérsia internacional. Agora, sem restrições legais, o ex-atleta pode deixar a Espanha e retornar ao Brasil, onde não pisa desde 2022, antes da Copa do Mundo do Catar.

A absolvição de Daniel Alves foi anunciada no dia 28 de março pelo Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, que reverteu a sentença de primeira instância. Os juízes apontaram falhas no processo inicial, como a falta de provas consistentes que corroborassem o depoimento da jovem que o acusava de estupro em uma boate de Barcelona, em dezembro de 2022. Durante o período em que esteve sob custódia da justiça espanhola, Alves passou 14 meses em prisão preventiva, entre janeiro de 2023 e março de 2024, quando conseguiu liberdade provisória ao pagar uma fiança de 1 milhão de euros, equivalente a cerca de 5,4 milhões de reais na cotação da época. Desde então, ele cumpria medidas cautelares, como comparecimentos semanais ao tribunal e a proibição de deixar o país.

Com a anulação da pena, todas as restrições foram suspensas. Além de recuperar os passaportes, Alves também terá direito à devolução da fiança milionária, um processo que deve ser concluído nos próximos dias. O ex-jogador, que possui dupla nacionalidade – brasileira e espanhola –, ainda não se pronunciou oficialmente sobre seus planos, mas a possibilidade de voltar ao Brasil, onde nasceu e construiu parte de sua carreira, ganhou força entre seus familiares e amigos próximos. Enquanto isso, a defesa da jovem que o acusou já anunciou que recorrerá da decisão ao Supremo Tribunal da Espanha, o que pode prolongar a disputa judicial, embora sem impacto imediato na situação atual do atleta.

Absolvição reacende debates sobre o caso

A decisão de absolver Daniel Alves não passou despercebida. O caso, que desde o início gerou intensa repercussão na mídia e nas redes sociais, voltou a dividir opiniões. O Tribunal Superior de Justiça da Catalunha justificou a anulação da condenação ao apontar que o depoimento da denunciante apresentava inconsistências e não era suficientemente respaldado por provas materiais, como gravações ou testemunhos adicionais. Apesar disso, os magistrados deixaram claro que a absolvição não significa uma validação da versão apresentada pelo jogador, que mudou seu relato sobre os eventos de dezembro de 2022 em pelo menos quatro ocasiões ao longo do processo.

Durante o julgamento, Alves admitiu ter tido relações sexuais com a jovem no banheiro da boate Sutton, mas afirmou que o ato foi consensual. Inicialmente, ele negou qualquer contato com a denunciante, mas mudou sua narrativa após exames periciais confirmarem a presença de seu sêmen. O jogador justificou as contradições como uma tentativa de proteger seu casamento com a modelo espanhola Joana Sanz, com quem vive em Barcelona. A absolvição, portanto, foi fundamentada na ausência de elementos que comprovassem a falta de consentimento, um ponto central na acusação de agressão sexual, crime que na Espanha equivale ao estupro conforme a legislação brasileira.

Organizações feministas e parte da opinião pública na Espanha criticaram a decisão, alegando que ela reflete dificuldades no sistema judicial para lidar com casos de violência sexual. Em contrapartida, apoiadores de Alves, incluindo sua família, celebraram o desfecho. A mãe do jogador, Maria Lúcia Alves, usou as redes sociais para expressar alívio, agradecendo a Deus pela absolvição do filho. O caso também levantou discussões sobre o peso da fama e da fortuna no desenrolar de processos judiciais, especialmente após a fiança milionária que garantiu a liberdade provisória do ex-atleta em 2024.

  • Medidas cautelares revogadas: proibição de deixar a Espanha e comparecimentos semanais ao tribunal.
  • Fiança de 1 milhão de euros: valor pago em março de 2024 será devolvido ao jogador.
  • Dupla nacionalidade: passaportes brasileiro e espanhol foram entregues no dia 4 de abril.

Trajetória de Daniel Alves na justiça espanhola

O processo contra Daniel Alves começou em janeiro de 2023, quando ele foi detido preventivamente após prestar depoimento em Barcelona. A denúncia partiu de uma jovem de 23 anos, que alegou ter sido vítima de estupro na madrugada de 31 de dezembro de 2022, na área VIP da boate Sutton. Segundo o relato inicial, ela foi levada por Alves ao banheiro do local, onde teria sido trancada e agredida sexualmente. Após o incidente, a jovem acionou a segurança da boate, que seguiu o protocolo “No Callem”, criado em 2018 para combater assédio e violência sexual em Barcelona. A polícia foi chamada, e a vítima passou por exames médicos que confirmaram lesões e a presença de material genético do jogador.

Preso preventivamente, Alves permaneceu na penitenciária Brians 2, nos arredores de Barcelona, por mais de um ano. Durante esse período, sua defesa trabalhou para desmontar a acusação, enquanto a promotoria e os advogados da jovem pediam penas mais duras – até 12 anos de prisão, em alguns recursos. Em fevereiro de 2024, o Tribunal Provincial de Barcelona condenou o jogador a quatro anos e seis meses de prisão, uma sentença considerada branda por parte da acusação, que recorreu pedindo aumento para nove anos. A defesa de Alves, por sua vez, apelou pela absolvição, o que acabou sendo concedido na instância superior.

A reviravolta veio com a análise do Tribunal Superior de Justiça da Catalunha, que identificou lacunas no processo de primeira instância. Os juízes questionaram a validação parcial do depoimento da vítima, destacando contradições entre o que foi relatado e as evidências disponíveis, como imagens de câmeras de segurança. Embora exames médicos e testemunhas tenham confirmado que a jovem saiu abalada do local, os magistrados consideraram que isso não era suficiente para sustentar a condenação. Assim, no dia 28 de março, a pena foi anulada, e Alves passou a responder em liberdade plena.

O que mudou com a devolução dos passaportes

Com os passaportes em mãos, Daniel Alves recuperou um direito que havia perdido há mais de dois anos: a possibilidade de circular livremente pelo mundo. Desde sua prisão, em janeiro de 2023, ele estava impedido de deixar a Espanha, uma medida justificada pelo risco de fuga apontado pela promotoria. Mesmo após conquistar a liberdade provisória, em março de 2024, o jogador precisava se apresentar semanalmente ao tribunal e manter uma distância mínima de 1 quilômetro da vítima, além de ter seus documentos retidos. A anulação da condenação eliminou todas essas restrições, devolvendo ao ex-atleta o controle sobre seus próximos passos.

A entrega dos passaportes aconteceu em uma audiência administrativa na manhã do dia 4 de abril, na seção 21 da Audiência de Barcelona, acompanhado por sua advogada, Inês Guardiola. O momento simbolizou o fim de um capítulo turbulento na vida de Alves, que agora pode decidir se permanece em Barcelona, onde mantém uma residência com Joana Sanz, ou retorna ao Brasil, terra natal que não visita desde o período preparatório para a Copa do Mundo de 2022. A devolução da fiança de 1 milhão de euros, paga com ajuda de amigos e familiares, também está em andamento, reforçando a posição financeira do jogador, cujo patrimônio é estimado em 55 milhões de dólares, cerca de 296 milhões de reais.

Para Alves, a liberdade plena representa mais do que a possibilidade de viajar. É também uma chance de reconstruir sua imagem pública, abalada desde o início do caso. Durante o tempo em que esteve preso, ele chegou a jogar futebol amador na penitenciária, mantendo-se ativo fisicamente, mas sem planos claros para o futuro profissional. Aos 41 anos, o lateral ainda não anunciou oficialmente sua aposentadoria dos gramados, embora seu último clube tenha sido o Pumas, do México, em 2022, antes de ser detido.

  • Passaportes retidos: desde janeiro de 2023, por risco de fuga.
  • Liberdade provisória: concedida em março de 2024, após pagamento de fiança.
  • Absolvição total: confirmada em 28 de março, com devolução dos documentos em 4 de abril.

Repercussão no Brasil e na Espanha

No Brasil, a notícia da absolvição de Daniel Alves foi recebida com reações mistas. Parte dos fãs do jogador, que o acompanham desde os tempos de Bahia, São Paulo e seleção brasileira, comemorou o desfecho, vendo-o como uma reparação após meses de exposição negativa. Em Juazeiro, sua cidade natal, amigos e familiares manifestaram apoio, destacando a trajetória vitoriosa do lateral, que acumula 43 títulos na carreira, incluindo três Ligas dos Campeões com o Barcelona e duas Copas América com o Brasil. Por outro lado, movimentos feministas e ativistas criticaram a decisão, apontando que ela pode desencorajar denúncias de violência sexual.

Na Espanha, o caso continuou a gerar polêmica. A promotoria de Barcelona anunciou, no dia 2 de abril, que recorrerá ao Supremo Tribunal do país, buscando reverter a absolvição. Os advogados da jovem também confirmaram que apresentarão um recurso na segunda-feira, dia 7 de abril, argumentando que as provas foram subestimadas pelo tribunal superior. Representantes de movimentos feministas em São Paulo e Barcelona realizaram protestos contra a decisão, alegando que ela reforça a impunidade em casos de agressão sexual. A esposa de Alves, Joana Sanz, que está grávida, quebrou o silêncio nas redes sociais, defendendo a inocência do marido e criticando os ataques que sofreu durante o processo.

A imprensa espanhola destacou a complexidade do caso, que envolveu cinco versões diferentes apresentadas por Alves ao longo do tempo. Jornais como o “El País” e o “Marca” acompanharam de perto a audiência do dia 4 de abril, quando o jogador deixou o tribunal com os passaportes em mãos. A cobertura também trouxe à tona o impacto financeiro do processo, já que Alves, mesmo preso, manteve uma fortuna acumulada ao longo de duas décadas como um dos laterais mais bem-sucedidos do futebol mundial.

Cronologia dos eventos no caso Daniel Alves

O caso de Daniel Alves seguiu uma trajetória longa e cheia de reviravoltas. Abaixo, os principais momentos que marcaram o processo judicial:

  • 31 de dezembro de 2022: jovem acusa Alves de estupro na boate Sutton, em Barcelona.
  • 20 de janeiro de 2023: jogador é preso preventivamente após prestar depoimento.
  • 17 de abril de 2023: Alves admite relação sexual, mas diz que foi consensual.
  • 5 a 7 de fevereiro de 2024: julgamento ocorre em Barcelona, com depoimentos da vítima e testemunhas.
  • 22 de fevereiro de 2024: condenado a quatro anos e seis meses de prisão.
  • 25 de março de 2024: sai da prisão após pagar fiança de 1 milhão de euros.
  • 28 de março: Tribunal Superior da Catalunha anula a condenação.
  • 4 de abril: recupera os passaportes e ganha liberdade plena.

Futuro incerto de Daniel Alves

Aos 41 anos, Daniel Alves enfrenta um momento de indefinição. Livre das acusações e das restrições judiciais, o ex-jogador agora tem a possibilidade de recomeçar, seja no Brasil, na Espanha ou em outro lugar. Em Barcelona, ele mantém uma vida estruturada ao lado de Joana Sanz, com quem planeja a chegada de um filho. A cidade, onde viveu seus anos mais gloriosos como jogador do Barça, entre 2008 e 2016, continua sendo um lar para o atleta. No entanto, o desejo de retornar ao Brasil, onde tem raízes profundas e uma base de fãs, também é uma opção concreta.

Profissionalmente, o futuro de Alves nos gramados permanece uma incógnita. Antes de ser preso, ele atuava pelo Pumas, no México, mas o contrato foi rescindido após sua detenção. Durante o período na prisão, o lateral participou de partidas amadoras, mostrando que ainda mantém a forma física, mas não deu sinais de que pretende voltar ao futebol competitivo. Seu patrimônio, avaliado em 55 milhões de dólares, oferece segurança financeira para explorar outros caminhos, como investimentos ou projetos pessoais.

Enquanto isso, o recurso anunciado pela promotoria e pela defesa da vítima pode trazer novos capítulos ao caso. Se o Supremo Tribunal da Espanha aceitar a apelação, o processo será reaberto, o que poderia afetar novamente a situação de Alves. Por ora, o jogador aproveita a liberdade reconquistada, com os passaportes em mãos e o mundo aberto à sua frente.

Impacto do caso na carreira e na imagem pública

O processo judicial deixou marcas profundas na trajetória de Daniel Alves. Antes da acusação, ele era amplamente reconhecido como um dos maiores laterais da história do futebol, com uma carreira repleta de conquistas e uma personalidade carismática que o tornava querido por torcedores e marcas. A prisão e a condenação inicial abalaram essa imagem, levando ao rompimento de contratos de patrocínio e à exclusão de eventos esportivos. A absolvição, embora um alívio jurídico, não apaga automaticamente o impacto público do caso.

No Brasil, onde o futebol é uma paixão nacional, Alves ainda conta com uma legião de admiradores que destacam seus feitos em campo, como os títulos pelo São Paulo em 2021 e a participação na Copa do Mundo de 2022. Contudo, a controvérsia em torno do caso na Espanha gerou debates éticos que devem acompanhar o jogador por anos. Na Europa, especialmente na Espanha, a percepção sobre ele permanece dividida, com parte da mídia e do público questionando a decisão judicial.

Financeiramente, Alves se mantém estável. Além do patrimônio acumulado, que inclui imóveis e investimentos, ele deve receber de volta os 1 milhão de euros pagos como fiança, um montante que reforça sua capacidade de planejar o futuro sem pressa. A incerteza, agora, está mais ligada ao aspecto pessoal e profissional do que ao financeiro.

Próximos passos e expectativas

Com a liberdade plena assegurada, Daniel Alves tem pela frente um leque de possibilidades. A volta ao Brasil, especulada por amigos e familiares, poderia significar um reencontro com suas origens e uma tentativa de reconstruir sua imagem em um ambiente mais familiar. Juazeiro, na Bahia, onde nasceu em 6 de maio de 1983, é frequentemente citada como um destino emocionalmente importante para o jogador. Por outro lado, permanecer em Barcelona, ao lado de Joana Sanz e do filho que está a caminho, oferece estabilidade e continuidade à vida que ele construiu na Europa.

A resposta da promotoria e da defesa da vítima ao Supremo Tribunal da Espanha adiciona um elemento de imprevisibilidade. Se o recurso for aceito, o caso pode ganhar novos desdobramentos, trazendo Alves de volta ao centro das atenções judiciais. Até lá, o ex-jogador tem a chance de aproveitar um raro momento de tranquilidade após mais de dois anos de turbulência. Seja qual for sua escolha, o mundo do futebol e a opinião pública continuarão acompanhando cada passo desse ícone do esporte.